O mercado de cabos submarinos do Brasil vive um momento inédito; nunca esteve tão aquecido. A expectativa é que até o término de 2019, o Brasil tenha 16 cabos em operação, dobrando a capacidade de tráfego existente hoje. 
 
Atualmente, em operação no Brasil estão: os cabos Sam-1, South American Crossing (SAC), Globenet, AMX, Seabras-1, Monet, Junior, Tannat, Americas-2, Atlantis-2 e um cabo próprio da Embratel, que conecta a costa brasileira (BrazilianFestoon).
 
Atenta à efervescência do setor, a Seaborn Networks, desenvolvedora, proprietária e operadora de sistemas de cabos submarinos e o Grupo Werthein, empresa argentina, com um histórico de importantes holdings em telecomunicações, vem implantando um novo sistema submarino de cabos de fibra ótica, conectando Argentina e Brasil (o sistema ARBR). 
 
O sistema ARBR chega à Praia Grande, litoral de São Paulo, onde se encontra o Seabras-1, permitindo a conectividade direta para Nova Iorque. Na Argentina, o ARBR está instalado em Las Toninas, na grande Buenos Aires. O sistema é composto por quatro pares de fibras com uma capacidade máxima de 48 Tbps. Em entrevista exclusiva, Larry Schwartz, CEO da Seaborn Networks, fala sobre os projetos da operadora e do mercado brasileiro.
 
 
DatacenterDynamics: O mercado brasileiro de cabo submarino está aquecido devido à chegada de vários cabos ao país através de Fortaleza. Isto está ajudando os negócios da Seaborn? 
 
Larry Schwartz: O aumento do número de sistemas de cabos ópticos que chegam ao Brasil é mais uma indicação de que a indústria global de telecomunicações vê o Brasil como um centro crítico para as comunicações internacionais. No que diz respeito a Fortaleza, a Seaborn também tem uma “branch unit” apontando para esta cidade e pode construir este acesso a qualquer momento. Até o momento, não vimos demanda suficiente para justificar nossa abordagem em Fortaleza, devido ao recente excesso de oferta de capacidade nesta cidade. 
O fato é que São Paulo ainda é o principal ponto de origem e destino de capacidade e IP no país. Isso nos permite destacar que o Seabras-1 é o único sistema direto, POP a POP que liga o centro comercial do Brasil (São Paulo) com o centro comercial dos EUA (Nova Iorque). 
 
DCD: Como a Seaborn avalia este momento de aquecimento do mercado de cabos submarinos no Brasil ? 
 
L. S.: Há muitas oportunidades para nós no mercado brasileiro atualmente. Estamos experimentando uma forte demanda dos clientes pela nossas soluções diferenciadas. Conforme mencionado anteriormente, oferecemos uma rota direta única entre os centros financeiros da América do Norte e América do Sul. O cabo Seabras-1 foi projetado para evitar as áreas propensas a furacões do sul da Flórida e do Caribe. O Seabras-1 também é o único sistema com rede totalmente subterrânea, da nossa “Cable Station” na Praia Grande até a área metropolitana de São Paulo. Somado a esses pontos, a Seaborn Networks é o único desenvolvedor-proprietário-operador, não compete dentro do Brasil contra seus próprios clientes e oferecemos a ativação mais rápida de circuitos do mercado. Por todas estas razões, comprar serviços do Seabras-1 da Seaborn, propicia um conjunto de fatores únicos que nos diferenciam de outras alternativas. 
 
DCD: O cabo Seabras-1 foi instalado há quase um ano, qual é o balanço que a Seaborn faz ? 
 
L.S.: Além do nosso apoio contínuo ao Seabras-1, a Seaborn está trabalhando em vários outros projetos, tais como, o ARBR e o SABR. O ARBR é o nosso cabo planejado da Praia Grande para Las Toninas com “backhaul” para Buenos Aires. O SABR é o nosso cabo planejado do nordeste do Brasil para Cape Town, África do Sul. Também estamos trabalhando ativamente nas construções planejadas das derivações do Seabras-1. Como lembrete, podemos construir para Virginia Beach, Miami, Caribe, norte e sul do Brasil. 
 
 
DCD: Como a Seaborn avalia o trabalho da Alcatel Submarine Networks? 
 
L. S.: Mantemos um relacionamento contínuo e próximo com a Alcatel Submarine Networks. Ficamos muito satisfeitos com o trabalho que forneceram durante a construção do Seabras-1. Eles têm sido um verdadeiro parceiro ao longo do projeto. O projeto foi concluído no prazo esperado e abaixo do orçamento; grande parte do crédito relativo a este fatos é da ASN. 
 
DCD: Você pode listar algumas empresas que estão usando a conectividade do Seabras-1 ? 
 
L.S.: Nossos clientes incluem uma grande variedade de operadores de telecomunicações do Brasil e do resto do mundo. Outros segmentos de clientes importantes para nós incluem  provedores de internet, “hyperscalers / OTTs” e “high frequence traders” (HFTs). Por uma questão de prática, não divulgamos os nomes dos clientes. 
Como complemento, vendemos transporte e IP, o que também ajudou a ampliar nossa base de clientes. 
 
DCD: Qual é a latência do Seabras-1 ? 
 
L.S.: Para nossos clientes do mercado de atacado, a latência depende de quais pontos de presença (POP), são selecionados em cada ponta. Como exemplo, do SP3 ao NY5, a latência seria de 107.77ms ida e volta. Claro, é um pouco mais rápido para os nossos clientes SeaSpeed. 
 
DCD: Foi anunciado que o Seabras-1 usa a tecnologia SeaSpeed. Você poderia falar um pouco sobre isso?  
 
L.S.: O SeaSpeed refere-se às nossas soluções de latência ultra-baixa (ULL) que são proprietárias da Seaborn, que oferece exclusivamente aos “high frequency traders” (HFTs). Oferecemos a única solução ULL submarina POP a POP da B3 para Carteret. O SeaSpeed está disponível como uma solução “Tier 1” ou como uma solução “Tier 2”. O “Tier 1” fornece aos HFTs a rota mais rápida entre B3 (ex-Bovespa) e 1400 Federal (Carteret), com uma latência de ida e volta de 105,05ms. O SeaSpeed “Tier 2” também é mais rápido do que a nossa solução para o mercado atacado, mas é um pouco mais lento que o “Tier 1”. Ele está disponível para empresas HFTs e do mercado de “gaming”. Os clientes do SeaSpeed são clientes finais que compram o serviço para suas próprias necessidades internas e estão proibidos de revender esta solução. Seja o produto SeaSpeed “Tier 1”, “Tier 2” ou Atacado, os clientes estão recebendo serviços da rede mais confiável, com a rede terrestre totalmente subterrânea no Brasil e uma rede POP a POP operada pela Seaborn como desenvolvedor-proprietário-operador. 
 
 
DCD: Qual o papel da Infinera no Seabras-1? 
 
L.S.: A Seaborn implantou os novos “XTS-3300 meshponders” da Infinera no Seabras-1. Isso nos proporciona capacidades únicas de aumento de desempenho e economia de energia. Ao implementar a tecnologia Infinera, podemos acelerar o provisionamento e ajustar a capacidade em poucos minutos para nossos clientes. Isso permite que nossos clientes SeaCloud que exigem capacidade em um modelo “pay-as-you-grow” tenham a ativação mais rápida do mercado. Em suma, a Infinera nos forneceu um diferencial adicional.