A tendência por trás da modernização e consolidação dos data centers está impulsionando a necessidade de soluções que garantam maior capacidade de resfriamento em uma menor área ocupada, com capacidade de se adaptar à real carga térmica do data center. De acordo com a Schneider Electric, a climatização em coluna ou linha no nível do rack é uma tendência consolidada no Brasil e que tem ocupado cada vez mais espaço no mercado.
A empresa, que é uma das líderes em soluções de eficiência energética, lista também o resfriamento por líquido, afirmando que a Inteligência Artificial continua ganhando destaque e vem acompanhada de demandas gigantescas de processamento, distribuídas em data centers por todo o mundo. "Geralmente, os aplicativos de IA são tão pesados que os arquitetos de hardware de TI começaram a usar GPUs para processamento principal ou como processamento suplementar.
O resfriamento por líquido tem sido usado em aplicações de computação de alto desempenho há algum tempo, mas com o aumento de demanda por IA, essa tecnologia volta a ter destaque", detalha o diretor de Soluções de Cooling para Data Center da Schneider Electric, Maurizio Frizziero, acresentando que, "de qualquer modo, a grande tendência para o setor são os equipamentos que possibilitam o máximo aproveitamento dos recursos de energia, trazendo disponibilidade, segurança e tranquilidade nas operações do data center."
Confira abaixo a entrevista na íntegra com o diretor de Soluções de Cooling para Data Center da Schneider Electric.
Tatiane Aquim: Climatização é a parte que mais merece atenção dentro do data center?
Maurizio Frizziero: Durante o processamento de dados, gera-se uma quantidade enorme de energia. A temperatura pode chegar a 50°C. E esse calor excessivo provoca o desligamento automático dos sistemas e, consequentemente, a perda de dados. A climatização é fundamental, pois é responsável por manter o ambiente interno favorável à operação dos equipamentos que compõem o data center (servidores, storages, switches, etc.) – temperatura entre 18°C e 27°C.
T. A.: Como a climatização pode contribuir para a eficiência energética no data center? Como fazer uma climatização mais eficiente?
M. F.: Em poucas palavras, digo que quanto mais eficiente for a climatização, mais eficiente será o data center como um todo.
Em média, 40% do consumo de um data center se refere ao sistema de climatização. Portanto, é crucial que ele seja planejado com máximo critério e alta tecnologia, otimizando o processamento de dados.
O melhor projeto de climatização depende de diversas variáveis, como características da solução de TI, localização do data center e características do edifício. Mas existem algumas boas práticas para reduzir os custos com energia e, assim, tornar o data center mais competitivo, entre elas estão: eliminar a mistura entre ar quente e ar frio; minimizar desumidificações desnecessárias; promover resfriamento próximo à carga térmica; otimizar o layout; oferecer resposta ativa à carga; reduzir recirculação; e aumentar a temperatura de operação do data center (a American Society of Heating, Refrigerating and Air-Conditioning Engineers – ASHRAE alterou, em 2008, a TC 9.9 da faixa de temperatura de 20°C a 25°C para 18°C a 27°C sem alterar os requerimentos de garantia; o aumento da temperatura de operação do data center pode reduzir por volta de 4% a 6% os custos de eletricidade para cada grau Celsius aumentado).
T. A.: As empresas preferem soluções de climatização por ar ou por água?
M. F.: Para um bom projeto de climatização, é preciso considerar diversas variáveis, como localização do data center, layout do ambiente, custos de energia e de água, investimento inicial e custo de operação. Ambas as soluções têm suas vantagens e suas desvantagens.
T. A.: As empresas brasileiras estão utilizando Free Cooling? Qual é o grau de penetração das novas soluções de Free Cooling no Brasil?
M. F.: Os sistemas de Free Cooling estão sendo projetados e estudados por alguns clientes e devem se tornar, em breve, mais comuns nas instalações de data center. O que realmente impulsiona essas novas tecnologias são a mobilidade e o aumento do tráfego de dados, que exigem soluções cada vez mais eficientes e com capacidades para lidar com altos níveis de densidade.
T.A.: Free Cooling pode ser utilizado em qualquer região do Brasil?
M. F.: Existe, atualmente, uma série de soluções que combinam Free Cooling com métodos tradicionais de climatização e que podem ser instaladas em qualquer parte do Brasil. A principal questão aqui é a viabilidade financeira do pacote de soluções.
O Free Cooling não é simplesmente abrir uma porta ou uma janela no data center, mas, sim, um conjunto complexo de soluções que se utiliza da variação da temperatura ambiente, ao longo do ano, para economia de energia. Já fizemos estudo de caso em Brasília, por exemplo, e o uso do free cooling era totalmente viável.
T. A.: Qual é a preferência da Schneider Electric: Free Cooling Direto ou Indireto?
M. F.: O conceito de Free Cooling considera a captação de ar externo direto com a finalidade de resfriar o data center. No Brasil, não são muitas as localidades que permitem isso. Na Europa, entretanto, o cenário é outro.
Já o Free Cooling Indireto utiliza fluidos refrigerantes do próprio equipamento de ar-condicionado, mantendo a temperatura adequada mesmo com os compressores desligados. Em alguns casos, essa pode ser, de fato, a melhor solução.
Resumindo, para um bom projeto de climatização, é essencial analisar as mais diversas variáveis.
T.A.: Quais são as ferramentas que permitem melhor climatização do data center?
M. F.: É preciso atentar para a gestão do fluxo de ar. Deve-se garantir que exista ar suficiente para os equipamentos de TI. E isso exige pouco investimento. São ajustes operacionais que refletem positivamente no consumo de energia dos sistemas de climatização.
T.A.: Num passado não tão distante, os data centers se centravam na disponibilidade. O que mudou, já que hoje outros fatores vêm sendo muito valorizados?
M. F.: Evoluções tecnológicas como Cloud Computing, Mobilidade e Big Data estão mudando o setor de forma radical. A mudança para um modelo de “everything as a service” afeta não só as grandes empresas de TI, mas toda sua cadeia de valor, exigindo que os data centers se tornem cada vez mais seguros e ao mesmo tempo mais competitivos. No que se refere a projetos de data center, disponibilidade, eficiência e segurança são palavras-chave.
T. A.: Como garantir alta densidade no ambiente de Free Cooling?
M. F.: Para obter uma melhor eficiência no sistema de climatização, inclusive na questão da densidade, é necessário combinar diferentes tecnologias. O sistema de Free Cooling Eco Flair trabalha com três modos de climatização: ar-ar, utilizando o ar externo para climatização; um modo adiabático, no qual é acrescentado um spray de água; e um terceiro modo, com expansão direta. A combinação dessas tecnologias em um único equipamento permite uma maior efetividade em densidades maiores.
T. A.: Solução de climatização adiabática ainda é uma novidade no Brasil?
M. F.: Eu não diria isso. A climatização adiabática consiste na captação, filtragem e no resfriamento do ar exterior antes de enviá-lo para o ambiente climatizado, por um sistema conhecido como resfriamento adiabático evaporativo. O sistema adiabático é comumente utilizado em estufas, usinas de geração de energia, alguns escritórios, granjas, padarias e fábricas de tecido, entre outros locais.
Dentre as vantagens, podemos citar: renovação do ar, pressurização do ambiente, menos problemas de saúde (umidificação do ar), redução de odores e gases, e menor impacto ambiental. Quanto às desvantagens, vale mencionar: pouca redução da temperatura do ambiente, instalação cara e que demanda muito espaço, produtos com pouca disponibilidade no mercado, e dificuldade para encontrar mão de obra especializada.
T.A.: Quais são as soluções da Schneider Electric para climatização no ambiente de data center? E quais são os diferenciais?
M. F.: Dentro do portfólio da Schneider Electric, temos o InRow DX de 30 kW, ideal para data centers que estão sendo modernizados ou atualizados, ou para qualquer lugar onde o espaço de TI é valioso. Devido ao seu design compacto e projeto energeticamente eficiente, o InRow DX é o mais versátil sistema de resfriamento para a próxima geração de pequenos e médios data centers, e uma escolha assertiva para ambientes corporativos e de edge. Os destaques são:
• Densidade de resfriamento: fornece até 3x mais capacidade em relação aos modelos anteriores, isso significa necessidade de menos condicionadores, liberando mais espaço para os equipamentos de TI.
• Alta eficiência: usa compressores e ventiladores eficientes para reduzir o Opex e disponibilizar mais energia para os equipamentos de TI.
• Design flexível: contorna facilmente as restrições comuns de instalação e reduz a necessidade de serviço dentro do piso branco.
• Capacidade variável: o compressor de velocidade variável permite adaptar a carga de resfriamento à demanda térmica real.
• Redução de custos: aproveita o baixo consumo de energia da unidade para reduzir o CapEx de infraestrutura elétrica.
• EcoStruxure Ready: preparado para trabalhar nas plataformas de gerenciamento digitais da Schneider Electric – EcoStruxure, ou qualquer outra plataforma de gerenciamento –, garantindo a visibilidade da performance e status do equipamento em tempo real.
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