Indo ao encontro das grandes tendências da supercomputação, ou seja, o Big Data, o consumo de energia e a complexidade técnica, a comunidade científica do Brasil está implementando uma plataforma de supercomputação tão grande e poderosa que colocará o país no mesmo patamar dos grandes jogadores do setor. Isso é especialmente importante em uma época em que a China, um dos países mais avançados no setor de supercomputação, praticamente triplicou o número de supercomputadores nos últimos seis meses.
Vamos analisar como os cientistas do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), em conjunto com a Atos, conseguiram superar os desafios e construir o Santos Dumont – o maior supercomputador da América Latina.
Por que a supercomputação é tão importante e prioritária?
Existem várias tendências que contribuem para uma crescente demanda pela supercomputação na comunidade científica brasileira:
• Big Data: com a previsão de 30 bilhões de dispositivos conectados com a internet até 2020, os supercomputadores serão fundamentais para analisar os grandes volumes de dados gerados e identificar padrões e tendências. Os supercomputadores terão uma grande influência sobre áreas acadêmicas e de pesquisa científica, que precisam de simulações em grande escala. Por exemplo, o sequenciamento do DNA na genômica, em que seria possível prever doenças do futuro; a meteorologia, para a análise e previsão do tempo; ou a modelagem de depósitos no setor de petróleo e gás.
• Consumo de energia: em termos de processamento de dados, os supercomputadores oferecem eficiências muito maiores – com a capacidade de realizar bilhões de operações por segundo –, mas será muito importante aumentar sua eficiência energética para garantir o futuro da supercomputação. Os supercomputadores de hoje consomem mais de 10MW, o equivalente ao consumo energético de 30.000 residências!
O LNCC construiu um supercomputador capaz de reduzir a distância de outros países que investem no setor – como os EUA, França, Japão e China – e acompanhar outros do Brics. A equipe também acredita que é importante fomentar talentos nacionais e substituir a propriedade intelectual e as patentes que foram perdidas durante os últimos 20 anos.
Construindo o Santos Dumont
Diante desse cenário, a Atos trabalhou com a comunidade científica do Brasil para construir o Santos Dumont – o maior supercomputador da América Latina. A máquina recebeu o nome do grande inventor brasileiro, Santos Dumont, que dividia seu tempo entre a França e a cidade de Petrópolis, reconhecendo os fortes laços entre os dois países. O HPC (computador de alto desempenho) está na escala peta, ou seja, consegue realizar 1,1 milhão de bilhões de operações por segundo – o equivalente a uma velocidade um milhão de vezes maior que um laptop!
A construção do supercomputador apresentou alguns desafios de logística, já que foi construído na França, carregado em dois contêineres e transportado para a América do Sul. Depois, os contêineres subiram a serra em quatro caminhões especialmente construídos até chegar à Petrópolis. Soluções como ambientes com refrigeração à água e Resfriamento Direito com Líquidos (DLC) foram empregados para reduzir o consumo de energia ao mínimo possível.
O futuro do Santos Dumont
Com a fase de testes finalizada, o Santo Dumont pode transformar a pesquisa científica, a inovação e o setor de serviços HPC para a comunidade e o governo do Brasil. Recentemente, um novo centro de P&D foi lançado em Petrópolis para aproveitar essas oportunidades futuras. O trabalho do centro é apoiar a comunidade científica brasileira durante o desenvolvimento e utilização dessas máquinas até 2020 – com sistemas capazes de realizar mais de um bilhão de bilhões de operações por segundo!
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