As empresas estão mudando de ideia sobre a nuvem? Quais cargas de trabalho devem e não devem estar na nuvem? E o que as empresas precisam saber para um projeto de repatriação? Essas são algumas das perguntas que surgem na conversa sobre nuvem, uma discussão que foi conduzida por vários líderes do setor no evento DCD>Connect Cancun, realizado em setembro desse ano. Entre eles está Jesús Palacios, Diretor de Consultoria de Vendas para a América Latina da Oracle, com quem conversamos antes de sua participação no debate intitulado De volta ao On-Premise: a morte do modelo Cloud-Only?

Em alguns mercados, como a América do Norte e a Europa, algumas empresas estão decidindo trazer parte das cargas de volta on-premise, uma ação que vai contra a tendência de cloud-only. Vemos essa tendência na América Latina atualmente e em curto/médio prazo?

O que vemos é uma tendência para arquiteturas híbridas, especialmente no setor de telecomunicações, em que há aplicações pela latência muito baixa nos tempos de resposta necessários para interagir com plataformas que devem ser on-premises e/ou por questões regulatórias, como questões muito específicas de segurança ou residência de dados. Até mesmo o que vejo como tendência ainda são as cargas que estão na nuvem, não em uma única nuvem, mas é um ecossistema híbrido on-premises e multi-cloud.

Quais são as principais razões pelas quais as empresas podem considerar repatriar dados e cargas de trabalho da nuvem para on-premise?

Acho que isso pode ser por um planejamento ruim, seja pela natureza dos dados e cargas ou devido aos custos ocultos de alguns fornecedores de nuvem, já que, como mencionei, existem aplicações que, pela baixíssima latência que exigem e/ou a natureza da aplicação, os tornam totalmente inviáveis para estar na nuvem. Por outro lado, isso também pode ser pelos custos ocultos de alguns fornecedores de nuvem, como a cobrança pela transmissão de dados, que são coisas que são cobradas em grande quantidade, e se há muita interação os custos podem aumentar.

Quais são os benefícios e desafios de adotar uma estratégia híbrida que combina nuvem e on-premise em comparação com uma abordagem “cloud-only”?

Os benefícios vêm de uma estratégia de arquitetura correta, como aplicações exigidas pelos motivos que já mencionamos, estar on-premises e aplicações que podem ser executadas na nuvem. Ao fazer isso, aproveita-se o potencial elástico e pay-per-use da nuvem para poder escalar em caso de eventualidades como o Zoom, que em alguns meses passou de 30 milhões de usuários para 300 milhões, essa escalabilidade foi possível porque estava na nuvem. Parte dos desafios é justamente esse planejamento arquitetônico, ter os canais de comunicação ideais para poder se comunicar on-premise com a nuvem e, portanto, também a importância de ter regiões próximas para minimizar problemas de latência e conectividade.

Quais tipos de cargas de trabalho são mais adequados para permanecer na nuvem e quais são mais adequados para on-premise? Por quê?

A tendência que vejo é que aplicativos que exigem capacidade de processamento muito alta e que podem potencialmente exigir mais poder de computação eventualmente, especialmente aqueles que exigem alto processamento, mas apenas por períodos de tempo relativamente curtos, como um sistema de faturamento por exemplo, e que não têm problemas de latência ou residência de dados, são ideais para ir à nuvem, já que para a cobrança por uso o auge do processamento é pago somente quando é necessário, enquanto on-premise seria necessário adquirir essa capacidade computacional para o auge potencial (e sem levar em conta o potencial aumento de carga), a mesma capacidade que ficaria sem uso na maior parte do tempo.

Por outro lado, cargas que exigem latência muito baixa, nos lugares em que não há uma região de nuvem local, em que a jornada do on-premise à nuvem é muito lenta (e estamos falando de milissegundos) e nas aplicações que pela natureza dos dados (como aplicações militares e governamentais) e que exigem certos padrões de segurança muito específicos para um setor (como o bancário) são candidatos a permanecerem on-premise. Mesmo para isso, existem soluções em nuvem para suprir essa necessidade e otimizar custos operacionais, como as soluções Cloud at Customer.