Cumprindo a exigência do Governo Federal de que dados científicos, gerados em território nacional, têm que estar armazenados no Brasil, a Rede Nacional de Pesquisa (RNP), firmou uma parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), que abriga o Centro de Dados Compartilhados (CDC) em Manaus - AM, com o propósito de armazenar dados científicos, coletados pelo projeto Museu da Floresta. A iniciativa tem a contribuição da Universidade de Kyoto e financiamento da Agência de Cooperação Internacional Japonesa (Jica-Brasil). O grande volume de informações gerado será armazenado no CDC, cuja operação pertence à RNP, com uma demanda média de 1 terabyte por mês.
Com o acordo, o Brasil passa a dispor de uma infraestrutura dedicada de redes, processamento e armazenamento de dados para o uso da comunidade acadêmica, o que é um elemento estratégico para a disseminação de conhecimento e desenvolvimento de pesquisas colaborativas. Essas informações servirão como um grande banco de dados para pesquisadores no Brasil e no exterior.
A parceria do Inpa com a Universidade de Kyoto permite à RNP demonstrar a viabilidade e a importância dos serviços de armazenamento seguro de dados de projetos internacionais em qualquer região do país.
"O CDC torna-se, deste modo, um componente essencial na infraestrutura de TIC para a comunidade acadêmica brasileira, permitindo aumentar a interação entre as instituições de pesquisa, promovendo a troca de conhecimento, facilitando a análise de documentos, acelerando o processamento de informações e o desenvolvimento de ferramentas de TI", destaca o diretor de Soluções e Serviços da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa, José Luiz Ribeiro Filho.
Centro de Dados Compartilhados Manaus
O Centro de Dados Compartilhados (CDC) é a primeira iniciativa do Programa Interministerial RNP (PI-RNP), formado pelos ministérios da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Educação (MEC), Saúde, Cultura e Defesa, de investir em um serviço de computação em nuvem para a comunidade de ensino e pesquisa no país. Hospedado pelo Inpa, este é o maior centro de processamento de dados da Região Norte e o quinto maior do Brasil.
Para sua implantação, em 2015, a RNP contou com a solução Contêiner Data Center IDS1000, doada pela Huawei International. A expectativa é que os resultados dos projetos com o CDC contribuam para a definição de políticas públicas e o estabelecimento de metas e diretrizes para ações futuras, relacionadas à oferta de serviços de computação em nuvem para a comunidade de ensino e pesquisa.
Infraestrutura
A infraestrutura do data center é composta por um contêiner POWER (UPS e gerador) e mais um contêiner de TI com 10 racks; todos de 40 pés.
Para climatização, o CDC utiliza equipamentos de precisão, UPS e geradores, também sistemas de detecção e prevenção de incêndio, todos monitorados localmente e a distância por sistemas especializados.
O sistema de refrigeração é pré-definido pela solução da Huawei para contêineres. Neste caso, a tecnologia adotada é a de expansão direta.
Além do monitoramento de toda infraestrutura de suporte, é possível monitorar o status das portas, sensores de presença, câmeras de vídeo e, principalmente o uso dos equipamentos de TI.
O CDC está conectado por meio de fibra ótica com dupla abordagem ao anel da rede metropolitana de Manaus (MetroMAO), implantado pela RNP, em parceria com o Governo do Estado do Amazonas e operada pela empresa de Processamento de Dados (Prodam). Internamente, o CDC utiliza tanto fibra ótica como cabeamento metálico cat 6A para interconectar os equipamentos.
A expectativa da RNP, é que o uso dessa infraestrutura dê visibilidade internacional ao projeto e garanta a integridade dos dados coletados.
Com a iniciativa, pesquisadores brasileiros e estrangeiros terão acesso a dados científicos coletados e mantidos na Amazônia, representando um marco importante para a Região Norte.
Outras parcerias internacionais
A RNP possui diversas parcerias com instituições internacionais, como as que contribuem para a expansão da Rede Universitária de Telemedicina (Rute), que conecta, através de uma infraestrutura de alto desempenho, hospitais universitários e unidades de saúde em todo o território nacional. Também coordena projetos selecionados pelas Chamadas Coordenadas Brasil-União Europeia, que têm o objetivo de estreitar a colaboração entre as comunidades de P&D brasileiras e europeias, envolvidas em Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC). Na 3ª Chamada Coordenada BR-EU, realizada em 2015, a RNP gerenciou, junto ao MCTIC e a Comissão Europeia, projetos que envolveram instituições acadêmicas nacionais e internacionais, nas áreas de computação em nuvem, incluindo aspectos de segurança, processamento de alto desempenho e plataformas experimentais.
Participa ainda do projeto "Middleware" para aplicativos colaborativos e comunidades globais virtuais, que busca aprimorar a capacidade de pesquisadores e universitários ao redor do mundo de colaborarem entre si. Entre 2011 - 2014, coordenou a plataforma Fibre, de experimentação em Internet do Futuro, selecionada pela primeira Chamada Coordenada Brasil - União Europeia em TIC, com o objetivo de implementar uma infraestrutura compartilhada para a pesquisa colaborativa em novas arquiteturas de internet entre o Brasil e a Europa. O Fibre contou com a participação de 16 instituições (dez no Brasil, cinco na Europa e uma na Austrália). Hoje, a plataforma é um ambiente virtual em larga escala, com 11 ilhas de experimentação em território nacional.
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