Energia firme e sinal de internet de fibra ótica vêm se tornando uma realidade para os moradores do arquipélago do Marajó e da Calha Norte, no Pará. 
O projeto, que vem sendo realizado pela Empresa Municipal de Processamento de Dados (Prodepa) e pela Centrais Elétricas do Pará (Celpa), está implantando uma estrutura de fibra ótica, responsável pela transmissão de dados, que interligará a Ilha do Marajó à rede pública de internet.
 
Ao todo, são 24 pares de fibra com 10,7mm de diâmetro total, o que representa transporte de dados em alta velocidade, proporcionando o alcance de taxas de transmissão da ordem de 40 Gbps. O primeiro município do arquipélago a receber internet via fibra ótica foi Ponta de Pedras. Coube à Celpa, lançar um cabo subaquático para levar energia. Dentro do cabo elétrico está também o cabo de fibra ótica. A Prodepa fez as ligações de Vila do Conde até a beira do rio e de lá, até Ponta de Pedras, viabilizando a chegada da fibra ótica ao Marajó. A Celpa fez a parte do rio e a Prodepa, os trechos de fibra ótica em terra. Além disso, foi feito um anel metropolitano de fibra ótica, transformando Ponta de Pedras em uma cidade digital 100% em fibra.
 
Investimento
 
A parte inicial da obra de interligação teve um investimento de aproximadamente R$ 60 milhões, compreendendo a ampliação e construção de subestações e a construção de 36 quilômetros de redes, sendo aproximadamente 17 quilômetros subaquáticas. Essa interligação via rio faz parte de um projeto maior no Marajó, cujo investimento total gira em torno de R$ 250 milhões e prevê ainda a construção de mais oito novas subestações e 794 quilômetros de rede, que beneficiarão outros municípios.
 
Do total investido, R$ 120 milhões são provenientes do governo, por meio do Programa de Investimentos em Áreas Sociais (PIS), e R$ 130 milhões da Celpa.
Os municípios contemplados pelo projeto são: Ponta de Pedras, Soure, Salvaterra, Cachoeira do Arari, Santa Cruz, Anajás, Chaves, Afuá, São Sebastião da Boa Vista e Muaná. 
 
Atualmente a maior parte destes municípios é atendida por usinas térmicas, que vêm sendo desativadas gradativamente, com a entrada em operação dos cabos subaquáticos e das demais obras, que envolvem novas subestações e linhas de transmissão. A geração térmica dará lugar à geração hídrica. A intenção é levar energia elétrica proveniente do Sistema Interligado Nacional (SIN), alcançando cerca de 450 mil pessoas, residentes do arquipélago.  
 
Tecnologia inédita no Estado
 
Nos últimos meses, foram implantados dois circuitos de cabos subaquáticos, que conectaram as subestações de Vila do Conde, em Barcarena, à de Ponta de Pedras, na Ilha do Marajó. Os cabos lançados ficam submersos e praticamente enterrados no fundo do rio, onde a profundidade pode ultrapassar 30 metros. Esta é a primeira vez que se usa tal tecnologia no Estado do Pará, sendo esse cabo o de maior extensão já lançado no Brasil.
 
As obras em Ponta de Pedras já foram concluídas, com a inauguração da Cidade Digital no último dia 29 de junho. Ponta de Pedras é a porta de entrada da fibra ótica no Marajó, abrindo caminho para que a tecnologia chegue, em breve, também aos municípios de Soure e Salvaterra, e depois para toda a região.
 
A primeira etapa do projeto, conhecida como Marajó I, concluída em 2013, recebeu investimento na ordem de R$ 179,5 milhões, aplicados na ampliação de duas e construção de seis novas subestações, além da construção de 685 quilômetros de rede. Essa primeira fase atendeu aos municípios de Portel, Melgaço, Curralinho, Breves, Baião e Bagre.
 
Para iniciar a segunda etapa da interligação da Ilha do Marajó ao Sistema Interligado Nacional (SIN), foram implantados dois circuitos de cabos subaquáticos para conectar a subestação de Vila do Conde, em Barcarena, à subestação de Ponta de Pedras, na Ilha do Marajó. Com um comprimento de aproximadamente 17 quilômetros em cada circuito, os cabos são totalmente isolados e protegidos. A previsão é de que o projeto seja concluído até 2018.
 
Cabos
 
Os cabos subaquáticos foram fabricados em Vila Velha, no Espírito Santo, e chegaram ao Pará em um navio especial para este tipo de serviço, equipado com um sistema completo e diferenciado de posicionamento, que garantiu segurança à navegação. Ao chegar em Ponta de Pedras, o navio se posicionou na rota de lançamento, onde iniciou o lançamento dos cabos com o auxílio de skidrollers, equipamentos motorizados que giram as bobinas onde os cabos estão enrolados, soltando os mesmos até o meio do Rio Pará. O mesmo procedimento ocorreu na Praia do Caripi em Barcarena.  
 
 
O sistema subaquático para interligar as cidades do Marajó ao SIN é composto por dois circuitos que serão energizados simultaneamente. Os cabos são tripolares e isolados, compostos por três fases energizadas, com 11,3 centímetros de diâmetro e peso de 431 toneladas. Eles possuem uma cobertura de isolação feita de polímeros, que garantem a segurança dos fios condutores em seu interior.
 
 
Como se trata de cabos projetados e fabricados de forma exclusiva para esta aplicação, os mesmos, assim que lançados, afundam nas águas e são enterrados automaticamente no leito do rio. "Aspectos relativos ao meio ambiente foram devidamente observados, como também em relação à segurança da navegação fluvial", ressalta a Celpa.
 
Expectativa
 
Com a consolidação do projeto, a Prodepa espera melhorar os serviços prestados à população, inicialmente para o governo e no segundo semestre de 2017, atender também a iniciativa privada. A intenção é disponibilizar essa infraestrutura para que as operadoras e os provedores de internet aprimorem os serviços prestados, fazendo com que o serviços de telefonia sejam prestados de melhor forma, e que o acesso à internet tenha maior velocidade, com preço justo. 
 
"Nossa expectativa é a melhor possível, pois toda essa tecnologia proporcionará um fornecimento de energia mais seguro e de qualidade para essas cidades do Marajó, além de uma internet de alta velocidade. Esse é um grande passo rumo ao desenvolvimento de uma região favorecida geograficamente e de muito potencial, no que diz respeito aos recursos naturais", destaca a Celpa.
 
Cooperação Técnica
 
No último mês de junho, a Prodepa assinou um Acordo de Cooperação Técnica com a Agência dos Estados Unidos para o Comércio e Desenvolvimento (US Trade and Development Agency - USTDA). O acordo estabelece um projeto de modernização e expansão da rede de telecomunicações no Pará. A previsão é de que o governo norte-americano invista mais de 400 mil dólares nos estudos iniciais. A expectativa é de que o projeto de expansão e melhoria da rede reforce o que já vem sendo feito no Estado do Pará.
 
Data Center
 
A Prodepa decidiu investir na reestruturação de sua instalação, realizando a desativação gradativa do mainframe, que estava em funcionamento há 12 anos. Em 2011, a Rede de Comunicação de Dados da empresa atendia 39 municípios, hoje contempla 65. Atualmente, quase 2.000 órgãos da gestão pública estão conectados à essa rede. 
 
Para garantir o êxito na fase de modernização do data center, a Prodepa investiu em servidores e storages. A empresa possui um site de aproximadamente 60 metros quadrados; a projeção é de que essa estrutura seja modernizada com ampliação para ambiente seguro de 80 metros quadrados e implantação de site backup.