À medida que a turbulência econômica dos últimos anos continua a enviar ondas de choque por toda a economia global, as empresas intensificaram significativamente o seu foco na redução de custos sempre que possível. Algumas destas medidas de minimização de custos, no entanto, podem ter na verdade o efeito oposto.
De fato, quando se trata de contar com a tecnologia legada, adiar um plano de modernização devido ao custo torna-se, ironicamente, bastante caro. Essa dependência é mais comum do que se poderia imaginar – mesmo entre os pesos-pesados que dominam suas indústrias.
De acordo com um relatório da Dell, mais de 70% do software utilizado pelas empresas Fortune 5000 foi desenvolvido há 20 anos ou mais. Muitas dessas grandes empresas estão especificamente preocupadas com os custos financeiros e de tempo imediatos da transição a uma nova arquitetura digital e, por isso, continuam a utilizar os seus sistemas atuais.
Em tempos de incerteza econômica, é tentador que as empresas pensem apenas em termos do aqui e agora. Dada a pressão financeira que muitas empresas têm enfrentado desde a pandemia, portanto, não é de se surpreender um foco maior nos custos de curto prazo. E, além dos custos iniciais, a migração da arquitetura digital pode ser desafiadora e demorada e pode haver armadilhas ao longo do caminho.
Mas os ganhos potenciais a longo prazo fazem o risco valer a pena e uma série de desvantagens podem surgir com a abordagem “se não está quebrado, não conserte”:
Riscos de segurança: Os sistemas legados deixam as empresas expostas a ataques de segurança cibernética e violações de dados por hackers que procuram explorar vulnerabilidades. Os riscos financeiros associados à segurança obsoleta não são exagerados. De acordo com o relatório State of Ransomware Report 2021 da Sophos, o custo total médio de reparação de um único ataque de ransomware mais do que dobrou entre 2019 e 2020, de 761.106 dólares (3,8 milhões de reais) para 1,85 milhão de dólares (9,3 milhões de reais). Quanto mais atualizados estiverem os sistemas de segurança de uma empresa, menor será a probabilidade de hackers conseguirem invadi-los sem um gasto considerável de tempo e esforço.
Integração ruim: A falta de integração com tecnologias mais modernas e sistemas automatizados pode fazer com que dados valiosos sejam ignorados ou isolados. Quanto mais modernizados forem os sistemas de dados, melhor conectados eles serão. De fato, uma incrível variedade de casos novos e interessantes de uso de dados está começando a se tornar realidade às empresas: relatórios de negócios avançados em tempo real, visualizações de clientes em 360° incrivelmente detalhadas, aplicativos auxiliados por IA/ML e processos de negócios.
Tudo isso pode gerar um alinhamento interdepartamental melhor entre as organizações, melhores insights e, em última análise, decisões de negócios tomadas baseadas em informação de qualidade. No entanto, as organizações que dependem de tecnologias legadas não têm capacidade de satisfazer as sofisticadas exigências de dados desses casos de utilização. De acordo com uma pesquisa recente que realizamos, um terço dos líderes empresariais de grandes empresas relataram que não eram capazes de tomar decisões acertadas com base em dados. As abordagens de negócios usuais (ou seja, equipes de dados isoladas, armazéns de dados centralizados) são muito lentas e fragmentadas. Pode demorar meses para o fornecimento de recursos básicos de dados e usos de casos.
Custos operacionais: Manter a tecnologia legada pode ser tão caro quanto uma atualização digital. Isso ocorre porque a equipe de TI precisa gastar tempo e dinheiro para manter o software obsoleto funcionando. Isso desperdiça horas valiosas da equipe que poderiam ser canalizadas para melhorar produtos, serviços ou sistemas da empresa. Um relatório da Dell indica que as organizações atualmente alocam 60-80% do seu orçamento de TI à manutenção de hardware local existente e aplicativos legados, o que deixa apenas 20-40% do orçamento para todo o resto.
Dívida técnica: Quando se trata de atualização, o tempo é essencial. Nenhuma empresa pode adiar indefinidamente a atualização da sua tecnologia: mais cedo ou mais tarde, o negócio irá fracassar à medida que seus rivais a ultrapassarem. Apesar dessa urgência, muitos líderes empresariais acreditam erroneamente que podem se dar ao luxo de adiar as suas melhorias tecnológicas e confiar em sistemas desatualizados.
No entanto, isto é um equívoco e pode levar a uma “dívida técnica”; o fenômeno em que o uso de sistemas legados adia custos de curto prazo causando perdas de longo prazo pelo retrabalho posterior com os sistemas. Isso ocorre porque quanto mais tempo a empresa adiar, seus concorrentes ficarão mais à frente fazendo com que fique mais difícil acumular os lucros necessários para alimentar as inovações necessárias para recuperar o atraso. Quanto mais a atualização for adiada, mais difícil se tornará a transição a um sistema mais moderno.
Falta de compliance: Como qualquer especialista em dados sabe: as leis e legislações para o uso da tecnologia não permanecem imutáveis. Esses códigos e regulamentos complexos estão em constante mudança e podem variar muito em todo o mundo. A dependência de sistemas legados significa que a tecnologia desatualizada de uma empresa será baseada em legislação financeira e de proteção de dados desatualizada. Portanto, quando uma empresa se recusa a atualizar a sua tecnologia e software, corre o risco de não estar em conformidade e violar a lei.
Estagnação criativa e oportunidades perdidas: Depender de tecnologia desatualizada limita o ritmo de inovação de uma empresa. Se uma empresa não tiver a melhor infraestrutura possível para ajudá-la a evoluir e iterar seus produtos e serviços, eles ficarão abaixo da média em comparação com as opções mais avançadas dos concorrentes. Além disso, as empresas que utilizam sistemas mais antigos também perdem funcionalidades que melhoram a experiência do usuário e do cliente, aumentando o impacto negativo nos seus negócios. Por exemplo, os empresários de comércio eletrônico que dependem de sistemas legados podem não conseguir incluir utilitários adicionais úteis para potenciais consumidores, como pagamentos com um clique, ou ferramentas necessárias para acompanhar cada fase do percurso do cliente, como análise inteligente de dados. Isto pode asfixiar muito as oportunidades de negócios.
A transição de uma infraestrutura obsoleta para um sistema digital mais moderno não pode acontecer da noite para o dia. Criar a infraestrutura que capacitará sua empresa a inovar com velocidade e progressão envolve uma profunda transformação nos níveis de equipe, processos e tecnologia.
Algumas empresas, no entanto, receosas de que os sistemas legados as levem à obsolescência, tentam de uma hora para outra migrar a uma nova arquitetura. Isto pode fazer com que o novo sistema seja instalado às presas e mal integrado.
A transição da tecnologia legada deve e pode ser feita de modo seguro e econômico. Para conquistar os múltiplos benefícios que uma infraestrutura digital mais moderna tem para oferecer, as empresas devem adotar uma abordagem empresarial ágil para atualizar o seu stack tecnológico.
Ao tomar medidas de desenvolvimento que levam de um objetivo a outro de forma linear, as empresas podem avançar gradualmente rumo aos objetivos tecnológicos sustentáveis e de longo prazo que garantirão seu lugar no futuro.
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