Apostando na nuvem desde 2012, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) escolheu as soluções de cloud da Amazon Web Services (AWS) para dar suporte às operações de planejamento a fim de assegurar o suprimento contínuo de energia no país. A empresa de direito privado é responsável pela coordenação e controle da operação das instalações de geração e transmissão de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional (SIN), sob fiscalização e regulação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Contando com data centers em Brasília, Florianópolis, Rio de Janeiro e Recife, o ONS identificou a necessidade de utilizar o poder computacional disponível na nuvem para a simulações de seus modelos matemáticos.
"Nossos maiores data centers estão no Rio de Janeiro e em Brasília. No Sul, nosso data center está em Florianópolis. No Nordeste, temos data center no Recife. No Centro-Oeste temos dois data centers: um ambiente cuida da região Norte e outro data center, que é o CNOS, opera em âmbito nacional e funciona também como Disaster Recovery", conta Sérgio Mafra, Líder de Inovação do ONS.
De acordo com ele, o ONS tinha uma demanda que seus clusters não poderiam atender simultaneamente. "Identificamos que existia essa solução na AWS e aderimos. Entendemos naquele momento que precisávamos ter uma grande capacidade instantânea de processamento, em um curto espaço de tempo para rodar muita coisa. O ONS começou a usar a cloud utilizando a gigantesca capacidade da AWS para processar modelos de previsão", conta Mafra, acrescentando que tais modelos de previsão são testados na cloud da AWS e rodam no data center do ONS.
O modelo de previsão do ONS denominado Newave é um programa mensal, que planeja a operação cinco anos a frente, levando em conta informações sobre períodos de chuva, vazões dos rios, situação econômica do país e a possibilidade de novas usinas entrarem em operação dentro desse período. "Esse modelo monta o cenário dos próximos anos e nos ajuda a pensar em como o ONS fará seu planejamento de energia diante de tal realidade." Com a adesão dos serviços da Amazon Web Services, não houve perda na latência e o nível de disponibilidade segue alto.
"No início do projeto, em 2012, houve todo um processo de quebra de paradigmas porque existia um conservadorismo forte dado a característica do setor elétrico. Mas quando a gente começou a mostrar os resultados, o uso da nuvem começou a ser visto com outros olhos", conta.
Hoje, rodando na cloud AWS, as simulações de planejamentos do ONS são 50% mais rápidas e a execução 30% mais barata.
“Aguardamos sempre o anúncio anual das máquinas para uso de HPC (High Performance Computing) pois já esperamos condições de rodar mais coisa em menor tempo”, detalha.
A implementação da nuvem proporciona ao ONS a realização do planejamento em casos de situações inesperadas. Tais casos, hoje estão chegando no tempo limite rodando em ambiente on premise, levando cerca de cinco horas para executar cada caso e, usando a nuvem da Amazon Web Services, estes serviços são executados simultaneamente, permitindo ter respostas em dois dias de processamento.
Como plano futuro está o projeto de implantar um data lake interno com informações de geração das usinas, focando na quebra de silos de informação e a junção de dados de operação e dos sistemas técnicos. O ONS vai iniciar sua jornada para a nuvem, fazendo uma junção de processamento on-premises e em nuvem.
* Tatiane Aquim é editora de conteúdo da DatacenterDynamics Brasil.
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