Segundo a Ciena, submergir data centers pode ter diversas vantagens. Dentre elas: ficar longe de jurisdições locais, além da segurança física devido ao difícil acesso. Também espaço geográfico combinado, já que metade da população mundial está localizada em média há 50 quilômetros da costa.
 
Desse modo, colocar data centers no mar reduziria a latência, o que significa simplesmente uma entrega mais rápida dos dados. Outra vantagem significativa, é a possibilidade real de reduzir o consumo de energia, já que o custo com ar condicionado é um dos pontos mais críticos na administração de um data center; estima-se que eles consumam até 3% da eletricidade do mundo. Desse modo, colocar data centers no oceano eliminaria a necessidade de refrigeração e cortaria altos custos com energia, necessários para arrefecer o calor gerado pelos racks e mais racks de servidores, que processam e armazenam a vida digital do mundo. 
 
Data centers submersos também possibilitariam o uso de energia renovável. Os engenheiros acreditam que, no futuro, data centers submarinos se alimentarão de energia renovável, talvez utilizando turbinas subaquáticas ou energia das marés para gerar eletricidade.
 
"Acredito que data center submerso pode sim acabar se tornando uma tendência em regiões e aplicações específicas, mas a implantação em larga escala está fora de cogitação, pelo menos neste momento", diz o diretor de tecnologia da Ciena na América Latina, Hector Silva, ressaltando que os data centers submersos não devem substituir os em terra completamente. "Eles são enormes em termos de tamanho por diversas razões relacionadas à energia, escalabilidade, manutenção, acessibilidade e atualizações; sem falar do impacto ambiental no fundo do mar. Os data centers sob o mar podem realmente ser essenciais em regiões específicas, atendendo aplicações táticas, que de fato devem estar localizadas muito próximas de centros populacionais", pontua.
 
Para a Ciena, se os data centers submarinos pudessem ser "pré-fabricados", com as práticas de implementação e padrões pré-definidos, a implantação e adoção seriam mais fáceis e rápidas. "Mas os desafios listados anteriormente ainda devem ser levados em conta, antes da tomada de decisão sobre um data center em terra ou submerso. Tendo todos os pontos equiparados, o custo total da propriedade pode ser o ponto decisivo da questão."
 
Impacto dos ICPs na quantidade de tráfego transportado por cabos submarinos
 
 
Os Internet Content Providers  (ICPs) têm um enorme impacto na quantidade de tráfego transportado por cabos submarinos. Embora a internet pública tenha usado por mais de uma década a maior parte da largura de banda em todo o mundo, uma importante mudança está em andamento. Redes privadas, lideradas por grandes ICPs, estão acrescentando capacidade em um ritmo mais rápido do que as operadoras tradicionais de backbone da internet. De acordo com a empresa de consultoria TeleGeography, a largura de banda das redes privadas ao longo do corredor transatlântico, que liga a América do Norte à Europa, excedeu pela primeira vez a largura de banda da internet em 2014. A previsão é que até 2019 as redes privadas sejam responsáveis pela maior porção de uso da largura de banda globalmente.
 
Soluções de transporte ótico
 
A Ciena oferece soluções de transporte ótico, comutação de pacotes e software que atualmente interconectam data centers, por meio de redes implantadas tanto por via terrestre quanto submarina. 
 
As tecnologias GeoMesh e WaveLogic da Ciena vêm promovendo uma transformação na indústria de cabo submarino a partir das tecnologias legadas de 2,5 Gb/s e 10 Gb/s para tecnologias coerentes de 100 Gb/s WDM, e agora visando capacidades maiores. Essa mudança permitiu aumentos significativos nas capacidades finais de cabos existentes e novos, bem como upgrades mais econômicos e rápidos. A arquitetura GeoMesh da Ciena visa unificar redes submarinas, terrestres e em nuvem para um mundo em escala Web, além de alavancar múltiplas tecnologias para criar soluções de rede global integradas, que atendam às necessidades de conectividade globais atuais e futuras.
 
"Embora ainda estejam em fase de desenvolvimento, é certo dizer que nossas soluções de conectividade de rede podem ser incorporadas a data centers submarinos, semelhantes às nossas soluções de conectividade, usadas nos data centers em terra. Os novos desafios estão relacionados ao acondicionamento e ao ambiente (temperatura, umidade) dentro de data centers fechados no fundo do mar. Essas são áreas em que temos grande experiência e poderemos realizar esta aplicação, partindo do princípio de que ganhe relevância", afirma.
 
Microsoft
 
Até hoje, a única empresa a ousar neste sentido foi a Microsoft, que recentemente instalou um data center do serviço de nuvem Azure, em funcionamento, no fundo do mar.
 
Intitulado "Projeto Natick", o site foi mantido a dez metros abaixo d´água, na costa da Califórnia, por 108 dias. 
 
Segundo a Microsoft, tudo ocorreu como era esperado, sem qualquer tipo de problema, de forma segura e viável. O sistema foi equipado com diversos sensores de temperatura, pressão, umidade e trepidação.