Nessa entrevista com Lissandro Silva, Diretor de Operações da Planem Engenharia, realizada pela DCD o executivo destaca como a integração do ciclo completo, a manutenção preditiva 24/7, a experiência em grandes projetos e a adoção de inovações tecnológicas contribuem para maior disponibilidade, segurança e eficiência em seus empreendimentos.
1. De que forma a integração do ciclo completo — da instalação à manutenção — impacta na eficiência e na segurança das operações da PLANEM?
A integração do ciclo completo — da concepção e instalação à operação e manutenção — é o que nos permite unir eficiência e segurança em um único fluxo de valor. Na PLANEM, começamos antes do CAPEX: atuamos na conceituação técnica, avaliando o TCO (Total Cost of Ownership), a acessibilidade para manutenção, a padronização de componentes e os riscos operacionais. Isso garante que a solução já nasça manutenível, segura e economicamente sustentável.
Durante a execução, reduzimos interfaces e ruídos de comunicação ao assumir a responsabilidade ponta a ponta. Projetamos, instalamos e comissionamos com os mesmos padrões que usaremos para manter, o que significa documentação única, rastreabilidade completa de ativos e dados consistentes desde o primeiro teste até a operação. Na prática, isso se traduz em tempos de resposta menores, estoque de sobressalentes otimizado e intervenções mais rápidas e assertivas.
No dia a dia, a manutenção preventiva e preditiva é suportada por medições e análises específicas de sistemas elétricos (termografia, qualidade de energia, ensaios de isolação), somadas a um CMMS para planejamento, rastreabilidade e melhoria contínua. Assim, aumentamos a disponibilidade dos ativos e estendemos sua vida útil, reduzindo MTTR e elevando MTBF com base em dados, não em suposições.
Em segurança, operamos sob os pilares da NR-10 e das normas ABNT aplicáveis (como NBR 5410, NBR 14039 e NBR 5419), com procedimentos formais de LOTO, APR e Permissão de Trabalho, além de capacitação contínua da equipe e auditorias internas. Como projetamos pensando na manutenção, mitigamos riscos desde o layout (acessos, segregação, redundância, bloqueios) e mantemos uma cultura de prevenção ativa e documentada.
O resultado é simples de perceber: menos paradas não programadas, maior confiabilidade e uma experiência mais segura para todos os envolvidos — com um único parceiro responsável por todo o ciclo. Nossa longevidade no mercado reflete esse compromisso: relacionamentos de longo prazo baseados em confiança, qualidade e desempenho mensurável para os clientes.
2. Como a manutenção preditiva 24/7 contribui para evitar as falhas e aumentar a vida útil das estruturas críticas? E, que papel joga a equipe da Planem neste processo?
Em sistemas críticos, disponibilidade e segurança não admitem improviso. Por isso, manter uma equipe 24/7 especializada em manutenção preventiva e preditiva é decisivo para evitar paradas não programadas e proteger o negócio.
Manutenção preditiva, em termos simples, significa prever falhas antes que ocorram. Fazemos isso combinando monitoramento contínuo e análise de dados para intervir no momento certo — nem cedo demais (desperdício), nem tarde demais (interrupções e riscos). No contexto elétrico, isso inclui termografia infravermelha, análise de qualidade de energia, ensaios de isolação, ultrassom para efeitos corona/descargas, análise de óleo e DGA em transformadores, além do acompanhamento de temperatura, corrente e vibração quando aplicável. O resultado prático é maior disponibilidade, vida útil estendida dos ativos e custos mais previsíveis ao longo do ciclo de vida.
A Planem atua como parceiro de alta confiabilidade na implementação completa desse modelo: projetamos e instalamos pensando na manutenibilidade, implantamos sistemas de monitoramento e gestão de ativos (CMMS), definimos criticidade por equipamento, configuramos alarmes e janelas de manutenção, e organizamos o estoque de sobressalentes críticos. Em operação, nossa equipe 24/7 responde com procedimentos padronizados, documentação única e indicadores claros (disponibilidade, MTBF, MTTR, taxa de retrabalho).
Com foco nesse mercado, criamos a Planem Assistance, nossa vertical especializada em operação e manutenção de sistemas críticos, como data centers e hospitais. Ela oferece cobertura 24/7, SLA aderente ao negócio, equipes certificadas e integração total de dados desde o comissionamento. Na prática, isso significa intervenções mais rápidas e assertivas, menos paradas não programadas e uma experiência mais segura para todos os envolvidos — com um único responsável do projeto à operação.
3. Quais são os maiores desafios e lições aprendidas na execução de projetos de grande porte como mobilidade urbana e geração? Essa experiência de alguma forma os influencia nos projetos atuais?
Projetos de grande porte — como mobilidade urbana e geração de energia — testam o limite da engenharia, da logística e da segurança. Os maiores desafios que enfrentamos costumam estar em cinco frentes:
Gestão de interfaces entre muitos atores (cliente, concessionárias, fabricantes e integradores), execução em ambientes “vivos”, com janelas reduzidas e tolerância zero a indisponibilidade, cadeia de suprimentos crítica, em especial para equipamentos de longa reposição, comissionamento e aceitação técnica (FAT/SAT) sem retrabalho, segurança e conformidade rigorosas (NR-10, NR-35, procedimentos LOTO/APR/PT) do primeiro dia ao start-up.
As principais lições aprendidas que transformamos em prática são:
Planejamento orientado a risco e gestão de mudanças: EAP/WBS robusta, análises RAMS e FMEA para antecipar falhas e proteger o caminho crítico, padronização e modularização: painéis, cabines e skids pré-comissionados para reduzir janelas de corte e acelerar start-up, governança e gestão de interfaces: ritos claros, matrizes de responsabilidade e comunicação integrada entre engenharia, suprimentos e campo, qualidade e comissionamento “sem surpresa”: checklists de QA/QC, FAT/SAT estruturados e testes integrados antes de energização, segurança como valor inegociável: cultura de permissão de trabalho, bloqueio e etiquetagem, treinamentos recorrentes e auditorias em campo, dados para operação: documentação as built, cadastro de ativos e integração com CMMS, viabilizando manutenção preventiva e preditiva desde o dia 1.
Como isso influencia os projetos atuais? Toda essa experiência se converteu em métodos e ferramentas que aplicamos em cada contrato — do CAPEX ao OPEX. Projetamos pensando na manutenção (design for maintainability), selecionamos tecnologias e fornecedores com foco em confiabilidade e disponibilidade, utilizamos planejamento de suprimentos com contingências para itens críticos e conduzimos comissionamentos que encurtam a curva de ramp-up. Resultado: mais previsibilidade de prazo, segurança elevada, menor custo total de propriedade e operações com disponibilidade superior.
Com 51 anos de atuação, a Planem consolida essas lições em parcerias de longo prazo, entregando obras que entram em operação de forma segura e permanecem confiáveis ao longo do ciclo de vida.
4. Quais são os indicadores de desempenho da Planem para avaliar os projetos de subestações e infraestruturas elétricas? E quais são os principais desafios técnicos na implantação de subestações de 500 kV?
Perseguimos indicadores que conectam execução a valor percebido pelo cliente: segurança, prazo, qualidade técnica, disponibilidade e custo de ciclo de vida. Medimos segurança por taxa de acidentes (IFR/LTIFR) e desvios zero em Permissão de Trabalho. Prazo e custo são acompanhados por controle de valor agregado (SPI/CPI) e entrega no prazo (OTD). A qualidade aparece no “first pass yield” de comissionamento (FAT/SAT aprovados na primeira passagem), no índice de não conformidades por plano de inspeção e teste e na rastreabilidade metrológica. A operação é avaliada por disponibilidade do ativo e indisponibilidade forçada, MTBF/MTTR de equipamentos críticos, níveis de descargas parciais e DGA em transformadores, integrando dados do SAS/IEC 61850 e do sistema de gestão de manutenção (CMMS). Também acompanhamos a integridade ambiental (vazamento de SF6 e contenção de óleo) e o TCO previsto versus realizado ao longo do primeiro ciclo de manutenção. O resultado é simples: subestações que entram em operação na primeira energização, com segurança, dentro do prazo e com desempenho sustentável ao longo da vida útil.
Em 500 kV, os desafios técnicos começam pela coordenação de isolamento e controle de sobretensões de manobra, exigindo especificação correta de para-raios, manobra segura de reatores shunt (com resistores de pré-inserção quando aplicável) e disjuntores capazes de suportar TRV. A configuração da barra (disjuntor e meio, anel ou barra dupla) precisa equilibrar confiabilidade, N-1, manutenibilidade e CAPEX, enquanto o aterramento deve atender a limites de passo e toque com solos muitas vezes heterogêneos. Em proteção e controle, a integração em IEC 61850 (níveis estação e processo), sincronismo de tempo via PTP, redundância de redes, teleproteção e cibersegurança elevam a complexidade dos ensaios de ponta a ponta. Soma-se a isso a logística de grandes equipamentos (transformadores e reatores), civil com grandes vãos e esforços de vento, mitigação de corona/ruído audível e a necessidade de comissionamento rigoroso (tan-delta, SFRA, TTR, resistência de contato, ensaios de isolação e testes funcionais). A experiência da Planem mitiga esses riscos com modelagem de transitórios eletromagnéticos, engenharia de detalhes orientada à construção, janelas de corte curtas e cronograma de comissionamento integrado ao ONS/órgão local, entregando dossiê “as built” digital e planos de manutenção preditiva desde o dia zero. É assim que transformamos complexidade em disponibilidade e previsibilidade para nossos clientes.
5. Como a Planem se adapta e se alinha às exigências ambientais e regulatórias em seus projetos?
Na Planem, conformidade ambiental e regulatória não é etapa final: ela nasce com a engenharia. Desde a concepção, mapeamos todas as exigências legais e condicionantes — licenças prévias, de instalação e de operação, estudos ambientais e autorizações específicas — e as incorporamos ao cronograma, ao orçamento e ao plano de comissionamento. Esse “compliance by design” evita retrabalhos, reduz o risco de embargo e dá previsibilidade a prazos e custos, algo essencial em ativos elétricos que precisam entrar em serviço com segurança e disponibilidade desde o primeiro dia.
Operamos com um sistema de gestão integrado certificado (qualidade, meio ambiente e segurança) e aplicamos normas e procedimentos do setor elétrico e da construção que ancoram a execução: requisitos de ANEEL e PRODIST, Procedimentos de Rede do ONS, diretrizes dos órgãos ambientais (IBAMA e secretarias estaduais/municipais), normas ABNT aplicáveis a instalações elétricas, aterramento, SPDA, ruído e efluentes, além das NRs de segurança do trabalho em serviços com eletricidade, altura e espaços confinados. Na prática, isso se traduz em projetos e memoriais que já saem compatibilizados com as condicionantes, canteiros preparados para atendimento ambiental e um pacote de dossiês técnicos e legais pronto para auditorias e vistorias.
Nosso enfoque em subestações e infraestrutura elétrica combina controle técnico com responsabilidade ambiental. Gerimos SF6 com inventário, rastreabilidade por cilindro, recuperação a vácuo, ensaios de estanqueidade e meta de taxa de vazamento mínima, além de treinamento específico de equipes e fornecedores. Para equipamentos com óleo isolante, dimensionamos bacias de contenção, separadores água-óleo e planos de resposta a emergências, sempre com destinação e manifesto de resíduos conforme legislação. Reduzimos emissões e impactos de obra ao adotar pré-fabricação onde aplicável, otimização logística, canteiros eficientes em energia, iluminação LED, controle de poeira e ruído com monitoramento instrumental e comunicação transparente com comunidades do entorno. A gestão de resíduos segue plano específico com triagem, reaproveitamento e logística reversa de materiais como baterias, lâmpadas, cabos e óleos; áreas intervenientes são recuperadas com PRAD ao final.
Do ponto de vista regulatório, trabalhamos com linha de base clara de condicionantes e marcos de licenciamento, conduzimos due diligence fundiária e ambiental antes da mobilização, usamos BIM/4D e georreferenciamento para evitar áreas de restrição e APPs, e mantemos um calendário de entregáveis legais integrado ao cronograma executivo. Auditorias internas e de terceiros, checklists de campo e painéis digitais de indicadores dão visibilidade contínua de conformidade, enquanto planos de treinamento garantem que equipes próprias e subcontratadas apliquem os mesmos padrões. No comissionamento, a documentação “as built” digital e os registros ambientais são entregues junto com os relatórios de testes e planos de manutenção, assegurando que a operação comece já em conformidade e permaneça assim no ciclo de vida.
O resultado é simples e mensurável: projetos que chegam à energização com licenças vigentes, condicionantes atendidas, controles ambientais operando e riscos reduzidos; operações com menor indisponibilidade por causas ambientais, custos previsíveis e melhor percepção das partes interessadas. Em outras palavras, transformamos exigências ambientais e regulatórias em vantagem competitiva para nossos clientes, entregando ativos mais seguros, sustentáveis e prontos para performar.
6. Quais tendências e inovações tecnológicas a Planem incorpora nos projetos de geração, transmissão e distribuição de energia?
Na Planem, inovação é meio para elevar disponibilidade, segurança, conformidade e retorno ao longo do ciclo de vida do ativo — não vitrine. Priorizamos tecnologias comprovadas em campo, interoperáveis e alinhadas à ONS, ANEEL e às normas ABNT, com foco em reduzir prazos de energização, melhorar a qualidade de energia e otimizar o custo total de propriedade em geração, transmissão e distribuição.
Em geração, integramos plantas híbridas (solar, eólica e armazenamento) com controladores de planta que respeitam limites de rampa e código de rede, reforçados por previsão de produção e analytics para minimizar vertimentos. Aceleramos comissionamento com testes em bancada e hardware-in-the-loop, e elevamos disponibilidade com manutenção preditiva apoiada por gêmeos digitais: monitoramento online de transformadores, análise de vibração e descargas parciais, e avaliação de estado de saúde de inversores e BESS.
Em transmissão, adotamos subestações digitais IEC 61850 com Process Bus, PTP (IEEE 1588) e redes redundantes PRP/HSR, reduzindo cablagem, pontos de falha e tempo de comissionamento. Incorporamos WAMPAC com PMUs para consciência situacional e proteção adaptativa, STATCOM/SVC para estabilidade, condutores HTLS e classificação dinâmica de linhas para ampliar capacidade, além de LiDAR, drones e modelagem 3D para inspeção e planejamento. Na distribuição, implementamos ADMS integrado a OMS e AMI, FLISR, VVO/CVR e DERMS para orquestrar DERs, habilitar microgrids com ilhamento seguro, black-start e re-sincronização, e gerir qualidade de energia com monitoramento contínuo e filtros ativos.
Digitalizamos fim a fim com BIM 4D/5D, módulos/skids pré-fabricados, realidade aumentada e comissionamento paperless que integra o as-built e o dossiê técnico. Cibersegurança é requisito de engenharia: segmentação, zero trust, hardening de IEDs, IEC 62351 e ciclo de vida ISA/IEC 62443 com resposta a incidentes. A sustentabilidade está embutida: gestão rigorosa de SF6 e alternativas de baixo GWP, contenções água-óleo, logística reversa e materiais de menor pegada. O resultado: energização mais rápida, maior disponibilidade e qualidade, integração previsível de renováveis, operação resiliente e conformidade contínua com ONS, ANEEL e ABNT.
7. Falando do futuro, como a Planem se vê dentro de cinco anos? Quais são os planos para expandir sua atuação no setor elétrico a médio e longo prazo?
A Planem nasceu e evoluiu com uma visão de longo prazo: mais de meio século dedicados ao setor elétrico, sempre orientados à perpetuidade do negócio e à entrega consistente de disponibilidade, segurança e conformidade. Nossa trajetória começou em instalações elétricas e hidráulicas para ambientes de missão crítica, o que moldou uma cultura de engenharia rigorosa, procedimentos sólidos e tomada de decisão baseada em risco — fundamentos que seguimos aplicando em cada projeto.
A partir desse legado, estruturamos duas unidades de negócio complementares. A Planem Assistance é dedicada à operação e manutenção de sistemas de missão crítica — como data centers e hospitais — onde indisponibilidade não é opção. Aliamos equipes altamente qualificadas, processos padronizados e resposta ágil para sustentar continuidade operacional, integridade dos ativos e qualidade de energia, com foco em previsibilidade, segurança e redução de perdas.
A Planem Energia concentra engenharia, projetos, construção, fornecimento e instalação de sistemas de alta tensão, atendendo geração, transmissão e distribuição, além de indústrias e mobilidade urbana. Entregamos soluções de ponta a ponta — incluindo subestações e integração de fontes — com aderência desde a concepção às exigências de ONS, ANEEL e normas ABNT, prazos controlados e documentação técnica robusta. Com um pipeline consistente e um mercado que demanda parceiros sólidos, estamos preparados para escalar com qualidade e confiabilidade, atuando inclusive em empreendimentos até 500 kV e formando parcerias duradouras com os principais players de infraestrutura.
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