Nos últimos anos, o conceito de ESG ganhou uma relevância significativa, assumindo uma posição prioritária na estratégia de muitas organizações brasileiras. A crescente percepção acerca das consequências ambientais, sociais e relacionadas à governança corporativa tem impulsionado essa transformação, juntamente com as normas regulatórias governamentais e as exigências dos investidores e consumidores por uma maior responsabilidade empresarial.
Com um olhar atento sobre esses avanços, queremos explorar o progresso alcançado nos últimos anos. Será que as empresas brasileiras estão realmente adotando práticas mais sustentáveis e alinhadas com os princípios do ESG? Quais são os principais indicadores desses avanços e como eles estão impactando o cenário empresarial?
Caroline Capitani, como VP de Inovação da Ilegra, possui uma ampla experiência no setor e está imersa nas discussões sobre inovação, sustentabilidade e responsabilidade corporativa. Nesta entrevista, ela compartilhará suas percepções e conhecimentos sobre o panorama atual do ESG no Brasil, destacando os principais avanços, os desafios enfrentados pelas empresas e as oportunidades de transformação que essa abordagem oferece. Confira!
Como você descreveria o panorama atual do ESG nas empresas brasileiras? Existem avanços em relação aos últimos cinco anos?
O panorama atual do ESG nas empresas brasileiras tem demonstrado avanços significativos nos últimos anos. O conceito de ESG ganhou maior relevância e tornou-se uma prioridade para muitas organizações, impulsionado pela crescente conscientização sobre os impactos ambientais, sociais e de governança corporativa. Além disso, muitos órgãos reguladores e representantes setoriais como CVM, SUSEP, BACEN e B3 estão revisando e incorporando novas práticas e regras. O ranking de Melhores e Maiores Empresas da Revista Exame mudou em 2021 e passou a adotar critérios de ESG.
As previsões mostram que 40% das organizações considerará a sustentabilidade como uma das três principais prioridades de negócios até 2025, de acordo com o Gartner. No aspecto ambiental, as empresas brasileiras têm se engajado cada vez mais em iniciativas de sustentabilidade, adotando práticas de gestão ambiental, redução de emissões de carbono, conservação de recursos naturais e investimento em energias renováveis. Muitas empresas também têm buscado certificações e selos ambientais para comprovar seu comprometimento com a preservação do meio ambiente.
No âmbito social, as empresas estão focando em questões relacionadas à diversidade e inclusão, equidade de gênero, direitos humanos e responsabilidade social corporativa. Programas de responsabilidade social, investimento na comunidade local e adoção de políticas inclusivas têm se tornado mais comuns nas empresas brasileiras.
Quanto à governança corporativa, as empresas têm aprimorado seus mecanismos de transparência, ética e responsabilidade nas tomadas de decisão. Muitas estão fortalecendo seus conselhos de administração, implementando códigos de conduta e adotando práticas de governança que visam garantir a prestação de contas, gestão de riscos e transparência nas informações financeiras.
Esses avanços são impulsionados por diversos fatores, como pressão dos investidores, demanda dos consumidores por empresas mais sustentáveis, riscos associados às mudanças climáticas e regulamentações governamentais mais rigorosas.
No entanto, apesar dos avanços, ainda há desafios a serem superados. Algumas empresas ainda enfrentam dificuldades na implementação efetiva de políticas e práticas de ESG, especialmente em relação à mensuração e divulgação de informações relevantes. Além disso, a falta de padronização e transparência nos relatórios de ESG pode dificultar a comparação entre empresas e a avaliação de seu desempenho. Percebe-se uma maior dificuldade em empresas de pequeno e médio porte fazerem movimentos de adoção de práticas de ESG e/ou iniciativas relevantes relacionadas ao tema.
No geral, podemos dizer que as empresas brasileiras estão caminhando em direção a uma maior adoção e integração de práticas de ESG em suas operações. Os avanços nos últimos cinco anos refletem uma mudança significativa de mindset e uma maior compreensão da importância de considerar os impactos ambientais, sociais e de governança na criação de valor de longo prazo.
Na sua visão, como a tecnologia, incluindo a inteligência artificial, tem se mostrado uma aliada da sustentabilidade nas empresas?
Quando pensamos em tecnologia, é importante destacá-la como uma das principais impulsionadoras do movimento, especialmente na era de dados que estamos vivendo. Recentemente, li sobre o “T” que falta na sigla, porém, prefiro observar sob a ótica da abundância: o “T” que estimula o ESG. A tecnologia pode derrubar barreiras sociais, mas também pode exacerbar a desigualdade e a discriminação se não for usada com sabedoria.
Sabemos que a tecnologia pode, por exemplo, facilitar a identificação de comportamentos discriminatórios e combatê-los, por meio da Inteligência Artificial (IA), ajudando a superar preconceitos, em vez de perpetuá-los, com a orientação dos humanos que projetam, treinam e refinam seus sistemas.
Ao pesquisar, investigar e explorar mais detalhes sobre tecnologia e ESG, identifiquei uma série de casos de usos reais ou de possíveis aplicabilidades. Em sustentabilidade, a IA pode ser usada para monitorar mudanças climáticas, otimizar os serviços de água e saneamento, além de gerenciar e resolver os problemas de transporte e mobilidade. Existem vários casos de uso da tecnologia IoT em sustentabilidade, que vão desde auxiliar na adoção de práticas que minimizem o desgaste e o uso de combustível, otimizando a gestão de tráfego e rotas, até rastrear e medir relatórios de economia circular.
Quais soluções tecnológicas disponíveis atualmente são mais indicadas para impulsionar práticas sustentáveis nas organizações?
As empresas possuem o desafio de desenvolver a cultura interna dos colaboradores para a temática do ESG. A solução DoGood é um ótimo exemplo, já que é um software que impulsiona e engaja todos os colaboradores na estratégia de ESG do negócio. A DoGood foi uma das soluções expostas no Web Summit Lisboa, no rol de startups vinculadas à sustentabilidade. Durante o Web Summit Rio estas soluções também tiveram um destaque especial.
No mercado é possível identificar tecnologia para a sustentabilidade, ou seja, tecnologias avançadas para medir, reduzir e remover impactos; criação de cadeias de valor responsáveis; construção de organizações sustentáveis. Também identificamos tecnologia sustentável que visa proporcionar uma maior eficiência energética em todas as fases do ciclo de vida do desenvolvimento de software; experiência digital; priorização de privacidade, imparcialidade, robustez e acessibilidade. Assim como escala para soluções sustentáveis que são inovações revolucionárias em colaboração com parceiros do ecossistema haja visto que as empresas devem agir para além de suas fronteiras.
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