Conteúdo Arquivado

O conteúdo a seguir é de uma versão mais antiga deste site e pode não ser exibido corretamente.
Sem contar com as Olimpíadas de 2016 o Brasil deverá ter 4 milhões de turistas, entre nacionais e estrangeiros durante a Copa do Mundo de 2014. Mas como receber todos esses turistas de forma segura e confortável? Essa é a pergunta que o governo ainda não consegue responder de maneira convincente.
 
O país causa preocupação a FIFA, entidade máxima do futebol mundial, porque ainda não tem uma oferta consistente para conexão de quarta geração e ainda enfrenta problemas de infraestrutura no 3G.
 
A promessa do Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo é de que a implantação da rede de fibra ótica e da tecnologia 4G seja feita até dezembro nas 12 cidades-sedes do evento.                                                                                  
O governo entende a responsabilidade e por isso, há menos de 500 dias para Copa do Mundo intensifica o trabalho para implantar a rede de telecomunicações que vai atender o maior evento de futebol do planeta.            
 
A estimativa é de que a final da copa seja assistida por cerca de um bilhão de pessoas no mundo inteiro. A interligação que já foi feita para a Copa das Confederações nas seis cidades-sede do evento (Rio, Belo Horizonte, Salvador, Brasília, Fortaleza e Recife) conecta as capitais através de redes de fibra óptica, o que já estava previsto pelo Plano Nacional de Banda Larga do Governo Federal criado em 2010.
 
O desafio do Brasil é fazer da Copa do Mundo de 2014 o Mundial multimídia, já que as últimas Copas tinham um perfil de uso de voz e de dados em segunda geração e esta será a primeira edição com uso de redes de terceira e quarta geração. A promessa é de que haverá centenas de milhares de dispositivos sem fio, operando ao mesmo tempo e no mesmo local. Um grande número de espectadores e profissionais fazendo chamadas de voz, compras, enviando fotos, vídeos e textos, além das equipes de mídia transmitindo os jogos para o mundo inteiro. Tudo isso deve colocar o Brasil na vanguarda da telefonia da América Latina.
 
De acordo com Flávio Marques, Gerente de Data Center da Furukawa, o trabalho foi duro, mas tudo ainda é muito novo, a demanda muito grande, cada estádio tem as suas particularidades e o tempo para testes muito curto, por isso, no que tange a geração a “prova de fogo” só se realizará no próprio mundial. Segundo ele, cada estádio vai receber duas estruturas de fibra ótica, se uma não funcionar a outra estará pronta para transmitir imagens e dados. O estádio vai fazer parte de uma rede metropolitana de comunicações que inclui: centrais de venda de tickets, centros de treinamentos e hotéis. Essa estrutura vai existir em cada uma das 12 sedes. Somadas as redes das capitais chegam a 1.200 km de extensão. 
Para cumprir as exigências da FIFA, de que as cidades-sede tenham infraestrutura suficiente para geração de imagens, estima-se um investimento de 64 milhões, entre o setor público e privado, na construção de redes móveis 4G, no crescimento das redes de fibra ótica e na expansão da capacidade de satélites.                                                                                                          
O Ministro das Comunicações, promete que todos os investimentos em infraestrutura, que estão sendo implementados, vão ser usados depois pelo país. Segundo ele, toda essa modernização já estava planejada e só veio a coincidir com os grandes eventos que o país vai sediar. Paulo Bernardo diz que o Brasil utilizará essa infraestrutura pelos próximos 15 anos.                       
 
No entanto, de acordo com o Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia o país não tem condições de cumprir o estabelecido pela FIFA e instalar a tecnologia 4G em todas as cidades-sede e consequentemente em todo país, já que segundo o Sinditelebrasil a faixa de frequência da tecnologia 4G, que vai ser usada no Brasil não é compatível com a maioria dos países da Europa, da Ásia e dos Estados Unidos. Assim, a maioria dos turistas estrangeiros não poderão contar com o 4G em seus celulares e modems que tenham a tecnologia e serão obrigados a utilizar o 3G. O brasileiro que comprar aparelhos celulares que comportem a tecnologia no Japão, Estados Unidos, Espanha ou Inglaterra, por exemplo, não terão acesso ao sinal 4G brasileiro.   
 
Até o momento a nova tecnologia que promete velocidade de transmissão de dados até dez vezes superior a do 3G tem alto custo, é compatível com poucos celulares e disponível em poucas regiões de algumas cidades. Entraves como esses impedem o governo de garantir, até o momento, que o torcedor vai poder assistir a um vídeo em alta definição no celular sem travar e baixar arquivos com mais rapidez dentro e fora dos estádios.                                                                                              
Para conseguir cumprir a exigência da FIFA, o Brasil tem que transpor obstáculos e agilizar as licenças para realizar o escoamento das infovias, obter autorização dos prefeitos para implantação de antenas nas cidades e contar com a ajuda das operadoras de telefonia, que por sua vez devem aumentar sua capacidade de tráfego, disponibilizar aparelhos compatíveis e reduzir o valor de custo para democratizar o acesso.                                                                                             
 
Na Copa das Confederações, evento-teste para o Mundial, realizado no mês passado, os torcedores não tiveram acesso total a rede 4G nos estádios. As empresas alegam que encontraram dificuldades para a instalação das torres necessárias para o funcionamento total da rede 4G, já que o Brasil opera em uma  frequência diferente de outros países, o que exige um maior número de torres de conexão.                    
Segundo balanço da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) o Brasil possui 14,7 mil linhas móveis habilitadas em 4G (tecnologia LTE), o que representa 0,01% do total. De acordo com o levantamento, a tecnologia 2G  possui maior participação com 188,515 milhões de acessos (71,39% do total). A tecnologia WCDMA, que é 3G, tem 61,303 milhões de acessos (23,22%). Outros 83,326 mil acessos pertencem à tecnologia CDMA, também 3G.       
Sobre o risco de frustração dos turistas estrangeiros, cujos celulares não navegam na faixa leiloada de 2,5 gigahertz (GHz), o ministro recomenda que "pelos altos custos do roaming internacional, é mais aconselhável comprar um chip quando chegar ao Brasil e não gastar com tarifas extras ou adequações de aparelhos", justifica.                                       
 
O Presidente da Anatel João Rezende diz que estimativa é de que sejam vendidos no país, até o fim do próximo ano, 4 milhões de celulares da onda GHz; a tendência, segundo ele, é de surgirem novos modelos adaptados à realidade nacional ou capazes de navegar em qualquer faixa.                                                 
Já a faixa de 700 megahertz (MHz), amplamente utilizada no exterior e que estava prevista para ser liberada até a Copa do Mundo de 2014, teve o leilão adiado para janeiro do próximo ano e só deve ser aberta em 2015. O atraso aconteceu porque ela ainda está ocupada pela tv analógica.                                                          
Diante das previsões dadas pelas autoridades brasileiras para implantação de uma efetiva tecnologia de quarta geração no país, o diretor de comunicação da FIFA Walter de Gregorio, durante encontro com correspondentes da mídia estrangeira no Rio de Janeiro, na última semana, deu a seguinte declaração: "A única coisa que podemos fazer é acreditar no que diz o governo, que haverá tecnologia 4G. De nosssa parte, temos que ter paciência."