Há mais de 20 anos no mercado, a Mendes Holler (MH) vem projetando, construindo e reformando data centers pelo Brasil independente do porte, assumindo todas as etapas e disciplinas necessárias, desde o conceito inicial de um novo data center até sua implantação e aprovação nos órgãos legais e certificadores.
"Além da Ascenty, entre os clientes de data center da Mendes Holler figuram empresas como Locaweb, NIC.br, CenturyLink, Sabesp, TIVIT, Prodesp, Globenet e outros", lista o novo CEO Renan Lima Alves. Executivo internacional, que trabalha desde 2006 no mercado de engenharia e tecnologia, Renan é gaúcho, atuou por cinco anos na Stemac Grupos Geradores e por oito na Kinolt (antiga EURO-DIESEL), fabricante belga de UPS dinâmicas. Na Kinolt, foi responsável pela startup da filial brasileira, como CEO, transformando-a em uma empresa líder de mercado. Assumiu os cargos de CEO da América Latina e, por último, de CEO das Américas. Clientes em comum e uma parceria sólida entre a Kinolt e a Mendes Holler, fizeram com que Eduardo Mendes, proprietário da Mendes Holler, convidasse Renan para liderar o time da sua empresa. O executivo está na companhia desde agosto de 2019. Em entrevista, o novo CEO da Mendes Holler fala sobre o atual momento do mercado brasileiro de data center.
DatacenterDynamics: Quais são as responsabilidades de assumir o cargo de CEO da Mendes Holler?
Renan Alves: A Mendes Holler (MH) é uma empresa de 27 anos, fundada por Eduardo Mendes e, embora seu DNA seja em projetos elétricos, a empresa tem um escopo bem amplo de trabalho. A MH atua em diversas disciplinas, que vão desde de um projeto conceitual até a execução e operação de fábricas, hospitais, data centers e demais indústrias que requerem atenção especial, seja por suas complexidades, tecnologias ou criticidades.
A filosofia que Eduardo e a diretoria da MH cultivaram na empresa foi sempre de trabalhar em parceria com seus clientes, com foco em relacionamento de longo prazo e não em oportunidades pontuais. Assim, a MH desenvolveu a cultura de elaborar projetos a “quatro mãos” com seus clientes. Se adaptar às necessidades específicas de cada cliente, de cada obra, entendendo quais critérios de fato geram valor e competitividade e não somente custo. Afinal de contas, cada empresa e cada projeto são únicos, mesmo que dentro da mesma indústria, não é mesmo? Um data center de colocation focado em wholesale tem necessidades muito distintas de um com foco em retail, embora ambos estejam no mesmo mercado.
A cultura de cada empresa também é única, acionistas tem objetivos diferentes, estratégias diferentes, ambições diferentes e cada projeto deve ser concebido de forma única. Como consequência, a MH consegue gerar mais valor e competitividade para seus clientes que, em contrapartida, elegem a empresa para seus futuros projetos.
Foi dessa forma, com essa cultura de parceria e com o aquecimento do mercado de data centers que a Mendes Holler se desenvolveu fortemente, pois cresceu junto de seus clientes, como Locaweb, Ascenty, TIVIT, Nic.br, CenturyLink e outros. Somente neste ano, a Mendes Holler já entregou oito data centers de grande porte para a Ascenty!
Como pode imaginar, a Mendes Holler cresceu muito. Eduardo tem uma visão muito focada no futuro, se preocupa muito com a perpetuidade de sua empresa, com o futuro dos profissionais que construíram essa história junto dele, com o futuro de seus clientes e, por essa razão, me convidou para dar seguimento a essa história de sucesso. Assim, Eduardo se afastará das operações do dia-dia para assumir o posto de Presidente do Conselho. O objetivo da minha entrada na Mendes Holler como CEO é traçar e implementar estratégias de longo prazo, profissionalizá-la cada vez mais, buscar as melhores práticas e tecnologias disponíveis no mercado, investir em nossos profissionais e reter talentos para seguirmos gerando valor para nossos clientes e, assim, seguirmos construindo o futuro.
DCD: Como foi feito o trabalho com a Ascenty?
DCD: Acredito que o nosso maior case de sucesso seja a Ascenty, uma startup brasileira, fundada em 2011 por Chris Torto e uma equipe fantástica de executivos. A Ascenty foi criada do zero absoluto, e por meio de um crescimento essencialmente orgânico conseguiu se tornar a maior empresa de data center da América Latina. Recentemente, foi comprada por aproximadamente US$ 1,8 bilhão pela Digital Realty (uma das maiores empresas de data centers do mundo), em parceria com a Brookfield Infrastructure (uma das maiores proprietárias e operadoras de ativos de infraestrutura globais).
Fazer parte dessa história nos honra muito, porque a Ascenty é uma empresa de origem nacional, extremamente enxuta, que detém uma equipe extremamente capacitada, arrojada e competente, possui forte governança corporativa, processos claros e estruturados e que sempre cresceu vertiginosamente, apesar das crises econômicas do Brasil. Com exceção da primeira fase do data center de Campinas, a Mendes Holler participou da construção de todos seus 18 data centers, todos de grande porte e construídos em apenas nove meses – entre projeto e comissionamento.
É uma empresa focada exclusivamente no mercado privado de wholesale data center, que não tem medo de arriscar, buscar soluções e alternativas para conseguir alcançar ambiciosas metas. Nós aprendemos muito com eles e temos muito orgulho de fazer parte dessa história.
DCD: Como a Mendes Holler define o atual momento do mercado de data center no Brasil?
R. A.: O mercado brasileiro de data centers está em forte crescimento e é promissor para os próximos 10 anos. Somente em 2019, a Mendes Holler terá construído mais de 115 MVA de infraestrutura para data centers no Brasil!
Como sabemos, os data centers são as estruturas que possibilitam o desenvolvimento de todas tecnologias digitais que estão transformando o mundo, a vida das pessoas e a sociedade em que vivemos. Estamos em pleno crescimento da Computação em Nuvem, Internet das Coisas, Big Data, Analytics, Indústria 4.0, bancos digitais, aplicativos na nuvem e inúmeras outras estruturas digitais que potencializam umas as outras e a indústria de data center está por trás de todas elas.
Esta mudança veio para ficar. Embora ainda exista muito espaço para desenvolvimento e avanço tecnológico, estas inovações já passaram por diversas etapas de maturidade eestão acessíveis para todos e a um custo baixo, estão crescendo exponencialmente e exigem cada vez mais das estruturas por trás disso para garantir e melhorar a experiência dos usuários.
O impacto deste progresso tecnológico na economia brasileira como um todo certamente será intenso! Tais ferramentas digitais impulsionam a produtividade, que sempre foi o “tendão de Aquiles” do Brasil; trarão mais valor agregado e exigirão cada vez mais de estruturas complexas de data centers e conectividade, que terão de ser cada vez mais robustos, mais eficientes e com prazos de instalação cada vez menores.
DCD: Quais são as tendências, os desafios e que oportunidades o setor de data center oferece hoje?
R. A.: Bom, o panorama é tão dinâmico e se acelera tão rápido que é preciso ficar muito atento. Acredito que o maior desafio de qualquer executivo de qualquer indústria é ficar a par de todos os desenvolvimentos tecnológicos. Edge Computing e 5G já são uma realidade que está sendo implementada, então não podemos considerar como tendência, mas os impactos que eles causarão na indústria e as tecnologias que se desencadearão a partir deles são muito difíceis de prever.
Desde carros autônomos que gerariam entre 5 TB e 20TB de dados por dia a serviços baseados em drones autônomos, além de infinitas possibilidades considerando as combinações com as tecnologias de hoje que certamente vão mudar cada vez mais e mais rápido a nossa sociedade. A consultoria IDC prevê que, até 2025, a esfera global de dados aumentará para 163ZB (ou seja, um trilhão de gigabytes). São 10 vezes os 16,1ZB de dados gerados em 2016.
Existem muitos desenvolvimentos para acomodar esse crescimento exponencial de dados, tanto no campo de softwares, quanto em hardwares e infraestrutura para estes equipamentos. Já sabemos que existem fortes avanços em hardwares com tecnologia quântica, que possibilitamidentificar mais do que duas posições dos elétrons (a baixíssimas temperaturas), o que possibilitaria reescrever softwares em um sistema diferente do binário. Se este fato se concretizar, por exemplo, toda a modelagem de software, fabricação de hardware e infraestrutura para estas máquinas seriam completamente diferentes dos conceitos atuais.
DCD: A Mendes Holler atua em outros países?
R. A.: A Mendes Holler é uma empresa primariamente brasileira. Atualmente, não tem uma prospecção ativa no estrangeiro, mas atuamos em outros países sim, a pedido de clientes chaves. Eles realmente gostam do nosso trabalho e querem que a MH se expanda para acomodar as necessidades deles. E assim a gente faz. A empresa está iniciando importantes projetos em dois países da América Latina e já estamos sondando outros com nossos clientes. São projetos confidenciais, ainda. Nosso objetivo é atender plenamente as necessidades dos nossos clientes, independente de quais sejam essas necessidades. Vamos sempre em busca de recursos ou nos adequamos para seguir nossa filosofia de parceria. Atendê-los bem é o que nos interessa.
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