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É sabido que no Brasil energia e água têm uma histórica interdependência. De acordo com dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a participação da energia hídrica na matriz energética brasileira é de aproximadamente 42%, gerando quase 90% de toda eletricidade produzida no país. Os outros 10% são gerados pelas termoelétricas e usinas nucleares. O potencial hidrelétrico brasileiro é estimado em cerca de 260 GW, que para funcionar depende de nascentes, rios, lagos, represas e sobretudo da chuva.
 
Hoje, segundo um relatório do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), os reservatórios das hidrelétricas da região marcam 31.26%. A pouca chuva em 2014 e no início deste ano, frustrou o planejamento energético  governamental e evidenciou um problema, que vinha sendo postergado pelo poder público. Para alguns analistas a iminente crise da água, que ameaça o país, é resultado da falta de planejamento ambiental dos gestores públicos, desperdício, má distribuição dos recursos hídricos; políticas orientadas para fins eleitoreiros e também por conta da escolha das concessionárias de energia de distribuir seus lucros de anos anteriores com acionistas ao invés de investir na melhoria da infraestrutura.
 
As consequências já começam a aparecer. O país está cada vez mais dependente das usinas termelétricas, que utilizam como combustível o diesel e gás natural, fonte de energia poluente e cara. 
O atual panorama do Brasil tornou a eficiência energética o assunto principal no cotidiano das empresas de data center. A busca ou a criação de soluções para a otimização e a consequente redução do uso da eletricidade tem ganhado cada vez mais espaço no mercado da TI.
 
Nesse contexto, a Mecalor, empresa que atua na produção de Sistemas de Água Gelada e de Projetos Especiais para Ensaios Climáticos, consciente de que a eficiência energética no país hoje depende muito mais de como a indústria está utilizando a energia e a água disponível, conta como vem trabalhando para combater a crise energética. A DatacenterDynamics conversou com Marcelo Zimmaro,  gerente comercial da empresa, que está no mercado desde 1960.
 
DatacenterDynamics: O que a Mecalor vem fazendo em termos de eficiência energética para driblar a crise?
Marcelo Zimmaro: Estamos investindo muito na atualização dos projetos e no lançamento de novos produtos que sejam mais eficientes, utilizem menos energia elétrica (chillers e climatizadores de precisão) que consuma menos água (DryCooler). Isto demanda grandes investimentos de tempo e dinheiro e requer uma equipe de engenharia muito qualificada.
 
DCD: E em termos de refrigeração, o que a empresa vem fazendo?
M.Z.: Estamos trabalhando no lançamento de um novo chiller de alta confiabilidade e baixo consumo de energia elétrica para aplicação em ar condicionado. Toda linha de produtos vem sendo otimizada do ponto de vista de projeto para consumir menos energia. Não adianta somente utilizar bons componentes, é preciso aplicar bem para ter um bom resultado.
 
DCD: O alto custo da energia tem sido um obstáculo para o crescimento da empresa? Por quê?
M.Z.: O custo de energia é um obstáculo significativo para o crescimento das vendas para quem produz bens de capital como a Mecalor. Isto porque dentro das indústrias ou de projetos de infraestrutura, a energia elétrica é um fator preponderante para decisão de investimentos. Apesar disso, o alto custo da energia surge também como uma oportunidade de criação de produtos mais econômicos, que permitam uma maior participação de mercado para o fabricante que acredita nesta filosofia, deixando para trás os concorrentes. Nós acreditamos nisto e estamos crescendo apesar dos revezes econômicos. 
 
DCD: Em termos de refrigeração o que a empresa vem fazendo pra reduzir os custos?
M.Z.: Concebemos projetos cada vez mais simples e eficientes com um impacto de custo cada vez menor para o cliente. É o que chamamos de engenharia de valor. E é claro buscamos as melhores tecnologias disponíveis, como por exemplo condensador microcanal, o refrigerante R-410A, evaporadores a placas de alta eficiência, compressores scroll com inversor de frequência, ventiladores com controle de rotação automático, dentre outros.
 
DCD: A eficiência energética foi desdenhada pelo Governo Brasileiro nos últimos anos?
M.Z.: Algumas iniciativas foram interessantes, como a criação do selo de eficiência para aparelhos eletrodomésticos - Procel, realizado pelo Cepel que inclusive utiliza calorímetros da Mecalor. Este é um exemplo de que é preciso dar atenção ao lado da demanda, conscientização dos consumidores e empresas. Ainda há muito a ser feito neste quesito e o governo tem o papel de incentivar novas tecnologias, pesquisa desenvolvimento e também a conscientização.