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Marcos Peigo – Assessoria de imprensa

Novos projetos, operações sustentáveis e melhoria da infraestrutura digital. CEO e Co-Founder da Scala Data Centers, Marcos Peigo destacou durante entrevista ao DCD os investimentos da empresa no Brasil e na América Latina, as tendências do setor para o próximo ano e analisou o mercado brasileiro de Data Centers.

Na semana passada, a Scala anunciou a emissão de R$ 2 bilhões em debêntures verdes, para construir Data Centers com tecnologia otimizada para eficiência energética, e atingir uma eficiência média anual de uso de energia (PUE) inferior a 1,40. “Esta emissão é a maior já feita no Brasil e a primeira do gênero no setor de Data Centers no país”, destacou Peigo.

Segundo ele, a Scala tem uma estratégia de expansão agressiva e de longo prazo no Brasil e países da América Latina.

Quais as tendências para o setor de Data Center e tecnologia no Brasil em 2023?

O processo de digitalização segue ascendente, ao passo que vemos uma descentralização do tráfego de dados, aplicações e o crescimento de soluções baseadas em software que são essenciais para permitir e melhorar a experiência do cliente (diminuindo a latência, por exemplo).

A evolução das regulamentações de proteção de dados em todo o mundo também está remodelando a demanda de infraestrutura de TI à medida que aumenta a obrigação de armazenamento local de dados. Por conta disso, toda a cadeia de infraestrutura de TI tem trabalhado para colocar cada vez mais cargas de trabalho mais próximas dos usuários finais.

Grandes provedores de nuvem como Amazon, Oracle, Google e Microsoft também vêm ampliando sua presença física para melhor atender ao Brasil, que é o principal mercado de tecnologia na América Latina e, por isso, onde empresas do setor que estão vindo para a nossa região mais têm investido. Como resultado, eles estão aumentando os investimentos não apenas em infraestruturas locais, mas também – e muito importante – em instalações de colocation. Buscam, por meio de acordo robustos, parcerias de longo prazo como provedores que atendam ao mercado local e, com isso, incrementam o apetite por infraestrutura de TI.

O que a Scala apostará para 2023?

A Scala tem uma estratégia de expansão agressiva e de longo prazo no Brasil e países da América Latina. Estamos monitorando consistentemente as necessidades dos nossos clientes e aproveitando as oportunidades para antecipar e atender à demanda do mercado Hyperscale. Para o próximo ano, acreditamos que os projetos de implantação de Edge Data Centers em novas localidades no Brasil e na América Latina serão um dos destaques do setor.

A Scala continuará investindo na expansão do Campus Tamboré, que já está na segunda das três fases de desenvolvimento previstas. Trata-se do maior complexo de data centers da América Latina. Em 2022, lançamos nosso quinto data center na América Latina, no Campus Tamboré, São Paulo, Brasil, que é o maior data center vertical da América Latina, o SGRUTB04 da Scala. Para o próximo ano, a Scala tem novos projetos em curso, como o SGRUTB05, que terá uma capacidade de 10MW e tem entrada em operação prevista para o início de 2023, e o SGRUTB06, com 28MW de capacidade, cuja construção está prevista para começar no próximo ano e o início das operações está previsto para 2024.

Ainda no Brasil, a empresa desenvolve projetos no Rio de Janeiro, Porto Alegre, Jundiaí, Campinas e Fortaleza – todos ancorados por clientes Hyperscale. No restante da região, a Scala tem projetos no Chile, México e Colômbia, posicionando a empresa como a plataforma líder latino-americana de Data Centers sustentáveis no mercado Hyperscale.

No início de novembro, anunciamos entendimentos com a distribuidora de energia Enel para garantir fornecimento de longo prazo superior a 1 Gigawatt às nossas operações, nas áreas de concessão da empresa. Temos um plano ambicioso e bem estruturado que busca chegar a 500MW de capacidade distribuída nos próximos 5 anos no Brasil, Chile, Colômbia e México. Ao todo, os investimentos da Scala já ultrapassam os R$ 6,2 bilhões na América Latina.

Na sua opinião, o que deve ser melhorado e priorizado no setor do Data Center no próximo ano?

Na nossa visão, é preciso incentivar e promover a melhoria de infraestrutura necessária para acesso à conexão em todo o país – leia-se menor latência – e o aprimoramento da experiência do usuário final e das empresas que atendem a esse ecossistema, por meio de investimentos na descentralização de infraestrutura de TI, a exemplo dos Edge Data Centers.

Há uma concentração de infraestrutura digital no país entre São Paulo e Rio de Janeiro, que seguirão sendo mercados estratégicos para nós. No entanto, 15 cidades no Brasil possuem mais de um milhão de habitantes, um mercado consumidor de serviços digitais significativo e muito potencial para o nosso setor. Seis delas não possuem Data Centers e outras têm poucas instalações como essa. Isso mostra como a distribuição da infraestrutura digital precisa ser melhorada no Brasil.

Essa distribuição de infraestrutura é ainda mais importante e necessária se analisarmos números do mercado nacional de tecnologia. Segundo o Estudo Mercado Brasileiro de Software – Panorama e Tendências 2022, elaborado pela Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) em parceria com a IDC e divulgado em maio, a perspectiva de crescimento de investimento em TI no Brasil neste ano era de 14,3%, acima da média global (6,4%). Além disso, estamos progredindo muito em conectividade com a implementação da tecnologia 5G no Brasil, já disponibilizada em todas as capitais brasileiras e que deve seguir avançando no próximo ano.

E foi justamente analisando a relevância desses mercados regionais que lançamos, neste ano, o FastDeploy. Por meio de uma metodologia proprietária de design e construção criada por seu Centro de Excelência em Engenharia, a solução permite implementar data centers em um prazo até 50% menor em relação ao modelo tradicional. A solução escalável é altamente replicável e se baseia em componentes modulares pré-fabricados e transportáveis que são integrados aos edifícios no local de constituição do Data Center, garantindo a experiência dos clientes com o mesmo padrão com o qual já estão acostumados nos data centers da companhia.

Quais os maiores desafios do setor para 2023?

Um dos principais desafios do setor é relativo à cadeia de suprimentos para obter os insumos necessários para a construção e operação de data centers, assim como aconteceu neste ano. Uma consequência disso é que outros desafios surgem como as questões de implementação de sites em prazos mais reduzidos ou mesmo o cumprimento de prazos previstos para os projetos. Esses dois pontos são muito importantes para os clientes da indústria de Data Centers como um todo e, principalmente, para os clientes Hyperscale.

E a resposta ao mercado precisa conter projetos rápidos, eficientes, e que tragam inovação aliada a custo-benefício. Com o FastDeploy, implementamos data centers em um prazo até 50% menor em relação ao modelo tradicional, atendendo aos mercados regionais já citados. Já com um modelo de negócio inovador para o mercado Hyperscale, introduzimos a venda de capacidade reservada, que permite o cliente antecipar o uso parcial ou integral da capacidade contratada de um Data Center, quando e se ele precisar.

Outro desafio é seguir tornando nossas operações cada vez mais sustentáveis, fazendo um uso mais eficiente de recursos como energia e água e reduzindo a sua pegada de carbono, aplicando novos equipamentos e tecnologias que favoreçam esse objetivo. Sustentabilidade é um princípio inegociável na empresa desde o primeiro dia de operação. O nosso Programa ESG estruturado traz iniciativas extremamente importantes e que pautam a agenda do segmento. Trabalharemos para operar data centers eficientes e verdes – hoje 100% da energia usada é renovável e certificada internacionalmente via I-RECs –, neutralizamos nossas emissões de carbono e trabalhamos para impactar positivamente às comunidades que nos cercam por meio de projetos sociais e educacionais.

Como analisa o cenário brasileiro no setor comparado com outros países da América Latina?

Segundo estudo da Consultoria Arizton sobre o setor de Data Centers na América Latina, o Brasil é o maior mercado desse segmento na região, detendo cerca de 50% do setor na região. O tamanho do mercado de Data Centers no País é avaliado em US$ 2,23 bilhões e deve chegar a US$ 3,69 bilhões até 2027. Isso se explica pelo fato de setores como nuvem, telecomunicações, BFSI e saúde, e governo – que está migrando suas cargas de trabalho para a nuvem – serem os principais impulsionadores da demanda por serviços de colocation no Brasil. Adoção de nuvem, implantação de rede comercial 5G, implementação de IA, Internet das Coisas (IoT), Big Data e Transformação Digital são outros fatores importantes para esse cenário.

Com isso, vemos muito potencial no mercado e estamos preparados para atender a demanda crescente de nossos clientes.