Na Era Digital, se o data center de uma organização parar, o negócio da empresa para também. Os sistemas não vão funcionar, informações não serão enviadas, análises não serão feitas, serviços não serão entregues e vendas não serão processadas. Clientes não serão atendidos e ficarão insatisfeitos. Somente o que for analógico poderá funcionar, e de forma precária.
De acordo com a Aceco TI, para retomar suas atividades, uma empresa que não faz manutenção constante em seu data center, terá que providenciar um atendimento emergencial. Arcará com os valores de emergência e ainda ficará na dependência dos prazos de entrega do fornecedor – que muitas vezes tem que encomendar ou importar alguma peça. Além do mais, o desgaste natural dos componentes também afeta os sistemas de segurança do data center: da mesma forma que seus equipamentos estarão mais propensos a pegar fogo, o sistema estará menos capaz de detectá-lo e combatê-lo.
Portanto, para saber os prejuízos de não ter uma manutenção constante e adequada em seu data center, as empresas hoje, devem responder à duas perguntas: “qual o custo de parar o seu negócio? ” e “por quanto tempo aguento manter o negócio parado?”
Em entrevista exclusiva, Celso Rodrigues, gerente de manutenção da Aceco TI, empresa especializada em projeto, construção e manutenção de ambientes de missão crítica, fala da importância de cuidados constantes com a infraestrutura de TI.
DatacenterDynamics: O que esperar de uma empresa de manutenção de data center?
Celso Rodrigues: Primeiro, você tem que esperar que quem faz a manutenção ofereça uma solução completa. A última coisa que você quer, é ver sua climatizadora com problemas enquanto seu fornecedor culpa a qualidade da alimentação de energia, e que isso está fora do escopo. Então, para evitar ter que administrar conflitos entre vários fornecedores, é essencial uma única solução que ofereça manutenção preditiva, preventiva e corretiva para todos os sistemas do data center: elétrica, climatização, automação, estrutura física, geradores, sistemas de detecção e combate ao incêndio, UPS’s e etc.
A empresa deve oferecer uma boa estrutura de Back Office para sua equipe - almoxarifado de peças, contratos com os fabricantes dos equipamentos, logística para atender todo o Brasil, entre outros. Seus técnicos devem ser próprios e comprometidos, com treinamento nos subsistemas do data center; devem manter uma boa relação com fornecedores e possuir uma área de engenharia e outra de Suporte Técnico de missão crítica para apoiar a operação.
Você deve esperar também que uma empresa de manutenção de data center tenha agilidade para te atender, principalmente nos momentos mais difíceis. O tempo de atendimento precisa ser o menor possível. Esse tempo pode ser firmado em contrato por meio de SLAs (Service Level Agreements). E agilidade não é apenas chegar a tempo, é resolver rapidamente o problema de forma compatível com a realidade da sua empresa. E, para isso, é extremamente importante a reposição imediata de peças. Para viabilizar isso, é importante que o fornecedor possua estoques próprios em todas as regiões que atende, a fim de eliminar o tempo que se leva para fazer o pedido de uma peça, esperar esta chegar e ainda enviá-la a seu destino.
DCD: Manutenção de data center é uma prática comum das empresas brasileiras?
C.R.: Não com a qualidade que deveria ser feita. A maioria das empresas não tem condições de fazê-lo sozinhas. Uma questão é da formação de mão de obra para climatização, por exemplo. Isso é um problema para essas empresas. Há poucas escolas técnicas com essa especialização no país e, mesmo os alunos que saem delas, precisam de um processo de adaptação de seus conhecimentos para a área de infraestrutura de TI. Eles precisam de uma “segunda formação”, em uma empresa com alto know-how em data centers para transformar sua habilidade com refrigerador e ar-condicionado no domínio do sistema de climatização de precisão de um ambiente de Missão Critica; isso tudo sem mencionar os outros subsistemas do data center, igualmente críticos. Acredito que a maior questão hoje não seja conscientizar a empresa sobre a importância da manutenção, e sim conscientizar que o atendimento ao um sistema de missão crítica de um data center não é uma manutenção qualquer.
Um data center é complexo, sendo dividido em várias áreas e subsistemas. Sua automação possui diversas variáveis e sua operação é dinâmica, com entradas e saídas de carga. Por isso, a manutenção é muito diferente se comparada com a de facilities ou de maquinários industriais que, na maioria dos casos, não operam em regime de 24x7. Mas, ainda assim, muitas empresas escolhem sua solução pelo critério preço, sem verificar com profundidade se a empresa que contratada é capaz de cuidar do data center ou possui experiência suficiente para isso.
DCD: Quais são as vantagens de contratar os serviços de manutenção de data center?
C.R.: Acima de tudo, segurança. É saber que todos os sistemas de emergência do seu data center estão funcionando corretamente e não irão te deixar na mão. É poder dormir tranquilamente durante uma tempestade.
Além disso, prolongar a vida útil de seus equipamentos, com uma manutenção preventiva e preditiva de qualidade, impedindo gastos desnecessários e emergenciais, além de evitar paradas não-programadas.
Não podemos esquecer também da parte econômica: um bom serviço de manutenção é mais barato do que manter uma equipe própria mal capacitada. Os gastos com equipamentos desgastados e com atendimentos emergenciais de terceiros superam facilmente um contrato de manutenção específico para data centers.
É um erro comum a empresa pensar que não precisa de um contrato de manutenção para um data center novo. Isso é o mesmo que voar em um avião sem manutenção porque ele saiu da fábrica há menos de um ano. De fato, os componentes estão no início da sua vida útil e tendem a dar menos defeitos. Porém, o sistema é complexo e, quando mal mantido, perde suas características originais, sofre desgastes e fica vulnerável a falhas. O serviço de manutenção, quando oferecido por uma empresa especializada, é preditivo e preventivo. As ações ocorrem antes de qualquer problema, para evitar que este sequer ocorra.
DCD: Gostaria que citasse algum caso de sucesso da Aceco TI.
C.R.: Garantimos no nosso contrato padrão uma disponibilidade do data center do cliente acima de 99,79% para um site equivalente a Tier II. E entregamos 100%, com raras exceções – sendo que não ficaram abaixo da disponibilidade contratual. Então, ao invés de citar um case em que não houve indisponibilidade, acredito ser mais interessante falar sobre uma dessas raras exceções – e como lidamos com elas.
Nas primeiras horas do dia 30 de janeiro de 2016, um sábado, o Estado do Rio Grande do Sul foi atingido pelo que os meteorologistas chamaram de explosão atmosférica ou downburst. Segundo noticiado, esse fenômeno equipara-se em poder de destruição a um tornado, diferenciando-se por atingir uma área maior. Os ventos alcançaram 150 km/h, derrubando cerca de 3 mil árvores e gerando mais de 1,2 mil toneladas de entulhos. Três dias depois, ainda havia 13.450 pontos sem luz na capital.
Em um cliente da Aceco TI situado na região, existem dois geradores de alta capacidade, com 6 toneladas cada, instalados na laje do edifício de sete andares, que atendem ao data center. Ambos tombaram com a força do vento. Com a cidade em caos, alugamos uma grua telescópica e retiramos o gerador mais avariado para conserto. Reposicionamos o outro gerador e reestabelecemos o seu funcionamento, além de manter uma equipe de prontidão para assegurar seu funcionamento, enquanto não era reestabelecida a redundância. Antes do meio dia, todo o site já estava em funcionamento novamente. Um detalhe importante: nosso contrato com esse cliente não incluía danos por catástrofes naturais.
Embora essa adversidade tenha causado a indisponibilidade do data center, a ação rápida e efetiva da nossa equipe reestabeleceu o site em tempo recorde, considerando a gravidade da situação, mantendo o índice de disponibilidade anual em 99,86% - acima do valor contratado.
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