Em entrevista a DCD, o Professor Doutor Manoel Veras fala sobre boas práticas de gestão, Computação em Nuvem e os desafios da consumerização. O Professor Doutor Manoel Veras, é graduado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, é mestre em Engenharia de Telecomunicações e Doutor em Administração. É também Consultor Empresarial, Especialista em Tecnologia da Informação e Professor Universitário.
Manoel Veras é certificado pelas empresas Microsoft, Cisco e foi o primeiro MASTER ASE pela Compaq na América Latina, em 1998.
A DCD abriu a conversa perguntando ao professor, sobre a maturidade do mercado da Computação em Nuvem brasileiro. Em resposta, o Manoel Veras afirma que não só Brasil, mas outros países do continente ainda precisam amadurecer nesse segmento. “A Computação em Nuvem ainda é um conceito novo. Representa o avanço natural
da TI. Portanto, como novo conceito precisa de um entendimento real de suas vantagens e benefícios. As empresas precisam entender o conceito e ver as possíveis formas de implementá-lo. Ou seja, precisam definir um roadmap de prioridades em relação a nuvem. Por exemplo: o que devemos fazer agora, o que faremos amanhã e etc. Os riscos e a forma de mitigá-los também precisam ser considerados.”
Sobre a possibilidade do Brasil se tornar um hub da Cloud Computing, Manoel Veras diz que muito em função da sua importância no cenário mundial de TI, o Brasil tem capacidade sim, de se tornar um hub da Computação em Nuvem. De acordo com ele, nos últimos 3 anos as empresas brasileiras construíram mais de 15 grandes Data Centers, o que mostra a eficiência da TI nacional.
“Nossas conexões com os outros continentes por cabos submarinos também nos permitem fazer parte da teia global de forma representativa.”
Em termos de construir ou reformar ambientes de Data Center, o professor afirma que cada caso demanda uma iniciativa e vai mais além, dizendo que diversas empresas partiram do zero e construíram novos Data Centers, utilizando já os pressupostos da modularidade para melhoria da eficiência energética, além dos requisitos básicos de alta disponibilidade. Antigas instalações foram reformadas e certificadas por órgãos como o Uptime, garantindo a disponibilidade e também melhorando o consumo de energia, mesmo não adotando plenamente o conceito de modularidade. “Já vi as duas alternativas com resultados excelentes.” Sobre os avanços em sustentabilidade no país, Veras diz que TI verde é uma realidade no Brasil, já que os novos Data Centers têm utilizado parte deste conceito. Segundo ele, projetos como o Data Center da Petrobras, no Rio de Janeiro, contemplam o conceito de sustentabilidade plenamente.
Gastos desnecessários com DCIM
O professor Manoel Veras faz um alerta sobre a síndrome do “Elefante Branco” nos investimentos em DCIM. De acordo com ele, o DCIM é onde todos querem chegar, em termos de gerenciamento, mas é preciso ter cautela. “Muitas vezes este é um caminho longo. Os fornecedores inclusive muitas vezes não possuem produtos que realmente contemplam todo o espectro do gerenciamento e monitoramento do Data Center. Portanto, é preciso ter cuidado com os investimentos nesta área.”
No desafio BMS vs DCIM, Veras afirma que a proposta do DCIM é mais arrojada, já que o DCIM se propõe a gerenciar todo o Data Center de forma integrada.
De acordo com o professor, o DCIM é o avanço natural do BMS, pois incorpora o gerenciamento de facilities e de TI. Para ele, o Building Management Systems nasceu para gerenciar facilities (instalações). Questionado sobre o futuro da nuvem híbrida e privada no Brasil, Manoel Veras é enfático e declara que acredita na tecnologia nuvem.
“Acredito na nuvem. A forma que ela vai se instalar, dependerá de muitos fatores. No Brasil eu diria que teremos espaço para tudo: pública, privada e híbrida. Agora, é claro que em muitos casos a nuvem pública apresenta maiores benefícios. Mas os provedores de serviços de nuvem terão que aprimorar os seus contratos de níveis de serviço para dar melhores garantias às empresas.”
Governo e Data Centers
Sobre a iniciativa, legislativa do governo com o Marco Civil da Internet, o professor diz que o país vive um bom momento para a aprovação do projeto de lei, que é muito arrojado em relação a questões de neutralidade e guarda de logs; e também para a aprovação do Marco Regulatório da Computação em Nuvem, ainda em estágio inicial. No que tange a armazenamento, Veras diz que as opções de armazenamento local, para todos os dados, incluindo dados de pessoas físicas poderiam criar barreiras ao próprio uso da Internet e ao que esta propicia. Segundo ele, obrigar a nuvem a ser “nacional” pode ser um problema.
“A Internet é uma rede global. O que precisa ser feito é criar um mecanismo de regulação multilateral, conforme tem sido proposto pelo Brasil (pelo menos para parte dos países democráticos). Precisamos definir o que pode ou não ser feito na Internet, incluindo as regulamentações para questões atuais de espionagem. Eu sou usuário do dropbox, estou pouco preocupado onde meus dados estão armazenados.
Quero funcionalidade. Uma empresa, por outro lado, pode ter necessidades diferentes em relação aos seus dados, por questões de regulação ou mesmo segurança, neste caso tem que ter opção local.”
Sobre a iniciativa governamental, de junto aos Correios, desenvolver um e-mail gratuito, criptografado, para a população, a fim de evitar a espionagem de conteúdo, Manoel Veras comenta que não acredita que os brasileiros deixarão o Gmail ou o Yahoo! para optar pelo serviço de e-mail governamental.
Segundo a Agência Brasil, o serviço de email criptografado dos Correios deve ficar pronto ainda este ano. Os primeiros testes devem ser realizados no próximo mês, de acordo com declaração do Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. O sistema vem sendo desenvolvido pelo Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados), e segundo Presidente da estatal, Marcos Mazoni, o serviço vai ser gratuito e custeado pelo governo.
Um dos usos imediatos do produto poderá ocorrer nas cidades digitais. O Expresso, roda dentro da nuvem e da infraestrutura do Serpro. A solução é composta de nove camadas de software, inclusive de um software que funciona como orquestrador, fazendo o gerenciamento do uso de diferentes nuvens.