De acordo com especialistas, a Internet das Coisas é a grande tendência de negócios em 2017. As previsões da IDC afirmam que o ecossistema de IoT movimentará US$ 13 bilhões até 2020, com cerca de 212 bilhões de “coisas” conectadas à internet, no país.
 
As estimativas da consultoria afetam em cheio o setor de data center, já que os novos dispositivos irão gerar mais tráfego para as redes e mais demanda para o processamento dos dados, armazenamento de informações e rede, consequentemente impactando a arquitetura do data center.
 
Vislumbrando os novos desafios, que já vêm sendo impostos aos centros de dados, a DatacenterDynamics conversou com Luis Viola, diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira de Internet das Coisas (Abinc). A organização foi criada por um grupo de executivos, que estavam vivenciando separadamente experiências com o desenvolvimento do mercado IoT. Assim, quando questões estratégicas, regulatórias e de negócio, acerca do mercado brasileiro começaram a surgir, este grupo decidiu constituir um entidade, sem fins lucrativos, para dialogar com o governo e representar o mercado através de seus associados e da comunidade envolvida; oficialmente e legalmente constituída desde fevereiro de 2016, a associação vivencia um enorme crescimento de associados. A organização nasceu com o propósito de facilitar, apoiar e fomentar o ambiente de negócios IoT no Brasil, com transparência e participação ampla de todos os envolvidos.
Confira aqui, a entrevista exclusiva.
 
DatacenterDynamics: Investir em data center é vital para explorar o potencial da Internet das Coisas? Por quê?
 
Luis Viola: Milhões ou até mesmo bilhões de coisas enviando informação contínua, é a expectativa para os próximos anos no mercado de IoT. Estes milhões de coisas, apesar do tamanho dos pacotes enviados, e até mesmo a frequência do envio ser menor que os padrões atuais de comunicação, somados, serão dezenas de Petabytes para serem armazenados. 
 
Quando falamos de Machine Learning, redes neurais convulcionais, não somente precisaremos de data centers armazenando estes dados, mas de enormes capacidades  e recursos computacionais, que não serão adquiridos por cada empresa, e sim contratados de um data center ou um grande fornecedor de nuvem dentro de um data center. Assim, não só está correta, como temos que colocar na agenda a vital importância da expansão dos data centers, principalmente no Brasil, onde, comparado aos EUA, temos poucas unidades de data centers atualmente.
 
DCD: De que forma os data centers podem se preparar para a Internet das Coisas?
 
L.V.: Aumentando a capacidade de armazenamento, principalmente “a frio” ou seja, onde os dados, após passar pelo middleware e pelo dashboard, são armazenados em instâncias que não precisam ser acessados o tempo todo, com tempos de milissegundos. Isto reduz imensamente o custo.
 
Também, é preciso expandir radicalmente a capacidade computacional compartilhada, para processar os Petabytes de dados das coisas e gerar informação, conhecimento e uso prático destes recursos, que vão gerar um impacto 100 vezes maior em nossas vidas, em relação a adoção da internet nos últimos 20 anos.
 
DCD: O Brasil é um dos principais polos de IoT. Quarto maior mercado consumidor de equipamentos conectados do mundo. Para a Abinc, o crescimento da IoT no Brasil criará novos desafios para todos os aspectos dos data centers? 
 
L.V.: O desafio, além dos mencionados acima, capacidade de armazenamento e capacidade computacional será o crescimento rápido das plantas instaladas no Brasil, como sabemos geralmente as empresas de data centers instaladas no Brasil, crescem sob demanda de clientes e não de mercado, novas áreas e novas capacidades são ativadas conforme a linha de frente comercial ativa contratos, o desafio será ter esta infraestrutura pronta para o rápido crescimento e adesão de novos devices à rede IoT, e a adequação das capacidades computacionais para o processamento desta enorme quantidade de dados. Geralmente os data centers são fornecedores no atacado de grandes players mundiais, que usam suas instalações para fornecimento de serviços em nuvem ao mercado, estas grandes empresas são peça vital no planejamento das instalações para que o Brasil não tenha um problema de infraestrutura básica como, prédios, conectividade, energia e estes dados sejam enviados para armazenagem diretamente no exterior, ou somente no exterior. Precisamos que o mercado de IoT estimule o crescimento destes “facilities” aqui internamente, gerando empresa e impostos locais.
 
DCD: A Internet das Coisas forçará as empresas a repensarem seus data centers? Por quê?
 
L.V.: Em termos de infraestrutura, não, o redesenho está mais voltado para modelos de negócios que se encaixem no novo cenário de milhões de coisas e grande quantidade de dados. Além disso, a capacidade de processamento computacional compartilhado vai ter um papel mais importante.
 
DCD: Para a Abinc essa tendência favorecerá os grandes data centers?
 
L.V.: Sim. A IoT vai demandar uma quantidade muito grande de recursos, o que vai favorecer os grandes centros de dados, onde o ganho de escala e a otimização de infraestrutura será um diferencial competitivo.
 
 
DCD: Recentemente o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) anunciou que em breve, serão apresentados os principais eixos do Plano Nacional de Internet das Coisas, que vai nortear ações e políticas públicas até 2022. Qual é a expectativa da Abinc em relação ao Plano Nacional de Internet das Coisas?
 
L.V.: A Abinc apoiou e realizou sua contribuição, achamos que foi muito assertiva a abordagem do MCTIC, democrática e temos sentido agilidade no processo, esperamos que as normas e/ou diretrizes estejam alinhadas com o sentimento e expectativa de todo o mercado, o interesse da Abinc é “ligar os pontos”, queremos exatamente cuidar para que o sentimento do mercado se alinhe ao governo, e a Abinc possa entregar valor ao mercado, através de seus associados para a geração de negócios, receita, inovação e postos de trabalho qualificados em nosso país.