É bem sabido que Internet das Coisas é a integração do mundo físico com o mundo digital, por meio de “coisas” e pessoas conectadas à internet. No caso da saúde, o objetivo é melhorar o acesso, qualidade do tratamento, a experiência do paciente e aumentar a eficiência operacional. De acordo com Carlos Reis, consultor do segmento de Saúde da Logicalis, existe uma gama de possibilidades para o setor por meio da Internet das Coisas. O mercado global de saúde investiu US$ 58,9 bilhões em dispositivos, softwares e serviços de IoT em 2014 e o montante pode atingir cerca de US$ 410 bilhões até 2022. Confira a entrevista, exclusiva, com o especialista, a seguir.
DatacenterDynamics: Internet das Coisas e Saúde é uma combinação perfeita?
Carlos Reis: Sim. Olhando pelo prisma do cuidado, ela consegue endereçar toda a cadeia de saúde, desde a prevenção, diagnóstico, internação, cirurgia até o tratamento pós-operatório do paciente em casa. A Internet das Coisas também endereça todo o processo de gestão hospitalar garantindo mais eficiência nos processos operacionais. Nesse cenários todos são beneficiados: pacientes, hospitais, operadoras de planos de saúde, governo, centros de pesquisa e profissionais de saúde.
DCD: Como a Internet das Coisas vem modificando o panorama de prevenção e da qualidade de vida do paciente?
C.R.: Um dos maiores desafios da saúde mundial é a redução do número de doenças crônicas (cardiovasculares, respiratórias, câncer, doenças mentais, diabetes e obesidade). Com o monitoramento remoto dos pacientes, por meio de wearables e outros dispositivos conectados à internet, já é possível criar soluções voltadas para uma melhor experiência dos pacientes e para o aumento da qualidade de vida, como por exemplo, o uso de IoT para monitoramento de doenças cardiovasculares, onde o médico ou cuidador pode receber informações em tempo real sobre o estado de saúde do paciente, com dados coletados pelos dispositivos e pelo histórico do paciente, gerando alertas e propondo ações.
DCD: Quais são os desafios para o fortalecimento da implementação da Internet das Coisas na Saúde do Brasil?
C.R.: As grandes preocupações para implantação da Internet das Coisas no Brasil são os aspectos relativos à privacidade e segurança. É necessário estar atento às regulações que tratam o sigilo e consentimento do uso dados dos pacientes, além de manter seguro o ambiente onde as soluções de IoT vão operar. Já existe tecnologia de segurança em níveis aceitáveis para garantir o uso da IoT na Saúde.
Outros desafios importantes que devem ser observados são: contar com profissionais especializados que entendam tanto o ambiente de tecnologia como o de saúde, e a definição de um bom plano de negócios que comprove o retorno sobre o investimento na solução a ser aplicada, para convencimento das lideranças sobre a implantação de tecnologias de Internet das Coisas.
DCD: Como a Internet das Coisas está mudando o Mercado da Saúde?
C.R.: Com o desafio mundial do aumento dos gastos com a saúde, a IoT vem como uma importante ferramenta que contribui tanto para a qualidade de vida dos pacientes quanto como apoio para o aumento da eficiência na gestão. Com o passar dos anos, o Mercado de Saúde não conseguiu equacionar os principais desafios, que são o controle das doenças crônicas, que é a principal causa de morte no Brasil, e a satisfação dos pacientes, que está bem abaixo da média mundial, para manter a sustentabilidade do sistema de saúde.
A IoT segue promissora para tentar resolver esses dois grandes desafios, por meio do uso de wearables e conectando diversos dispositivos. Dessa forma, são geradas informações valiosas, tanto para a prevenção e tratamento de doenças crônicas quanto para melhorar a eficiência operacional dos hospitais.
DCD: Poderia dar algum exemplo da aplicação de Internet das Coisas na Saúde?
C.R.: As aplicações são as mais variadas. Elas vão desde aplicações de prevenção a saúde, como o monitoramento da higienização das mãos para controle de infecção hospitalar e o monitoramento remoto de pacientes com doenças crônicas, até sistemas que otimizam a gestão dentro dos hospitais, como a rastreabilidade de ativos e pessoas nas unidades de saúde, controle de instrumentais cirúrgicos e a rastreabilidade de amostras laboratoriais, desde a coleta até o laudo do exame.
DCD: A IoT chega para empoderar o paciente?
C.R.: Sim. Com o uso de wearables e outros dispositivos pessoais, é possível uma troca contínua de informações entre o paciente e o médico. Assim, o paciente se mantém sempre bem informado sobre suas condições de saúde.
Além disso, é possível que o paciente compartilhe suas informações de saúde, no nível de detalhe que desejar, provenientes de seus dispositivos de coletas de sinais vitais (relógio, balança, equipamento de pressão etc) para que grandes centros de pesquisa possam subsidiar estudos de novos medicamentos e tratamentos, com base nos dados de diversos pacientes. Existem programas onde operadoras de planos de saúde podem oferecer descontos em medicamentos e outros incentivos para pacientes que se proponham a aderir a programas de compartilhamento de informações. Nesse cenário o paciente é o dono dos seus dados clínicos.
DCD: Quanto vale hoje o negócio da IoT na Saúde hoje?
C.R.: Segundo a consultoria "Grand View Research", o mercado global de saúde investiu US$ 58,9 bilhões em dispositivos, softwares e serviços de IoT em 2014 e o montante pode atingir cerca de US$ 410 bilhões até 2022. Segundo estudo do BNDES, o ganho potencial com o uso de IoT na saúde pode chegar a U$ 1,6 trilhão no mundo e U$ 39 bilhões no Brasil até 2025.
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