É fato que os computadores não lêem os nomes de sites da forma como os procuramos na internet, pois sua linguagem é baseada em números. 
Quando digitamos “www.datacenterdynamics.com.br”, por exemplo, ele faz uma consulta automática a uma série de servidores do DNS para saber qual é o IP correspondente a esse nome. A cópia de um dos 13 servidores-raiz que existem no mundo, responsáveis por comandar esse sistema de nomes de domínio, foi instalada em Salvador, na sede do grupo empresarial Tascom. A inauguração aconteceu na última semana.
 
A instalação desse “espelho” do servidor original diminui o tempo de consulta ao DNS. Para se ter uma ideia, antes da instalação da cópia do servidor, o tempo esperado pelos usuários da rede Tascom para carregar uma página era de cerca de 115 milissegundos. Com o novo equipamento, esse tempo caiu para 1 milissegundo. Ou seja, 99,2% a menos.
 
“A distância geográfica entre uma estação de trabalho e o servidor que fará essa consulta influencia na latência, que é o tempo que se leva para a consulta ser enviada e a resposta, com o IP correspondente ao nome procurado, obtida. Quando esses servidores estão em lugares distantes, o tempo para a informação trafegar na rede é maior”, explica Fábio Barbosa, diretor técnico da Tascom.
 
Mas os benefícios não são exclusivos dos clientes do grupo. Se houver tentativa de ataque ou qualquer outro problema em um outro servidor e ele precisar parar ou ser desligado, a cópia sediada em Salvador pode suprir suas demandas e garantir a estabilidade de conexão no mundo todo.
 
Parceria com ICANN
 
Quando se fala em 13 servidores-raiz significa que há, na verdade, 13 endereços IP na internet onde esses servidores podem ser encontrados em dezenas de localizações físicas diferentes. A Tascom fechou parceria com a Corporação de Internet para Designação de Nomes e Números (ICANN, sigla em inglês), uma das organizações responsáveis por gerir um desses 13 IPs. Cada organização é representada por uma letra de A a M. A letra da ICANN é L, por isso seu servidor chama-se “L-root”.
A cópia instalada em Salvador faz parte das 15, dentre as 31 brasileiras, que são operadas por essa organização. 
 
Destaque aos provedores
 
Cada organização que gerencia um servidor-raiz tem sua própria política de distribuição de cópias. Alguns as hospedam em universidades, outros em pontos de troca de tráfego, por exemplo. A ICANN escolheu trabalhar com provedores de internet por acreditar que são peças fundamentais para manutenção e expansão da inclusão digital. “São eles que colocam dinheiro para expandir a rede, que investem em cabos de fibra óptica para levar internet pelo país. São pequenas ações que formam uma grande rede”, explica Fink.
 
O que um provedor precisa ter para instalar uma cópia é: “Boa vontade. O espírito de ajudar a internet como um todo. E um bom local para guardar, um data center. Não adianta instalar um servidor onde ele vai ficar metade do tempo parado porque não tem infraestrutura boa”, acrescenta o gerente sênior.
 
A ICANN não cobra taxas de instalação, mas é a empresa-hóspede quem arca com todos os custos da operação, como alargamento de banda da internet, eletricidade, manutenção de hardware e/ou compra de equipamentos novos.