Atualmente empresas de vários segmentos vêm crescendo sem a preocupação de estruturar harmonicamente seu ambiente de TI, o que resulta num ambiente tecnológico obsoleto. Hoje CIOs e diretores de TI têm o desafio de modernizar sistemas, evitando de todas as maneiras possíveis, riscos para as organizações.
Atento às necessidades do mercado, o Grupo de RBS de comunicação reformulou seu data center com modernas soluções disponíveis no mercado.
Segundo Luiz Ramos, diretor de TI e Telecomunicações do Grupo RBS, desde 2011, quando as soluções de nuvem ainda não haviam se consolidado no Brasil, a empresa começou a pensar no redesenho de seu data center. "Nessa época, tínhamos um data center tradicional, com virtualização cobrindo apenas uma pequena parte da infraestrutura. Desde então, um consistente trabalho de planejamento e execução de projeto foi realizado."
O que levou o Grupo RBS a investir na modernização do ambiente de TI foi poder disponibilizar para seus repórteres e editores o que, no futuro, estará sendo usado pelo público.
Data Center
O data center do Grupo RBS tem 90m² (a sala anterior possuía o dobro desse tamanho) na sala principal e 45m² na sala secundária, distanciadas por 6km.
De acordo com Luiz Ramos, antes do processo de modernização a empresa tinha um data center físico tradicional, em que, entre definição de arquitetura, compra e instalação de infraestrutura para projetos, decorriam de 60 a 90 dias. A sala era ineficiente do ponto de vista de consumo de energia e climatização. "Possuíamos também uma replicação síncrona de armazenamento para a segunda sala, sem servidores e infraestrutura de rede adequados para recuperação dos serviços. Os backups eram demorados e geravam grande impacto nas cargas de origem. Os circuitos elétricos não eram monitorados (precisávamos realizar medições manuais constantes). Além disso, o controle de acesso e CFTV era inadequado."
Hoje, o data center do grupo de comunicação é alimentado por três estações diferentes de energia da concessionária em duas salas. Na sala principal, são alimentadas duas sub-estações da concessionária e do prédio, uma usina de 2,1 MW, dois QGBTs (cada um com três NBs ativos contribuindo para o mesmo barramento de 128 KW em um arranjo N+1, onde qualquer um dos três equipamentos pode falhar sem afetar o fornecimento de energia 2 x 128KW); um deles possui um gerador exclusivo (além da usina de 2,1 MW que atende todo o prédio). A distância entre os dois QGBTs é de 50m. Cada um alimenta um quadro elétrico que, por sua vez, abastece um lado do rack. São dois sistemas de refrigeração, um baseado em chiller (36TR) e outro Self Contained (40 TR), totalizando 76 TR de capacidade de refrigeração. Um sistema DCIM foi implementado para supervisionar o circuito elétrico, umidade, temperatura, controle de acesso e CFTV. A sala secundária alimenta a concessionária, dois NBs no mesmo QGBT e climatização Self Contained. As duas salas funcionam como uma única co-extensão do L2 e L3 de rede e virtualização de storage, através de uma rede de fibra ótica com 18 pares e com duas operadoras diferentes, em que, pela robustez diferenciada, privilegia os workloads localizados na sala principal.
Também foram adotadas BLADEs. A capacidade por circuito hoje é maior e permite até 20 KW por rack, quando necessário.
Refrigeração
Em tempo de planejamento, foram avaliados containers, free cooling e economizers. Segundo o diretor, essas soluções apontaram uma necessidade de investimento bastante alta no projeto. A empresa apostou, no reaproveitamento dos equipamentos de clima já existentes, com aumento da eficiência de refrigeração, adotando o confinamento do corredor frio com insuflamento frontal. Comparando ao layout anterior e número de equipamentos antes da virtualização agressiva de servidores (75%), passou a necessitar de menos da metade da capacidade de refrigeração.
"Hoje estamos operando a 25ºC. A medição do PUE está sendo implementada através da instrumentação das sub-estações de energia do prédio."
Segundo o diretor, a maior dificuldade do projeto concentrou-se na opção de reforma do data center. O desafio foi ainda maior pelo fato da sala nova ficar entre a sala de equipamentos de clima e a antiga. "Privilegiamos uma migração gradual para não afetar os negócios e as áreas de backoffice. Observamos, especialmente quando avaliamos free cooling, containers e economizers, que a diferença de preços é significativa quando comparamos com as mesmas soluções lá fora. Mesmo no mercado nacional, encontramos diferenças significativas entre alguns fornecedores."
Alinhado aos conceitos de sustentabilidade do Grupo RBS, o novo data center reduziu gastos com energia elétrica em 50%. Com o processo de virtualização adotado, 180 servidores físicos foram desligados com a equivalente redução de consumo. Toda a estrutura foi otimizada para garantir economia. Dentro dessa política, o grupo também vem aplicando outras medidas, como a automatização do processo de desligamento dos monitores inativos nas estações de trabalho.
No futuro, a empresa pretende avançar no provisionamento rápido e flexível dos projetos digitais, evoluindo para o gerenciamento de Nuvem Híbrida, com soluções WEB Scale e Scale Out OnPremisses, e uma grande automação de provisionamento e integração contínua no ciclo de desenvolvimento de software, utilizando conceitos como “infrastructure as a code”, interagindo com soluções de IaaS e PaaS de fornecedores como AWS, Microsoft, Google e IBM/Softlayer.
Por razões de segurança o Grupo RBS decidiu não informar a localização de seu data center.