Peça fundamental no ecossistema de processamento, armazenamento e comunicação de dados, o data center está intrinsecamente relacionado à Transformação Digital, sua arquitetura está em constante evolução desde os primeiros data centers montados na década de 1960, nos Estados Unidos.
Na atual era da Transformação Digital, o data center deve ser ágil e escalável, além de conviver com infraestruturas híbridas e de processamento descentralizado, ao mesmo tempo garantir alta performance, disponibilidade e segurança para as aplicações cada vez mais críticas das organizações; é o que afirma a Green4T, empresa brasileira fundada em 2016, por um grupo de profissionais composto de veteranos e jovens promissores da indústria de infraestrutura de TI, que recentemente concluiu a aquisição de 70% das ações da Aceco TI, uma das pioneiras do mercado de tecnologia no país, tendo integrado mais de 750 data centers no Brasil e em 13 dos principais países da América Latina.
Em conversa com a DCD, Eduardo Marini, CEO e co-fundador da Green4T, fala sobre os novos passos da empresa. Confira.
DatacenterDynamics: Seis meses após a compra da Aceco TI, qual é o balanço que a Green4T faz?
Eduardo Marini: O balanço é muito positivo. A aquisição da Aceco TI nos proporcionou um enorme ganho de escala, que nos permite acessar com equipes próprias, clientes em 25 dos 27 Estados brasileiros, além de 6 outros países da América Latina (Colômbia, Equador, Peru, Chile, Argentina e Uruguai). Nossos clientes hoje têm acesso a um portfólio amplo de serviços voltados à infraestrutura digital, onde quer que esteja a sua operação.
DCD: Qual é a estratégia da Green4T para liderar o mercado de infraestrutura digital brasileiro? Que diferenciais a empresa apresenta?
E. M.: Acredito na combinação de três principais diferenciais, todos indissociáveis do nosso posicionamento estratégico: (i) orientação para o cliente, (ii) qualidade dos serviços, e (iii) escala. Com relação ao primeiro ponto, diferentemente de empresas que se organizam em torno de determinados serviços, a Green4T dedica equipes e tempo no desenho de soluções híbridas e customizadas às necessidades dos clientes. Considerando que temos serviços de ponta-a-ponta, esse posicionamento se torna bastante único, na medida em que podemos oferecer a solução desde a captura dos dados e computação de borda, passando pelo controle da operação em centros inteligentes, até o processamento no core, seja em data center próprio ou em infraestrutura terceirizada. Com relação à qualidade dos nossos serviços, além de princípio norteador da Green4T desde sua fundação, é também o grande diferencial dos Serviços Continuados da Aceco TI. Por fim, nossa escala e presença pan-regional na América Latina nos permite equalizar serviços descentralizados e atender projetos de largas dimensões.
DCD: Hoje quantos data centers são mantidos em regime 24x7 por equipes técnicas da Aceco TI em todo o país?
E. M.: Aproximadamente 350 sites no Brasil são mantidos e/ou operados por equipes da Green4T e da Aceco TI.
DCD: Dentro do setor de data center quais são as carências e debilidades do mercado brasileiro?
E. M.: Em relação aos Estados Unidos, Europa e Ásia, o Brasil e a América Latina de forma geral possuem uma capacidade instalada muito baixa de data centers de alta performance e disponibilidade, bem como um número relativamente pequeno de provedores de serviços terceirizados de data center com capacidade e estrutura adequadas para atender as demandas das empresas brasileiras. Além disso, os data centers são muito concentrados no estado de São Paulo em relação ao restante do país. Essa concentração prejudica o oferecimento de TI de forma melhor distribuída, na medida em que desafios de latência e disponibilidade são enfrentados em grande parte do território nacional.
DCD: Em relação a outros mercados, qual é ponto forte do mercado de data center brasileiro?
E. M.: Apesar dos desafios e das carências estruturais em termos de infraestrutura de suporte à tecnologia (de forma ampla, não somente em relação a data centers), o Brasil possui um enorme contingente de cidadãos conectados que impulsionam as empresas e o governo a adotarem cada vez mais soluções digitais que melhorem a qualidade dos serviços. Essa demanda desafia os profissionais de infraestrutura de TI a adotarem soluções criativas para darem suporte à expansão destes serviços, mesmo com recursos muitas vezes limitados.
DCD: Dentro do setor de data center o Nordeste é a região que vem despontando por conta da implantação dos cabos submarinos em Fortaleza. A Green4T tem planos para o Nordeste?
E. M.: Acreditamos que a infraestrutura de TI no Brasil passará por um movimento de descentralização, impulsionada por tecnologias que demandam processamento em borda (Edge Computing) em menores latências. Possuímos mais de 40 contratos ativos no Nordeste, e acredito que somos o maior provedor de serviços de infraestrutura de TI da região. Vemos o Nordeste como uma grande oportunidade, não somente em Fortaleza, mas também em várias outras cidades e estados que estão passando por movimentos de digitalização.
DCD: Além do Brasil, em que outro país da América Latina a Green4T vem apostando e por quê?
E. M.: Temos boas perspectivas no Chile, Colômbia e Peru. Além disso, apesar do momento de instabilidade, temos uma equipe muito forte na Argentina e acredito na retomada do crescimento no país.
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