Na quarta-feira, 08 de novembro, às 10h30, Hugo Zanon, Development Lead LATAM, Data Horizon Americas, participará do painel “Quais estratégias são necessárias para acelerar o processo de construção de data centers no Brasil?” no DCD>Connect São Paulo. O painel contará com a participação de especialistas e líderes no segmento que debaterão sobre os diversos pontos e questões a se levar em consideração no momento de planejar e construir Data Centers.

O evento DCD>Connect acontece nos dias 7 e 8 de novembro no Sheraton São Paulo WTC Hotel, reunindo mais de 800 executivos da cadeia de fornecimento e design de Data Centers.

Quais são os principais fatores que tornam o Brasil um mercado tão atrativo para investidores de data centers?

Em primeiro lugar, o Brasil é o maior mercado de Data Centers de toda a América Latina, o hub da região, o que já seria suficiente para receber a maior quantidade de investimentos pela proporcionalidade em termos de população e tráfego gerado.

Sendo um mercado já consolidado neste setor, o Brasil constitui-se naturalmente, sempre que viável tecnicamente, como uma alternativa mais rápida, mais confiável e mais econômica (fator de escala) para expansão das plataformas de cloud e dos data centers corporativos, em detrimento dos esforços e maiores recursos necessários para ingressar em novos mercados, somados à inerente curva de aprendizado nestes casos.

Além da maior demanda para serviços de data center, o Brasil possui uma posição geográfica estratégica no continente para atender outros mercados, uma robusta malha de conectividade doméstica e internacional, principalmente por cabos submarinos, e uma matriz elétrica predominantemente baseada em fontes renováveis de energia, com tarifas competitivas comparadas aos mercados internacionais.

Estas características são essenciais principalmente para os “workloads” associados às aplicações em IA, em que o custo do kWh deverá desempenhar o protagonismo na tomada de decisão.

Que critérios os investidores globais consideram ao escolher o local de construção de um data center no Brasil? E qual a melhor estratégia de investimento, compra ou aluguel?

Em um mundo globalizado com recursos limitados, é natural que o Brasil entre na competição pelos investimentos disponíveis no mercado de capitais. Os EUA e os países asiáticos continuam atraindo os maiores volumes de recursos para o desenvolvimento de novos projetos.

A previsibilidade e estabilidade política, econômica e fiscal, juntamente com os incentivos à instalação e operação dos data centers, colaboram fortemente para a mitigação de riscos e a obtenção de maiores rentabilidades do capital investido.

Uma vez decidido que o Brasil será o destino dos investimentos, o local a ser escolhido deverá levar em consideração, entre outros: a disponibilidade e confiabilidade do fornecimento de energia, além do custo; a matriz de conectividade e oferta de fibra escura; a complexidade para obtenção de licenças de construção e nas questões ambientais; a logística e malha viária disponível para a construção e durante toda a operação; a maturidade da cadeia de suprimentos e a disponibilidade de pessoal qualificado à operação.

Qual é o impacto econômico de longo prazo da construção de data centers nas comunidades locais?

Apesar do setor de Data Centers utilizar um número reduzido de pessoas em sua operação comparado a outros segmentos de mercado, boa parte dos empregos gerados, via de regra, são absorvidos pela população local e remuneram acima da média nestas comunidades.

Na realidade, a operação de um data center promove um efeito “gravitacional” ao longo do tempo, ao atrair investimentos em infraestrutura civil, em redes elétricas e conectividade à região, além de incentivar a migração de profissionais para morar no entorno destas instalações. Assim, no longo prazo, o desenvolvimento do ecossistema associado a estas operações será altamente benéfico.

Por outro lado, o grande desafio aos data centers está relacionado ao impacto ambiental que as obras e a operação propriamente dita podem provocar na economia local dessas comunidades. Em um primeiro momento, é imprescindível que os estudos ambientais sejam realizados de forma criteriosa de maneira que a fauna, flora e os recursos hídricos não representem qualquer risco à população e à biosfera local.

Para a operação propriamente dita, deverão ser certificados e monitorados o nível de ruído gerado, o potencial de contaminação do solo, a qualidade do ar e o consumo dos recursos como energia e água, de forma a evitar as indesejáveis moratórias que temos visto em alguns mercados europeus, como Holanda e Irlanda.

Quais são as principais inovações tecnológicas que estão moldando o futuro da construção de data centers?

Estamos acompanhando uma série de inovações tecnológicas que devem transformar essa indústria nos próximos anos. Tanto a geração, transmissão e distribuição de energia (“smart grids”) quanto os próprios data centers deverão utilizar cada vez mais a IA para aprimorar seus “Energy Management Systems” objetivando otimizar o uso sustentável de energia (o Google anunciou que pretende cortar a energia quando detectados problemas com o grid). Os geradores deverão substituir o diesel por combustíveis biológicos, que também serão substituídos paulatinamente por sistemas de baterias. Os “microgrids” estão evoluindo para dar conta da explosiva demanda de energia pelas aplicações em IA, de forma que o novo paradigma do BYOP (“Bring Your Own Power”) deverá se transformar em realidade nos próximos anos.

Apesar de alguns desafios na produção, transporte e armazenamento, o hidrogênio verde deverá caminhar a passos largos, principalmente no Brasil, que recentemente realizou testes de produção a partir do etanol. Para aumentar a eficiência energética, além das soluções de “liquid colling” para os racks de alta densidade, ou de forma imersiva, espera-se a eliminação completa das máquinas mecânicas de ar-condicionado pelo uso massivo do “free cooling”, impulsionado pela elevação das temperaturas operacionais nos data halls, associado à eliminação do piso elevado.

Em relação às construções, o progressivo uso de estruturas ”pre-cast” modulares e replicáveis, baseadas em concreto, aço e materiais orgânicos recicláveis devem contribuir para o advento de edificações mais sustentáveis. A adoção de forros técnicos herméticos deverá reduzir drasticamente as perdas térmicas. Ainda, a construção cada vez maior de Edge Data Centers também deverá contribuir para soluções mais “verdes”.