Um estudo da Frost & Sullivan aponta que a receita para data centers na América Latina alcançará R$3.8 milhões de dólares até o final deste ano. Atenta à previsão, a Equinix fechou parceria com a Ciena, empresa de estratégia de rede e tecnologia, e adotou uma nova arquitetura para os data centers de São Paulo e Rio de Janeiro.
"Temos orgulho de ser a primeira empresa de tecnologia a implantar essa tecnologia de rede de alta capacidade na América Latina. Conectividade é essencial para garantir operações de TI confiáveis; a interconexão pode efetivamente impulsionar a Transformação Digital. Nossa nova arquitetura nos permite interconectar pessoas e dados à nuvem e outras tecnologias que são relevantes para o negócio de nossos clientes", disse o gerente de Marketing e Soluções da Equinix, Wellington Lordelo, que entrevista revela detalhes da nova parceria com a Ciena. Confira:
DatacenterDynamics: Em que aspectos a nova infraestrutura da Equinix é diferente da que está atualmente disponível no Brasil?
Wellington Lordelo: A infraestrutura da Equinix no Brasil teve grandes avanços, nos últimos anos. Mas ainda existe muita coisa que pode ser feita. Como maior provedora de interconexão do mundo, as plataformas da Equinix e seus serviços estão bem alinhados com a orquestração híbrida de tecnologia, que está ganhando espaço no mercado agora. A maioria dos provedores de serviço hoje em dia está analisando uma grande variedade de soluções que combinam redes de fibra, sem fio, terrestre, e/ou satélites para atender as crescentes demandas da banda larga.
DCD: Quanto da infraestrutura de data center do Brasil, Rio de Janeiro e São Paulo representam?
W. L.: Em termos de data centers no Rio de Janeiro e São Paulo, a 451 Research aponta que o Brasil é composto de 26 metros e mais de um milhão de pessoas; no entanto, a capacidade multi-tenent de data center (MTDC) está concentrada nos dois principais metros de Rio de Janeiro e São Paulo. A maioria da capacidade do MTDC, que soma por volta de 65%, está localizada no Rio de Janeiro e em São Paulo. É importante destacar que aproximadamente 75% dos data centers no Brasil ainda são instalações no local. MTDC soma apenas 30% do mercado, o que mostra que existem muitas oportunidades para aumentar o modelo de terceirização no país.
DCD: Existe previsão de mais investimento no mercado de data center em São Paulo e Rio de Janeiro? Quais são as tendências específicas para o mercado brasileiro nesse setor?
W. L.: De acordo com a 451 Research, a oferta de MTDC no Brasil aponta para um crescimento até 2020 à medida que os provedores continuarem trazendo a capacidade operacional necessária de data centers operacionais para o mercado. A Frost & Sullivan prevê que novos data centers no Brasil irão suportar a demanda para provedores de nuvem na América Latina; e as soluções tradicionais de armazenamento e recuperação de desastres perderão participação de mercado em ambientes de nuvem IaaS. A Equinix fez investimentos para aumentar a área de cobertura de data center, incluindo uma nova arquitetura de rede que implementamos a partir de tecnologias da Ciena. A rede oferece interconexão para empresas e suporta conexões de alta densidade com custos de transmissão mais baixos, atualmente em São Paulo. O Rio de Janeiro é o próximo a seguir esses passos.
Em termos de tendências da indústria, estamos acompanhando algumas que continuarão ajudando a impulsionar a Transformação Digital na região. A multicloud, por exemplo, está ganhando força no Brasil e está apoiando a estratégia digital, usando principalmente modelo híbrido. Segundo a IDC, a contratação de Paas, IaaS e SaaS chegará a R$1.7 bilhão de dólares este ano e quase dobrará em 2020. Outsourcing é outra tendência que está crescendo, com aumento de 13% na adoção da terceirização no Brasil. Este número continuará a crescer à medida que os mercados locais implementarem mais estratégias digitais.
DCD: Quais outros países da América Latina estão bem posicionados para este tipo de tecnologia? Que tipo de investimentos municípios e empresas locais precisam fazer?
W. L.: De acordo com a Frost & Sullivan, vários países latino-americanos apresentam boas oportunidades de negócios para o desenvolvimento futuro da tecnologia. A maturidade tende a ser maior no Brasil, no Chile, na Colômbia e no México; no entanto, existem diversos outros países da região que estão constantemente se recuperando e mostrando um grande potencial. Segurança é um investimento crítico que as empresas devem considerar ao implantar novas tecnologias. Investir em automação também é um aspecto importante. Um estudo recente realizado pela ACG Research e pela Ciena indicou que aproximadamente 75% dos provedores de rede esperam uma automação de rede significativa ou completa nos próximos cinco anos. Para permanecer competitiva neste mercado, é preciso automação, redução dos custos operacionais, processos simplificados e satisfação do cliente de alta qualidade e adoção de novas tecnologias são essenciais.
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