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DCD - Qual é a necessidade de resposta do novo data center do Banco Rural? O que motivou o avanço para a nova infraestrutura de TI?

Marcelo Farinha, diretor administrativo e responsável pela área de tecnologia da informação do Banco Rural.

O Banco Rural decidiu investir na construção de novos data centers para garantir seu crescimento com total segurança operacional. Saindo da proposta normalmente encontrada em seu segmento, de um data center principal e outro de backup, o Rural apostou em uma operação contínua entre dois data centers, por meio da replicação dos ativos de tecnologia de informação somada à replicação de dados via storage. O investimento de R$ 15 milhões garantiu maior disponibilidade, segurança e qualidade de seus sistemas com a adoção das melhores práticas de mercado, além da redução dos riscos perante aos acionistas, investidores, clientes e agências reguladoras, o que trouxe flexibilidade e agilidade nas tomadas de decisões e a continuidade dos negócios.

DCD - Onde é esta localizado seu data center?  A decisão de instalar o data center neste local  foi  baseada em quais critérios, por exemplo clima, conectividade, etc?

Wagner Lopes Fontes, gerente de tecnologia da informação

O Data Center 01 está localizado no  Bairro de Santa Tereza, em Belo Horizonte. 

O Data Center 02 está no mesmo local da sede do Banco, no centro de Belo Horizonte. Os principais critérios que balizaram a escolha do local foram segurança, vias de acessos, região com amplo fornecimento de produtos de Telecomunicações, topologia do terreno e, por fim, duplo acesso a rede de energia. 

DCD - Tenho entendido que se optou por dois data centers paralelos. Quais são as vantagens desse sistema? O funcionamento operacional seria um data center redundante do outro? Caso contrário como garantir a disponibilidade das operações?

Wagner Lopes Fontes, gerente de tecnologia da informação

São varias as vantagens vislumbradas neste cenário, mais a principal é o baixo tempo de downtime no caso de contingência. Geralmente as instalações que usam o conceito de backup são surpreendidas com alguns pontos desatualizados quando necessitam optar pelo uso do site backup. A tecnologia é dinâmica e manter o site de backup sempre atualizado requer muita disciplina e processos muito bem definidos, e nem sempre é assim.

Os dois data centers são interligados por duas rotas distintas de fibra e as abordagens nos data centers são por via área e subterrânea. Existem replicações de dados via storage e o conjunto de servidores e mainframe são similares nos dois ambientes.

DCD - Quantos metros quadrados possui cada um dos data centers?  Destes, quantos correspondem a salas técnicas?

Wagner Lopes Fontes, gerente de tecnologia da informação

O Data Center 01 tem 900m2. Temos um prédio projetado para ser data center além das áreas administrativas. As salas técnicas possuem aproximadamente 300 m2. Toda a estrutura é compartimentada. Destacamos neste ambiente a sala de quarentena para recebimento e desembalagem dos equipamentos antes de irem para a sala de servidores, corredor térmico para abrigar as maquinas de ar condicionado de precisão e a sala de Telecom para concessionárias. 

Já o Data Center 02 possui 180 m². As áreas administrativas são compartilhadas com a estrutura do prédio da Administração central.

DCD - Que características técnicas (refrigeração, elétrica, monitoramento ou outros) destacaria do projeto?

Wagner Lopes Fontes, gerente de tecnologia da informação

O prédio do Data Center 01 utiliza fibra ótica e cabeamento estruturado, categoria 6a da Panduit, para a estrutura de dados e telefonia VOIP. Toda a tubulação está concentrada em SHAFT nos andares. Os ambientes são monitorados e o sistema de prevenção e combate a incêndio estão presentes tantos nas salas quanto interior dos quadros elétricos A redundância está presente nos quadros elétricos, no ar-condicionado de precisão da Mitsubishi e nos UPS EATON (nobreaks), que garantem a menor taxa de downtime disponível no mercado.

O piso suspenso possui 60 cm de altura e possui três níveis de canaletas. Sendo o primeiro nível elétrico, o segundo cabos de dados e fibra ótica e o terceiro automação.

Os quadros possuem monitoramento on-line de parâmetros como potência, corrente, tensão, desligamento de disjuntores, etc. Estes quadros são projetados e construídos para viabilizar a substituição dos disjuntores, que são do tipo extraíveis Plug-in (colocação e retirada de disjuntores com o quadro energizado). Sistema de fornecimento de energia para os Racks que garante flexibilidade, confiabilidade, disponibilidade, organização além de baixa obstrução de ar sobre o piso elevado. Através de medidores com porta IP, permite o monitoramento da corrente e demais parâmetros do mesmo via sistema de monitoramento. Neste barramento são conectadas as caixas de tomadas elétricas, juntamente com disjuntores. Todas as caixas de tomadas ligadas ao Busway são do tipo extraíveis (plug-in).

Também como destaque, os painéis e unidades de distribuição inteligentes (PDU) para Racks. As réguas recebem um circuito trifásico e desmembram em três circuitos bifásicos independentes. Cada circuito tem seu medidor de voltagem, como também gera informações de temperatura e umidade, o que garante maior  eficiência energética e refrigeração dos ativos do rack. Outro fator relevante neste item é a economia de cabos e consequentemente melhor fluxo de ar sob o piso.

Apesar de ter menor importância neste contexto, a iluminação das salas técnicas é toda ela de LED. A iluminação com LED consome menos energia que a maioria das outras tecnologias, dura mais e requer menos manutenção. Não possuem start nem reator com isso reduz riscos de incêndio.

O cabeamento lógico do Data Center é composto por  solução de Cabeamento em Zonas (MDA, HDA, ZDA e EDA).

Equipamentos como o grupo motor gerador (GMG), UPS, a central de detecção e combate de incêndio,  ar-condicionado, inundação de piso, quadros elétricos e abertura das portas,  são monitorados e operados em uma console central via IP (padrão de interconexão). Qualquer anormalidade no ambiente é relatada nos consoles na central de operação de rede (Network Operations Center-NOC). Paralelamente, os técnicos de suporte recebem mensagens de texto em seus celulares.

DCD - Poderia comentar estas características em um nível técnico? Qual foi a opção de refrigeração e geração de energia do Banco Rural?

Wagner Lopes Fontes, gerente de tecnologia da informação

Subestação local, dois grupos motor gerador (GMG) e placas de energia solar para áreas administrativas do data center. A subestação é composta por um transformador carenado de 300 KVA.  O grupo motor gerador é composto por dois motores Cummins de 230 KVA, que partem em conjunto toda vez que falta energia da concessionária. Cada grupo gerador possui dois tanques de combustível de 250 litros cada um e são abastecidos por gravidade evitando assim desperdício e sujeira dentro do ambiente. A sala das UPS tem controle de acesso por crachá e senha e o ambiente é refrigerado para garantir maior eficiência e durabilidade das baterias. A solução de ar condicionado possui duas máquinas de precisão Mitsubishi exclusivas para a sala de servidores que alternam sua operação.

DCD - O gás anti-incêndio utilizado oferece quais vantagens e quem seria o fornecedor?  Que outros sistemas de segurança física e lógica foram implementados?

Wagner Lopes Fontes, gerente de tecnologia da informação

O sistema de prevenção a incêndio trabalha por aspiração e processamento a laser das partículas do ambiente. O combate utiliza o agente FE–25 (E-caro25) da Dupont, considerado um dos mais eficientes do mercado e superior a qualquer sistema de agente limpo (não agride o meio-ambiente).

A segurança é garantida por controle de acesso biométrico, para os locais de maior controle; crachás e senhas, para as demais salas, além de um circuito fechado de televisão e segurança armada 24 horas.  O edifício conta com elevador, banheiros e sinalizações específicas, sendo totalmente acessível às pessoas com deficiência.

DCD - Com relação ao cabeamento, o data center possui um anel de fibra óptica?

Wagner Lopes Fontes, gerente de tecnologia da informação

Sim. Os dois data centers usam fibra ótica dedicada para se comunicar. A solução, proposta apresenta caminhos distintos com total redundância, com entradas subterrâneas, áreas independentes e rotas que não se cruzam em nenhum momento, aumentando ainda mais a segurança no serviço. A fibra óptica dedicada possui velocidade de 10 Gbps (giga bites por segundo) e capacidade de tráfego ilimitada.

Com a implementação da fibra óptica dedicada, o Banco Rural também pôde avançar no sistema de videofone, que facilita a comunicação entre suas unidades; além de reforçar o atendimento às normas dos órgãos reguladores, que cobram a alta disponibilidade de informações.

DCD - Qual é o nível de eficiência do data center (PUE)? Que medidas com o foco em sustentabilidades foram adotadas (Free cooling, corredores quentes/frio, uso de alta densidade, etc.)?

Wagner Lopes Fontes, gerente de tecnologia da informação

- Corredores quentes/frio;

- Painéis e unidades de distribuição inteligentes (PDU),que recebem um circuito trifásico e desmembram em três circuitos bifásicos independentes. Cada circuito tem seu medidor de voltagem, como também gera informações de temperatura e umidade , o que garante maior  eficiência energética e refrigeração dos ativos do rack.

- O sistema de prevenção a incêndio trabalha por aspiração e processamento a laser das partículas do ambiente. O combate utiliza o agente FE–25 (E-caro25) da Dupont, considerado um dos mais eficientes do mercado e superior a qualquer sistema de agente limpo (não agride o meio-ambiente).

- O prédio também possui sistema de prevenção e combate a incêndio convencional, sistemas de placas solares que captam energia para aquecimento da água usada em suas áreas administrativas, como copa e banheiros. 

DCD - O data center do Banco Rural possui com algum tipo de certificação (Tier III, Green Grid, Uptime Institute)?

Wagner Lopes Fontes, gerente de tecnologia da informação

Não. Apesar do DC01 ter sido  construído para receber o Selo TIER III, concedido pelo Uptime Institute, entidade internacional especializada em homologação de data centers de grande porte. O selo atesta que a infraestrutura está preparada para funcionar 99,98% do tempo durante os 365 dias do ano.

DCD - Quem foram os parceiros tecnológicos que trabalharam na construção do data center?

Wagner Lopes Fontes, gerente de tecnologia da informação

Digicomp para as soluções de data center e EPO na parte de construção civil.

DCD - Brasil é o maior motor do mercado de data center na América Latina de acordo com todos os consultores. Porém, existem relatórios de que seria um lugar arriscado para se ter um data center. Como conciliar essa discrepância, especialmente em um setor como o bancário, que exige uma segurança ainda maior?

Marcelo Farinha, CIO do Banco Rural

Apesar do relatório ter apontado deficiências do nosso mercado, como custo de energia elétrica e a dificuldade de fazer negocio como os principais fatores deste relatório, o mercado parece não ter dado muita importância aos fatos. Provedores de serviços mundiais e locais dos mais variados portes investem fortemente nas certificações de seus data centers bem como diversificação de seus portfólios de serviços.

Na vertical de serviços bancários não é diferente. Tanto as grandes intuições financeiras quanto as demais vem investindo na construção e na reformulação de seus data centers. Os fatores não devem ser desprezados, mas entendemos que estas dificuldades estão mais presentes no prestador de serviço. No caso do Rural, estamos investindo fortemente em governança corporativa. Mapeamento, revisão e automação dos processos usando ferramentas consolidadas, BPM, barramento corporativo e novas aplicações consumindo serviços no mainframe nos credencia a sermos mais disponíveis e seguros.