Conteúdo Arquivado

O conteúdo a seguir é de uma versão mais antiga deste site e pode não ser exibido corretamente.
Reconhecida no Brasil pela Controladoria Geral da União (CGU) com o selo ético que demonstra forte compromisso com a ética e integridade, a Johnson Controls vem atuando no mercado brasileiro de data center há mais de 10 anos. A empresa está envolvida na consolidação do data center do Itáu Unibanco em Mogi Mirim - SP. Um dos maiores investimentos privados já realizados no Brasil nos últimos anos, a primeira fase da obra deverá ser concluída ainda no início deste ano.
Com clientes em mais de 150 países, a Johnson Controls é uma empresa global, com foco em tecnologia, atua através de 170.000 colaboradores oferecendo produtos, serviços e soluções de otimização, eficiência, operação de edifícios, baterias para veículos convencionais, híbridos e elétricos e também sistemas de interiores e componentes para automóveis.
 
DatacenterDynamics: Como foi o trabalho realizado no data center do Itaú.
Gilberto Dantas: A Johnson Controls instalou os Sistemas de Automação Predial, Sistema de Detecção e Alarme de Incêndio com avançado sistema de detecção precoce utilizando sistemas de aspiração.  Recentemente, fomos escolhidos para fornecer também os sistemas de Controle de Acesso, Sistemas de CFTV com mais de 2500 câmeras e Sistemas de Intrusão.
O data center possui características de Tier III e Tier IV. Hoje ao redor do mundo, a Johnson Controls contabiliza mais de 450 projetos em data centers, onde não só desenvolvemos projetos, como também operamos todo o parque de tecnologia. 
No Brasil fomos pioneiros na construção de dois data centers de um importante cliente em São Paulo e Rio de Janeiro. Foram erguidos no ano 2000 e naquela época foram certificados como class V. Poucos data centers no mundo possuem este grau de certificação, foram baseados em metodologia Six Sigma e nossos sistemas propiciam juntamente com um projeto extremamente cuidadoso em uma edificação com 99,99999% de disponibilidade. Recentemente completamos 13 anos de operação sem nenhuma interrupção.
 
DCD: Gostaria que comentasse a solução de data center modular que é 100% similar a modelos convencionais da Johnson Controls.
G.D.: A principal vantagem da modularidade é que produzimos em módulos as Centrais de Utilidades (Cooling Unit e Power Unit) de forma sequencial, assim os módulos são entregues completamente prontos e montados e já certificados, seguindo as mais atuais normas existentes. Produzimos estes módulos há mais de 20 anos nos Estados Unidos.
O site modular ainda conta com Sistemas de Detecção de Incêndio com detecção precoce e combate por gás, Sistema de PDU, UPS, RPP, cabines, transformadores e Geradores.
Além disso, já são fornecidos com Sistemas de Controle de Acesso, Sistemas de CFTV e Vigilância além de um software de DCIM para uma completa operação em tempo recorde.
Uma instalação utilizando a tecnologia Modular reduz o tempo de implementação em cerca de 25% e tem custo reduzido da ordem de 20%.
Nós estamos discutindo com alguns clientes novos projetos que poderiam utilizar essa tecnologia inovadora que já temos instalada nos Estados Unidos e na Europa e a demanda não para de crescer.
 
DCD: Data centers modulares serão o futuro? Por quê?
G.D.: Há uma crescente necessidade de expansão da capacidade de tráfego dos dados nos dias atuais, o Brasil ainda é muito carente de infraestrutura tanto física, quanto virtual. Por mais que exista a utilização cada vez mais da computação em cloud, não devemos esquecer que toda estrutura lógica precisa em algum momento de uma estrutura física, de um data center para poder ser viabilizada.
A própria necessidade das empresas da guarda adequada dos dados de seus clientes, o crescimento das redes sociais, do comércio eletrônico, transações bancárias e assim sucessivamente, tem multiplicado de forma exponencial a demanda por capacidade de tráfego, armazenamento e processamento de dados.
Nesse cenário, as soluções modulares expansivas são perfeitas, pois possuem um prazo muito menor quando comparadas com soluções convencionais. Podemos utilizar também estas soluções não somente como substitutas de modelos convencionais, mas também como sites de backup, sites de contingência, sites de redundância e outras aplicações em que se faça necessária, em que a praticidade de uma solução rápida, que possa até ser movida de um lugar para outro, possa ser utilizada.
Sendo assim, por mais rápidos e competentes que sejamos, uma construção de um data center de grande porte, usando um modelo convencional demora cerca de 9 meses para ficar pronta, enquanto os modulares precisam de mais ou menos de 180 dias, além de serem mais baratos.
 
DCD: As empresas brasileiras estão investindo em data center?
G.D.: As empresas das mais diversas áreas têm investido muito em data center. Temos visto também um grande incremento de empresas que investem em data centers para colocation.
Mas além destas há aquelas que utilizam data centers próprios para seu próprio tráfego, mas se conversar com as pessoas de mercado a opinião vai ser quase a mesma, a velocidade que construímos parece estar abaixo da velocidade da demanda. Acredito que teremos nos próximos anos um grande avanço no mercado de data centers não só no Brasil, mas também em toda a América Latina, Europa e Ásia.
 
DCD: No que tange a data center, qual é o segmento que é o ponto mais crítico? Por quê?
G.D.: Um projeto de data center é diferente de outros em um detalhe muito específico, performance.
É necessário um projeto que seja o mais imune a falhas possível. Para se conseguir isto é necessário um protocolo de projeto e teste, focando o projeto como um todo. Ter uma falha de um sistema mecânico de ar condicionado, por exemplo, deve ser percebido no mesmo instante por um sistema de controle que deve fazer a substituição funcional deste por outro de forma precisa, rápida e sem erros.
Um site de missão crítica precisa de testes de desempenho que garantam toda essa inteligência e isso demanda tempo para ser completado.
Infelizmente em muitos casos os sistemas inteligentes são contratados tardiamente e toda a vantagem de redução de custos com eliminação de conexões desnecessárias, tempo para executar os devidos testes em plataforma, eliminação de adicionais futuros e assim sucessivamente são perdidos.
No mercado americano, os sistemas de controle são contratados normalmente na etapa preliminar, muitas vezes na terraplanagem, isso possibilita sinergias que economizam milhões de dólares.
Eu já tive de oportunidade de trabalho neste estilo de contratação aqui no Brasil e posso garantir que é o melhor caminho que um projeto poderia escolher, pena que nem sempre temos esta condição. 
 
DCD: O Brasil ainda carece de profissionais de data center?
G.D.: Não só o Brasil, mas o mundo ainda carece desses profissionais, que são muito especializados e precisam entender muito bem de diversos setores, uma instalação de missão crítica demanda uma grande quantidade de profissionais extremamente qualificados. Como a demanda por este tipo de construção não para de crescer, eu arriscaria dizer que podemos cair algumas vezes na mão de curiosos.
As empresas especialistas na concepção e construção dos data centers não aparecem todos os dias, são empresas de muito tempo que prezam pela qualidade e pela  proteção de seus clientes, durante as etapas da concepção, construção e entrega.
Um projeto de missão crítica necessita de qualidade extrema em todos os passos desta cadeia, por esta razão que ainda precisamos de mais especialistas,. Se você olhar para o mercado brasileiro de projetos de data centers, vai localizar 3 ou 4 empresas que fazem isto muito bem há mais de 20 anos.
O investimento da construção é muito alto, não compensa o risco de incluir curiosos, o processo de formação é longo já que envolve tanto questões técnicas e teóricas, quanto questões práticas, que só a vivência traz como background.
 
DCD: É sabido que um data center deve ser seguro, controlado e permitir administração local e remota a qualquer momento. Como garantir a operação em um ambiente adequado, produzindo informações sobre as condições do data center?
G.D.: O projeto tem que ser muito bem concebido desde o principio, precisa ter todas as variáveis que sejam importantes para determinar a operação e também ter uma distribuição de elementos de campo, sejam eles sensores, controladores, módulos de integração serial, a perfeita combinação destes dispositivos é que torna possível a aquisição dos dados que são utilizados para um perfeito controle e monitoração.
Também é necessário pensar o software de controle como um todo, que possua as redundâncias, adequadamente dispostas, de forma a garantir a operação contínua e livre de falhas.
O tratamento dos alarmes e eventos é parte vital no funcionamento de uma instalação de missão crítica. 
 
DCD: O Brasil possui poucos data centers verdes?
G.D.: Sim, ainda são poucos, mas já temos alguns cases Johnson Controls com Cerfiticação Leed. Por exemplo, o data Center da Vivo em Santana do Parnaíba e o da Data Center Bovespa. 
 
DCD: Edifícios inteligentes serão tendência no país?
G.D.: Eles já são tendência. A Johnson Controls instala sistemas inteligentes para edifícios no Brasil desde 1988, e nos EUA desde 1965. 
É possível dizer que a partir da metade dos anos 90, os projetos das edificações foram incorporando cada vez mais os sistemas inteligentes, hoje em dia é raro - e eu até mesmo diria impossível - conceber uma edificação nova sem sistemas inteligentes de controle, estes sistemas já são parte integrante de qualquer projeto de edificação desde pequeno porte até sistemas mais complexos.