O mercado de DCIM [Gerenciamento de Infraestrutura de Data Center] está se movendo a todo vapor, com a Emerson Network Power e a Schneider Electric ficando firmemente à dianteira com soluções que prometem englobar o data center como um todo.
A suíte de operações da Schneider Electric foi anunciada no ano passado. O produto roda em clusters de servidor com equilíbrio de carregamento, escalação ilimitada e escolha opcional de servidor. Ao utilizar o StruxureWare, os operadores do data center podem realizar planejamento de localização física, análise de fluxo de ar, comunicação VMware vSphere e Microsoft System Center VMM para um gerenciamento de servidor virtualizado. Ela também abrange as funções de espaço padrão, energia, resfriamento e rede, entre outras áreas.
A proposta Trellis, da Emerson Network, está baseada em suas aquisições da Aperture e da Avocent em 2009. Com o lançamento do Trellis, a Emerson aumenta seu conjunto de ferramentas de monitoramento para incluir servidor, armazenamento e infraestrutura de rede e consumo de energia.
As duas empresas dizem estar avançando na área de DCIM com suas propostas de produtos com tudo incluso, que vêm com a promessa de controle sobre todo o data center. Colocamos as duas empresas lado a lado para ver como suas visões sobre o setor relativamente novo de DCIM tem tomado forma. (Para ter uma base, leia nossa cobertura anterior sobre ambos os produtos em nossa edição especial sobre DCIM na FOCUS, Edição 17.)
Steve Hassell, presidente da divisão de DCIM da Emerson, Avocent, e Kevin Brown, VP de Produto Global de Data Center na Schneider Electric, apresentam um ao outro suas dúvidas mais importantes nesta discussão. Veja o que disseram:
P. KEVIN BROWN (Schneider Electric): O que é DCIM e, mais importante, o que não é DCIM?
R. STEVE HASSELL (Emerson Network Power): O DCIM está unindo a camada de infraestrutura de TI e a camada de infraestrutura física para operarem como uma só. É essencial virtualizar a infraestrutura física, assim como aconteceu à camada de infraestrutura de TI. Tapar esse buraco ainda é algo muito abrangente, então, para que isso aconteça, é preciso estabelecer fronteiras.
O DCIM não ultrapassa o hypervisor no lado da TI. Ele está no hypervisor porque é preciso ter uma ideia do que está acontecendo no lado da TI - esse é o lado da exigência da equação. É preciso entender o que está acontecendo para que se possa tomar as ações corretas.
Eu não acho que uma ferramenta de DCIM move fisicamente cargas virtuais. Eu também não acho que seja uma ferramenta de gerenciamento de TI envolvida em ANS. Ele começa realmente com o local da exigência e se estende à infraestrutura física, e, depois, se sobrepõe um pouco, mas para antes de onde o sistema de gerenciamento do prédio (BMS) está localizado. Você acaba com o DCIM no topo, com o BMS ao hypervisor, onde há uma interface com o sistema de gerenciamento virtual e o banco de dados de gerenciamento de configurações que podem interagir com os elementos essenciais de TI.
P. STEVE HASSELL (Emerson Network Power): O que você tem ouvido dos CIOs com relação às necessidades críticas que os orientam para gerenciar melhor sua infraestrutura física e integrá-la à infraestrutura dos sistemas lógicos?
R. KEVIN BROWN (Schneider Electric): A maioria dos CIOs está sendo guiada pela tendência de "fazer mais com menos". No contexto de uma infraestrutura física de data center, isso cria uma tensão entre obter mais eficiência energética e ficar mais alinhado com os negócios ao passo que não se recebe nenhum alívio das exigências de responsabilidade. Para ter mais eficiência energética, eficiência operacional e eficiência no uso de capital, um data center deve reduzir suas margens de segurança.
Essa redução na margem de segurança resulta na necessidade de três coisas: melhor planejamento e comunicação entre as instalações e a TI; arquiteturas de data center mais flexíveis; e melhores ferramentas para gerenciar a infraestrutura. É falta de visão achar que isso é apenas uma conversa sobre ferramentas de software - é sobre planejamento, comunicação, processos corporativos e ferramentas de software.
P. KB: Como um cliente inicia um implementação de DCIM?
R. SH: Você precisa de uma abordagem de modelo de maturidade. Primeira etapa: entender o que você tem. Se você não sabe o que está começando é inútil discutir como obter o controle sobre isso. Nesse ponto, você pode partir para a segunda etapa, que é começar a aplicar um monitoramento de informações em tempo real em todo o data center. Isso consiste em obter informações de status sobre o que está acontecendo. A partir daí você pode começar a fluir as informações através do data center.
Então, você estará pronto para o próximo estágio, o que eu chamo de análise e diagnóstico. Você pode começar fazendo perguntas analíticas sobre as informações que estão fluindo, tais como "Eu tenho capacidade o suficiente? Onde devo colocar o próximo dispositivo? Quanto tempo até que ele se esgote?" Assim que obtiver essas respostas você pode começar a criar regras. Depois, você pode automatizar todo o processo e permitir que os operadores humanos se afastem e deixem o sistema operar de modo mais dinâmico.
A boa notícia é que cada etapa desse modelo de maturidade paga-se a si mesmo do ponto de vista do ROI [Retorno Sobre o Investimento].
P. SH: Práticas de projetos de data center tradicionais têm envolvido diversos níveis de margens de energia, resultando em uma capacidade inutilizada e menos eficiência. Como o DCIM pode ajudar a recapturar alguma dessa capacidade sem comprometer a disponibilidade?
A. KB. A ação real no futuro vai ser a simulação de possíveis mudanças. Podemos modelar um data center hoje e, quando estiver implementado apropriadamente, um solução DCIM deve ser capaz de simular mudanças completamente antes que aconteçam. Esse é o Santo Graal, que só virá através de uma arquitetura de infraestrutura física coordenada e bem planejada, Assim como um bom entendimento dos requisitos de TI.
Essa simulação será mais importante ao passo que os clientes começarem a implementar “zonas de disponibilidade" em vez de um data center Tier III. Acreditamos que os clientes começarão a pensar em certas zonas no data center que exigem somente Tier I e outras que exigem Tier II.
Finalmente, a virtualização e a migração de máquina exigem uma melhor integração entre as ferramentas de DCIM e o gerenciador da máquina virtual. O software precisará saber que a máquina está migrando para uma zona Tier III e não uma para uma zona Tier I se essa máquina exigir uma Tier III. Isso só vem através da integração entre a ferramenta de DCIM e as ferramentas da máquina virtual.
P. KB: Por que você acha que tem havido uma taxa de adoção tão lenta das ferramentas de DCIM pelos clientes?
A. SH: O termo em si surgiu há poucos anos. As pessoas ainda estão tentando classificar o DCIM. Também há muitos fornecedores dizendo possuir ferramentas de DCIM, e o conjunto de ferramentas de DCIM é bastante imaturo.
Não existia essa plataforma global que lhe permite começar pequeno e expandir. Há uma série de produtos pontuais que você mesmo precisa integrar, o que dá bastante trabalho. Isso não é fácil - você precisa de muitos conjuntos de habilidades. São necessários conhecimentos de termodinâmica, engenharia elétrica e um amplo conhecimento do lado de TI dos data centers e muitas outras áreas para montar uma solução pontual.
As empresas terão prazer em utilizar as ferramentas uma vez que sejam abranges o suficiente e fáceis o suficiente de utilizar, e possam obter ROI e cada etapa.
P. SH: Há uma variedade de novos participantes com abordagens únicas direcionadas ao mercado. Como você vê a evolução dessas diferentes abordagens?
A. KB: No passado, nós víamos empresas propondo estruturas proprietárias por natureza e queriam substituir os sistemas existentes. Os CIOs devem tomar cuidado com uma “empilhadeira” de substituições ou atualizações.
O requisito adicional ao qual os CIOs devem se atentar é a posição do fornecedor do DCIM quanto à abertura. Toda ferramenta empregada em um data center deve utilizar protocolos abertos que proporcionam cada porção dos dados que essa ferramenta contém. Desse modo, os CIOs estão protegidos para o futuro.
Isso não se limita às ferramentas de DCIM, mas, também, ao monitoramento dos sistemas no ambiente físico. Os CIOs devem buscar um monitoramento e sistemas de controle de energia no nível da instalação e plantas de refrigeração que possuam interfaces modernas e abertas implementadas de forma robusta. Essa não é simplesmente uma questão do que está disponível hoje.
A colaboração só virá quando os fornecedores estiverem dispostos a estar completamente abertos