Após concorrer com 11 empresas, a Primesys Soluções Empresariais, subsidiária da Embratel, foi considerada vencedora do pregão de prestação do serviço de Nuvem para o governo. A escolha foi oficializada em dezembro de 2018, pelo Ministério do Planejamento. O valor acordado é de quase R$ 30 milhões.
Com a vitóra no pregão, caberá à Primesys atuar como integradora; por meio dela, a Embratel fornecerá três grandes grupos de serviços. Um deles envolve infraestrutura em Nuvem Pública (servidores virtuais, storage, rede, contêineres, firewalls, soluções de Business Intelligence, sistemas diretório, autenticação, APIs, monitoração, sistemas especializados e afins), que contarão com gerenciamento direto ou por meio de ferramenta de gestão Multicloud com a parceira uStore.
Outro grupo envolve serviços profissionais, que cobrem diversas situações, demandas e necessidades, desde uma configuração ou alteração de regra de firewall, até a montagem de arquiteturas totalmente novas, “cloud-native”, envolvendo integração com esteiras de produção (deploy) ágeis, conectividade com estruturas on-premisses, passando pela migração de workloads existentes em condições diversas, que demandarão diferentes estratégias de atuação (lift-and-shift, replataforming e, até mesmo, re-writes completos). Tudo obedecendo a rígidos padrões de segurança, disponibilidade e governança.
Também incluído no pacote está, fornecer treinamentos, que transferem conhecimento aos funcionários dos órgãos para que eles possam utilizar e operar a Nuvem, de forma autônoma, permitindo que estes servidores, ao término dos cursos, possam se candidatar à certificações consagradas no mercado, tal como a de “AWS Certified Solutions Architect – Associate”, entre outras.
Em conversa com a DatacenterDynamics, Mario Rachid, diretor executivo de Soluções Digitais da Embratel, conta detalhes do processo de preparação e negociação, que terminou com a vitória da operadora, que a partir deste ano de 2019 é a integradora oficial, o broker, para realização de serviços de Computação em Nuvem sob demanda do Governo. Confira.
DatacenterDynamics: Por que você acredita que a Embratel foi a escolhida?
Mário Rachid: A Embratel é muito reconhecida pelos serviços que presta, inclusive de Nuvem, e já se consagra como um dos mais importantes players desse mercado. Para essa licitação, fizemos um grande investimento na preparação, negociação com fornecedores, nos cálculos, nas simulações técnicas e financeiras envolvendo inúmeros cenários e variáveis possíveis, comprovando que somos capazes de fornecer o melhor custo-benefício para o governo. Por meio do projeto apresentado, atingimos o melhor custo associado a um conjunto tecnológico de ponta.
A Embratel passou por todos os trâmites da licitação comprovando a eficiência e excelência dos serviços prestados, e tem se consagrado como um dos maiores integradores e Cloud Broker para importantes órgãos públicos, em todas as esferas. Um deles é o Tribunal de Contas da União (TCU), cuja licitação de Nuvem também foi vencida pela Embratel. Nossos sistemas em Nuvem estão totalmente integrados com nossas soluções de TI e ofertas digitais para companhias de todos os tamanhos, segmentos e regiões do país, incluindo o governo.
DCD: Após concorrer com 11 empresas, para a Embratel qual é a expectativa de ter agora a missão de ser a Cloud Broker do Governo?
M. R.: A Embratel reconhece o tamanho do desafio, especialmente pela abrangência e extensão deste contrato. Contudo, sabemos que a empresa tem a melhor infraestrutura e equipe técnica para prover esses serviços. Contamos com um time de profissionais bastante qualificado e dedicado ao projeto. São profissionais com autonomia, know-how e experiência no tipo de tecnologia e nos serviços que o cliente exige. Também iremos prover o que há de mais desenvolvido em Nuvem.
Estamos aptos a lidar com demandas e realidades diversas, oriundas dos mais variados órgãos de governo, desde a virtualização até aquelas que exigem conhecimento e experiência em práticas, processos e cultura de DevOps, Infraestrutura como Código (IaC), Microsserviços, DevSecOps, Agile, Delivery Contínuo, entre outros. Notamos que o governo está buscando avançar nessas temáticas e a Embratel está atuando junto, apoiando essa jornada.
DCD: Por que inicialmente a oferta da Embratel era em cima de Azure e depois passou para AWS?
M. R.: A Embratel não trocou de fornecedor para ofertar as soluções durante o processo de licitação. Logo que o Termo de Referência atingiu um nível de maturidade e de consistência que indicava a eminência do pregão, o que ocorreu em julho de 2018, nosso time de especialistas se debruçou, com atenção, nos requisitos e esclarecimentos públicos para avaliar as melhores opções e combinações técnicas possíveis, dentre as que podíamos trabalhar.
Consultamos diversas empresas do segmento cujas soluções em Nuvem pudessem ter aderência com a nossa oferta de Nuvem Pública, baseada em OpenStack. De acordo com as exigências técnicas do edital, em especial as que determinavam a necessidade de recuperação de serviços no intervalo de poucas horas em caso de desastres, tais como falhas massivas, quedas de energia e outros, nosso time técnico entendeu que a melhor opção técnica para esse projeto seria utilizar a AWS.
DCD: Gostaria que detalhasse o trabalho da Embratel Primesys.
M. R.: A Embratel Primesys é a executora do projeto, responsável por fazer a implementação (on-boarding) em todos os órgãos que já aderiram e também daqueles que farão isso nos próximos meses. Cada órgão é tratado de forma independente e individualizada, sendo que o edital é apenas instrumento de regulação entre as partes, características e preços, que são rigorosamente tabelados.
O atendimento é feito diretamente pela Embratel Primesys e o escopo de atuação é bastante amplo, podendo variar de um órgão para outro. Além de todo o framework de atendimento previsto, a Embratel Primesys tem arquitetos trabalhando em importantes órgãos, de diferentes esferas (federal, estadual e municipal), em diferentes Estados.
Esses profissionais estão atuando no processo de on-boarding, inicializando diversos aspectos do edital, suas características e peculiaridades, além de no esclarecimento e dimensionamento de demandas de órgãos interessados, para que estes tenham condições de pleitear participação no projeto. A procura tem sido bastante grande e estamos muito satisfeitos com os resultados obtidos até agora.
DCD: Como a Embratel chegou nos valores acordados?
M. R.: Os valores são públicos e foram definidos no âmbito do pregão, de acordo com o que pressupõe o Termo de Referência.
USN (acrônimo de “Unidade de Serviço de Nuvem”) é uma unidade criada pelo governo para estabelecer um método previsível, linear e flexível para medição de quantidades objetivamente definidas e associadas a um valor para os serviços de Computação em Nuvem. A métrica de USN é definida por meio de um valor de referência específico para cada tipo de serviço de Nuvem, conforme métrica técnica individual associada ao consumo dos recursos. Este valor de referência é definido pelo próprio governo, que faz levantamento de preços de mercado, entre os principais players de Nuvem Pública. Raciocínio similar se aplica para a UST (acrônimo de “Unidade de Serviço Técnico”).
DCD: Gostaria que falasse sobre o acordo com a Ustore.
M. R.: A uStore é um parceiro estratégico da Embratel. Temos atuado conjuntamente em algumas oportunidades e desenvolvido produtos e soluções em Cloud, tanto em casos específicos como este, como de maneira mais abrangente, envolvendo nosso portfólio de produtos e soluções de Cloud e Data Center. Para a Nuvem do Governo Federal, a uStore é quem fornece a ferramenta de gestão de Nuvem responsável por estabelecer uma série de funcionalidades e controles específicos, tanto para os administradores quanto para seus usuários finais.
A ferramenta facilita o trabalho e a gestão do projeto como um todo, e é um elemento fundamental e parte indispensável de qualquer projeto de Nuvem, especialmente aqueles de grande escala e/ou que envolvam mais de um provedor ou tecnologia. Trata-se de uma ferramenta de Cloud Broker completa, capaz de orquestrar técnica e financeiramente diversos provedores de Nuvem Pública. É capaz de orquestrar também nuvens e plataformas privadas, baseadas em VMWare, Citrix, Oracle, XenSource e até mesmo servidores baremetal puro.
Com a parceria, a Embratel avança de forma rápida no suporte a novidades e recursos destas múltiplas plataformas, sem depender de ciclos de lançamento de fabricantes e de projetos open-source de ferramentas do gênero.
DCD: O assunto Nuvem está entre as prioridades do novo governo?
M. R.: A Embratel entende que a Nuvem está nas prioridades do governo. Observamos inúmeras tratativas e iniciativas. Acreditamos que além do crescimento natural, a temática parece ganhar mais impulso nos próximos anos.
À medida em que o uso bem gerenciado da Nuvem e de tecnologias associadas se conecta à economia de recursos, eficiência e agilidade (desburocratização) operacional, é natural que o governo volte suas atenções para o tema.
A Embratel nota esse interesse também em outros governos. No mundo todo tem-se discutido os benefícios e as inúmeras possibilidades da Nuvem na administração pública. Nos Estados Unidos, por exemplo, temos acompanhado com bastante atenção os desdobramentos da RFP de Nuvem, conduzido pelo Departamento de Defesa, projeto conhecido como JEDI, acrônimo de Joint Enterprise Defense Infrastructure, cujos valores superam os U$ 10 bilhões. Em menor escala, mas não sem menos desafios, vemos movimentos similares acontecendo na administração pública brasileira.
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