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O Brasil hoje é dependente de hidro e termoelétricas. Os recentes apagões e a seca que vem afetando o nível dos reservatórios pelo país levaram ao acionamento das usinas termoelétricas. Em tempos de escassez de chuva, as termoelétricas seriam a saída mais viável para o Brasil se não fosse o alto custo e o impacto ambiental. Por fatores como esses, alguns parlamentares vêm propondo a construção de pequenas centrais hidrelétricas pelo país.
 
A grande vantagem dessas centrais hidrelétricas, seria a possibilidade de sua construção próxima ao local de consumo, diminuindo assim, gastos com transmissão. Alguns especialistas vêem a iniciativa como uma possível saída, mas ressaltam que esta não pode ser  podem ser a única opção.
 
Diante do atual panorama nacional, a Schneider Electric, que colaboradora com operadores de energia públicos e privados, no fornecimento de equipamentos de baixa e média tensão, desenvolve soluções específicas, criadas para driblar o alto custo de energia,  respeitando o meio ambiente. Adriano Hada, diretor de Vendas para Secure Power e Data Center da Schneider Electric, fala sobre cada uma delas.
 
DatacenterDynamics:  No que tange a energia, o custo no Brasil é realmente mais alto que em outros países ou a diferença é bem pouca?
 
Adriano Hada: Segundo um levantamento da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), o Brasil é 11º país com a tarifa de eletricidade mais alta do mundo. Porém, a Schneider acredita que o alto custo da energia não impedirá a expansão dos data centers no Brasil, por conta de fatores como demanda local e posicionamento geográfico que favorecem o crescimento do setor. Entretanto, este custo diminui a competitividade no cenário global. As empresas que têm data centers como atividade principal devem ter um foco muito mais amplo. A Schneider Electric tem investido muito no desenvolvimento de soluções que otimizam o uso da energia, reduzindo o consumo, através de soluções de UPS, refrigeração e monitoramento e gestão do data center permitindo alto nível de controle sobre a performance e auxiliando na tomada de decisão para novos investimentos.
 
DCD: Quais são as tecnologias de refrigeração que a Schneider vem apostando? Como a empresa vem se adaptando à demanda atual de maior densidade, menor consumo energético, etc?
 
A.H.: A climatização é responsável por aproximadamente 40 - 45% do custo de energia elétrica do custo de operação do data center, ficando atrás somente do consumo de energia dos servidores. Desta forma, a Schneider Electric investe em pesquisas para o desenvolvimento de tecnologias para refrigeração.        
Nosso mais recente lançamento é a solução de confinamento térmico EcoAisle, projetada para aumentar a eficiência do sistema de refrigeração que fornece informações ao sistema de refrigeração dimensionando o alcance do fluxo de ar, em função da carga dos equipamentos de TI, possibilitando uma redução de até 50% no consumo de energia dos ventiladores em comparação com sistemas convencionais.
 
DCD: O que a Schneider vem oferecendo em termos de UPS? Que tecnologia a empresa vem incorporando e qual é a demanda?
 
A.H.: A Schneider Electric possui o mais completo portfólio de energia para aplicações de missão crítica em data center de todos os tamanhos e aplicações. Fornecemos produtos e serviços, desde a entrada com a subestação em média tensão até a alimentação dos ativos de TI, passando por painéis, transformadores, racks, réguas gerenciáveis, nobreaks de alta performance, ar condicionado de precisão, soluções de confinamento de ar e softwares de gerenciamento para toda infraestrutura do data center. No caso de UPS, a companhia tem modelos que contam com grande autonomia e com softwares de gerenciamento, que permitem ao usuário monitorar parâmetros de funcionamento do nobreak.
 
DCD: O Governo Federal tem sido um ajudador, no que tange a expansão das empresas de TI no país ou poderia fazer mais? 
 
A.H.: O Governo Federal exerce um papel fundamental para viabilizar e acelerar a expansão das empresas de TI e já existem programas de incentivos ao investimento. Entretanto, o custo da energia é alto no Brasil, por isso a busca por soluções de eficiência energética, por parte das empresas deve ser constante.
 
DCD: No continente e no Brasil, qual é a quota do mercado que a Schneider Electric detém? Que posição a empresa ocupa?
 
AH.: A Schneider Electric é uma das principais companhias de fornecimento de soluções e tecnologia para energia crítica e o Brasil é um país foco para nossos negócios por seu desenvolvimento constante.
 
DCD:  No mercado de data center, que tecnologia e que serviços têm maior demanda no Brasil?
 
A.H.: A dificuldade em prever as demandas em médio e longo prazo gera necessidade de reduzir ao máximo o período entre o planejamento e a execução. Em função disso, tecnologias modulares têm tido grande demanda, desde equipamentos até data centers modulares pré-fabricados. Um outro fator crítico é o fato da energia ter um alto custo e representar até 40% do custo operacional de um data center. Isso tem levado empresas a buscarem soluções que maximizem a eficiência energética e serviços que permitem o aumento da capacidade de monitoramento e controle do ambiente.
 
DCD: A Schneider comprou recentemente a AST Modular. O mercado de data center modular está aquecido na América Latina e no Brasil? Por quê? 
 
A.H.: A tecnologia modular já é bastante difundida nas soluções para data center e os data centers pré fabricados são tendências na América Latina e no Brasil já que as empresas vêm buscando custos de implementação mais baixos. Data centers modulares oferecem uma economia de 15% - 20% em relação aos tradicionais data centers de alvenaria; o tempo de instalação é mais curto se comparado aos tradicionais, que em média demoram 2 anos; soluções modulares podem ser finalizadas em apenas seis meses.
 
DCD: As empresas brasileiras têm buscado soluções DCIM? Como a Schneider analisa o futuro dessa solução no Brasil?
 
A.H.: Há um crescente interesse das empresas neste tipo de solução como uma forma de melhorar a capacidade de planejamento e de gerenciamento de energia. O Brasil está alinhado a esta tendência e as empresas têm buscado ferramentas que melhorem a visibilidade e o controle de seus ativos no data center.
 
DCD: O mercado de data center do Brasil se concentra no Sudeste. Para os próximos anos, a Schneider pretende continuar reforçando sua atuação na região ou focar no Centro-Oeste e Nordeste? 
 
A.H.: Cerca de 70% dos gastos de TI no Brasil são concentrados na região sudeste, por diversos fatores como a distribuição do PIB e também aspectos históricos como a instalação de empresas multinacionais na região.
O Centro-Oeste brasileiro, no entanto, tem se tornado um grande consumidor de data centers, devido ao crescimento do agronegócio além do capital federal que é um dos grandes usuários de data centers, com bom nível de tecnologia, assim como o Nordeste, onde há links de internet com outros continentes. A Schneider Electric atua em todos os estados brasileiros e acredita na expansão. Em 2009 a companhia adquiriu uma fábrica no Ceará que pertencia à Microsol, uma das três maiores fabricantes nacionais de estabilizadores e nobreaks. A escolha do local foi feita a partir da análise de fatores como atração do mercado. Avaliamos que a operação era essencial para atender à demanda não só da região, mas do país. Em 2012, adquirimos a CP Eletrônica no Rio Grande do Sul e com atuação em nível nacional, complementando a nossa oferta de soluções para data center, indústria e infraestrutura, reforçando a nossa estrutura de P&D local, alinhado ao nosso plano de desenvolvimento de tecnologia no Brasil.
 
DCD: É sabido que o mercado de data center brasileiro carece de mão de obra qualificada. Dentro desse contexto, qual é a posição da Schneider? A empresa prefere importar mão de obra ou formar jovens profissionais brasileiros para este segmento? 
 
A.H: A crescente demanda de oportunidades em todo ciclo de vida do data center, aliada a grande agilidade nas diversas áreas do white space, não permite o envolvimento de curiosos ou profissionais com má formação. O processo de formação de profissionais é extenso pois é imprescindível conhecimento técnico e teórico, além de experiências práticas que somente a vivência permite. Atualmente as universidades ainda não estão preparando profissionais no perfil alinhado às expectativas do nosso negócio, por isso alinhamos novos profissionais, formamos localmente, com a experiência de estrangeiros, como uma transferência de tecnologia e conhecimento, que tem funcionado muito bem, inclusive alguns projetos já foram utilizados em países maduros do ponto de vista de tecnologia, além de termos nosso PADIC (Porto Alegre Development Innovation Center), conectado a grandes centros de pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias em países como EUA, Dinamarca, França, Índia e China.
 
DCD: Algumas empresas têm como critério não importar mão de obra em nenhum contexto, mas sim formar jovens universitários brasileiros. Qual é a posição da Schneider nesse sentido?
 
A.H.: Periodicamente, realizamos rigorosos sistemas de seleção para identificarmos os melhores profissionais, formados no mercado local e, por fim os treinamos com os nossos colaboradores mais experientes. Também temos em São Paulo, um centro de especialização para soluções em TI, voltado para formação de profissionais de toda America Latina, onde já capacitamos mais de 200 profissionais em sistemas de alta confiabilidade voltados para soluções em infraestrutura de energia, resfriamento e software. A Schneider Electric possui uma parceria com o Grupo Educacional Impacta Tecnologia, incrementando o portfólio de especialistas para ministrar alguns módulos do curso de MBA em data center.  
 
DCD: Em termos de competitividade, o que falta para as empresas brasileiras de data center que as estrangeiras têm de sobra?
 
A.H.: As empresas do país precisam mudar, elevar o patamar de produtividade. O Brasil possui um índice insuficiente para alcançar posições competitivas. Um fator muito importante para o país ser um player global é possuir soluções mais eficientes.  
O Brasil tem um potencial imenso para se tornar um grande player. O alto custo da energia ainda é um fator crítico que diminui nossa competitividade no cenário global. Este é o principal fator a ser endereçado, mas tem que ser feito de maneira consistente, já que temos que ser conscientes com a questão de limitação energética. Uma forma de reduzir os custos sem elevar demasiadamente o consumo é oferecer benefícios para empresas que investem em soluções de eficiência energética. 
 
DCD: Em termos de mentalidade o Brasil está muito atrás? As empresas nacionais são muito tradicionais ou têm uma mentalidade aberta para adesão de novas tecnologias?
 
A.H.: Percebemos certo receio do mercado na aceitação de algumas novas tecnologias e conceitos já consolidados em mercados mais maduros. Soluções como DCIM estão apenas começando aqui no Brasil. Sistemas de coleta de dados elétricos e ambientais são mais do que obrigatórios em um ambiente de data center, mas somente isso não é o suficiente. Uma solução que permita a integração de todas essas informações, aliada a um sistema com plataformas totalmente abertas que auxiliem na gestão, gerenciamento e monitoramento, oferecendo uma visão holística de todo conjunto, é vital para a sobrevivência de um data center.
 
DCD: Para a Schneider, a aprovação do Marco Civil da Internet muda alguma coisa na prática? 
 
A.H.: O Marco Civil da Internet foi extensamente discutido e vários pontos críticos que poderiam gerar riscos para os negócios de data centers no Brasil foram revisados. As empresas deverão se adaptar às novas regras e isso deve gerar investimentos no setor.
 
DCD: Atualmente nós temos também outras iniciativas em tramitação. Duas delas são: Marco Civil Mundial e o Marco Regulatório da Computação em Nuvem, proposto pelo Deputado Ruy Carneiro (PSDB-PB). Para a Schneider, medidas como estas ajudam realmente a fortalecer o mercado nacional de data center?
 
A.H.: Independente dos conteúdos específicos destas iniciativas, acreditamos que o debate sobre o assunto é muito importante para que tenhamos condições de analisar o cenário e evoluir de maneira sustentável, tendo regulamentações claras para que as empresas possam ter segurança nas tomadas de decisão para novos investimentos no país.