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Nos dias de hoje, armazenamento vai além da mera necessidade de guardar dados. Com informação cada vez mais abundante – o barateamento da tecnologia fez de todos nós potenciais produtores de conteúdo – o desafio é ter acesso à informação e localizá-la em tempo hábil.

André Vilela, diretor de produtos e soluções para a América Latina da Hitachi Datasystems diz que “informação corporativa só é importante desde que disponível”, Outro aspecto importante está na capacidade de saber qual informação pode e qual não pode ser alterada: “além de poder acessar os dados na hora necessária, é fundamental saber quais dados são alteráveis e quais devem permanecer como foram gravados”, complementa Vilela.

Para classificar volumes grandes de informação, as empresas e os usuários precisam ter modos mais fáceis de localizar o documento ou a foto procurados. Para isso, a informação precisa ser contextualizada. “Informação precisa de contexto, títulos, tags ou qualquer outra maneira de ser localizada. São os metadados”, explica o diretor da HDS.

Segundo Vilela, um dos modos de facilitar a escolha da melhor solução de armazenamento está na estimativa da frequência com a qual o dado precisa estar disponível. “É preciso achar o equilíbrio entre investimento e velocidade de acesso. Para isso, há soluções com diferentes tipos de resposta e diferentes formas de acesso”.

Gerenciar o ciclo de vida da informação se tornou algo estratégico para as empresas e isso acabou criando uma demanda por esse tipo de solução. Vilela exemplifica: “É possível baixar o custo de armazenamento adequando velocidade com a necessidade de acesso. Algumas informações precisam ser armazenadas por 10 anos, mas com pouca necessidade de acesso. Nesse caso, é possível usar uma tecnologia com velocidade menor e custo mais baixo”.

“Informação hoje é mais complexa, com diferentes níveis de velocidade e confiabilidade de acesso”, pontua Vilela. De acordo com o executivo, já existem ambientes corporativos com interação entre sistemas de processamento de dados e aplicações, lidando com os diferentes estágios da informação e tecnologias de armazenamento.

“Reservar espaço em disco ainda custa caro apesar do barateamento dos discos rígidos”, diz Vilela. Para gerenciar melhor o armazenamento, muitos sistemas provisionam espaço conforme a necessidade dos aplicativos. Algumas dessas tecnologias, como o caso da VTL (virtual tape library, na sigla em inglês), funciona como uma versão “virtual” das antigas fitas magnéticas. Também há opção de usar discos que “conversam” com tecnologias de armazenamento anteriores.

Bancos, indústrias e outros setores de informação precisam de cada vez mais armazenamento. Muitas vezes, as empresas replicam a informação em outro datacenter para garantir a confiabilidade dos dados. “Um banco não pode simplesmente perder todos os dados bancários de seus clientes”, exemplifica Vilela.

Esta demanda cada vez maior por informação disponível encontra um gargalo: a dificuldade em prover energia para os datacenters. “A Lei de Moore também afeta a demanda por energia”, diz Vilela. A cada dois anos, dobramos a capacidade de processamento, mais isso pede quantidades maiores de energia elétrica.

Vilela diz que “nem sempre as empresas elétricas conseguem entregar a energia necessária”. Com isso, há dificuldade em instalar novos servidores em algumas companhias. Isso leva a outro aspecto da TI, muito questionado pelos ambientalistas: os fornecedores de tecnologia precisarão investir em eficiência.  Segundo estudo da APC Schneider, cerca de 50% da energia gasta em um datacenter é usada para resfriar os equipamentos.

De acordo com o executivo da HDS, os servidores da empresa são os mais eficientes em termos energéticos: a nova geração de equipamentos tem 35% a mais de capacidade de processamento e consomem 50% a menos energia, sendo 70% mais eficientes. “O Japão forçou a HDS a investir mais em eficiência”, explica Vilela.

Com essa necessidade, a computação em nuvem ganha mais destaque entre os produtos da HDS, pela entrega de recursos de TI de modo mais flexível. “Não é um modelo de negócio novo, na verdade. As contas de água e luz já cobravam do consumidor um preço de acordo com o consumo. A indústria de TI está copiando esse modelo”, diz Vilela. Todavia, vender TI como serviço tem implicações: há mais risco em relação à segurança dos dados.

Muitos clientes da HDS utilizam a Plataforma de Armazenamento Virtual Hitachi (VSP, na sigla em inglês) para migrar os seus dados para a computação em nivem Entre os clientes estão GRZ IT Center Linz (Áustria), Schweizerische Mobiliar (Suíça), Seattle Children’s (Estados Unidos), e Teliti Datacentres (Malásia). Em menos de um ano, a HDS entregou mais de 1.400 sistemas VSP – com isso, o VSP se tornou o produto mais bem-sucedido produto na história da empresa.

Uma das consequências do compartilhamento e da flexibilização dos recursos de TI é a convergência tecnológica do setor de armazenamento. “A linha que separa armazenamento de informação e servidores de dados está cada vez menos nítida”, opina Vilela. Há uma sinergia maior entre esses dois serviços.

Quem faz a orquestração entre a rede da empresa, os servidores e os dispositivos de armazenamento com dados menos utilizados são os softwares. Com a virtualização de servidores, a migração de recursos é feita conforme as necessidades dos aplicativos. “Com isso, os recursos de TI são cada vez menos superdimensionados. É um armazenamento por demanda, literalmente”, explica Vilela.

O segredo não está apenas em oferecer produtos com boa tecnologia. É preciso ter preços competitivos. Segundo Vilela, “o mercado não tem espaço para pontos fora da curva”. Com essa analogia matemática, o executivo quer dizer que a HDS também é boa em termos quantitativos. De acordo com Vilela, o preço precisa ser compatível com o negócio do cliente. “Tanto é que a HDS participa de concorrência pública e ganha”, diz o diretor da empresa.

Já havia a ideia de um centro de dados da HDS no Brasil, com data de inauguração prevista para o final de 2010, mas a empresa ampliou os planos para o Brasil. Além do centro operacional para clientes com grande volume de processamento, a HDS vai construir uma unidade de produção de equipamentos no país.

Tanta movimentação é explicada pela economia brasileira: o Brasil é um dos mercados que mais crescem no segmento de armazenamento, à frente de China e Rússia. Por isso, os planos da empresa são de ganhar competitividade nos serviços de gerenciamento de informações por meio da produção de sistemas de armazenamento de dados. Entram no portfólio os sistemas modulares, que serão os primeiros a serem montados. O projeto deverá ser finalizado nos próximos seis meses. As instalações serão em terreno próximo ao aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP).

De acordo com a HDS, foram destinados cerca de US$ 30 milhões para o desenvolvimento de sistemas que viabilizem a criação de aplicações para atender grandes clientes. O crescimento da empresa no Brasil é expressivo: 70% nos últimos 3 anos e para 2011 é esperado um avanço de 50% no faturamento. A estratégia de montar aqui tem como objetivo baixar preços, pois passariam a deter os benefícios de redução de custos pela montagem local.

Fundada em 1989, a HDS tem 4,9 mil empregados e atua em mais de cem países. Segundo dados da companhia, todas as regiões registraram crescimento de dois dígitos no primeiro trimestre na comparação com o mesmo período do ano anterior e o faturamento em 2010 foi de US$ 1 bilhão.