A pandemia de Covid-19 causou severo impacto em diversos mercados, como varejo, turismo, educação, saúde e em todo o universo corporativo. Buscando a sobrevivência e manutenção dos negócios, estes setores embarcaram em uma acelerada Transformação Digital, com a adoção de plataformas de videoconferência, colaboração em nuvem, ensino à distância, Telemedicina, e-commerce, marketplaces, serviços de entrega, entre outros. Para se ter uma ideia do impacto no comportamento do consumidor brasileiro, cerca de 5,7 milhões de pessoas fizeram sua primeira compra pela internet entre abril e junho deste ano. Já o uso da plataforma Teams da Microsoft quadriplicou desde março deste ano. “Esta demanda por serviços digitais impulsiona o mercado de data centers, uma vez que o armazenamento e processamento de dados em nuvem se tornam cada vez mais importantes para os negócios e consumidores.

Estima-se que os investimentos globais em novos data centers superarão os US$200 bilhões nos próximos cinco anos”, aponta o Managing Director da Deerns Brasil, Ricardo Fornari, destacando que, o Brasil é o mercado mais relevante na América Latina, conta com operação e investimento dos mais relevantes players do mercado global. Tem alta densidade populacional, boa infraestrutura energética e ambiente macroeconômico favorável (juros baixos e alta liquidez). “Essas são algumas das razões pelas quais empresas como a AWS, Digital Realty, Digital Colony, Piemonte Holding e CyrusOne adquiriram ativos, empresas, ampliaram ou iniciaram a construção de novos sites. Este movimento também é percebido em outros países da região, como Argentina, Chile, Colômbia, México e Peru”, completa o Managing Director da Deerns Brasil, que em entrevista, fala sobre o que a Deerns Brasil vem fazendo, no atual momento de pandemia.

Tatiane Aquim: O que a empresa vem planejando para enfrentar possíveis reflexos que a pandemia pode trazer ao mercado?

Ricardo Fornari: Nossa perspectiva é bastante positiva, impulsionada pela Transformação Digital resultante da pandemia. No final de fevereiro, a Deerns Group adquiriu 100% das ações da Deerns Brasil e se tornou sua única acionista. Este investimento é uma resposta para a demanda do mercado local e regional por engenharia independente e especializada no setor. Os planos são claros: alcançar a liderança do setor na América Latina, e tornar-se o parceiro regional de confiança dos principais players, além de oferecer serviços nos demais mercados em que a Deerns Group atua globalmente (Healthcare, Clean Rooms, Airports e Real State).

Por ser uma empresa europeia, a Deerns possui relacionamentos corporativos com estes grandes players globais, e este relacionamento favorece o rápido crescimento da Deerns no mercado latino-americano.

DCD: Quantos colaboradores a empresa possui? Algum foi infectado?

R. F.: A Deerns Global possui cerca de 500 colaboradores, distribuídos em 8 escritórios (Holanda, Alemanha, Espanha, França, Itália, UK, Brasil e Kwait). No Brasil, a equipe possui atualmente 12 colaboradores estamos expandindo. Temos diversas posições em aberto para contratação até o final deste ano.

Um colaborador foi infectado pela Covid-19, e já está plenamente curado.

T. A.: Neste período de pandemia a Deerns optou pelo home office? Como vem sendo feito o trabalho?

R. F.: Sim, o home office foi adotado globalmente pela Deerns em março. Os escritórios do Brasil, França, Itália, Kuwait, Reuni Unido e Espanha foram fechados e desde então todos trabalham em casa. Ocasionalmente funcionários vão aos escritórios, onde implementamos medidas e procedimentos preventivos para garantir que nossa equipe permaneça saudável e segura. Seguimos estritamente ou ultrapassamos as regulamentações governamentais em todos os locais onde atuamos.

No Brasil, toda a produção é realizada em plataforma BIM, que permite a colaboração segura em ambiente cloud. Desta maneira, nossos clientes não sentiram nenhum impacto em produtividade pela mudança.

T. A.: Que plano de ação e quais protocolos vêm sendo implementados pela Deerns para enfrentar a Covid-19?

R. F.: Seguimos estritamente ou ultrapassamos as regulamentações governamentais em todos os locais onde atuamos. Em nossos maiores escritórios, desenvolvemos um App para que os funcionários pudessem reservar espaços de trabalho no escritório, e assim logramos controlar a quantidade de pessoas e o distanciamento necessário entre elas. Buscando colaborar com a academia no entendimento e combate ao vírus, nossos especialistas publicaram um estudo sobre a disseminação aerógena do Sars-CoV-2 e o risco de infecções secundárias em ambientes fechados. Como uma de nossas especialidades é o sistema de ventilação e ar-condicionado, estamos apoiando empresas no mundo todo a adaptar ou evoluir suas instalações, levando maior segurança aos seus funcionários.

T. A.: Mesmo em meio a pandemia, a Deerns vem tocando algum projeto de data center?

R. F.: Mesmo em meio à pandemia, a equipe da Deerns Brasil está plenamente ocupada executando projetos de data center. A perspectiva para o encerramento de 2020 e para o ano de 2021 é bastante desafiadora, com diversos projetos conceituais, básicos e detalhamentos, além de serviços de controle de qualidade e comissionamento sendo planejados e orçados. Todos nossos contratos são sujeitos a rigorosos acordos de confidencialidade, e, portanto, não podem ser divulgados.

T. A.: Gostaria que contasse algum caso de sucesso da Deerns.

R. F.: A Deerns Brasil já executou consultorias, projetos e comissionamentos para os principais players do setor, contribuindo de maneira significativa para sua evolução. São mais de 250 MW projetados, distribuídos em mais de 100.000 m2 de área construída, com certificação Tier pelo Uptime Institute na maioria destes empreendimentos. Recentemente fomos responsáveis pela elaboração do primeiro projeto com certificação TIA-942B no Brasil pela EPI. Temos um dos times mais respeitados na área de comissionamento de missões críticas no Brasil, responsável pelo comissionamento de grandes instalações de data center em clientes como Equinix, UOL DIVEO, CenturyLink, Fundação Bradesco, HP, Telefônica, CEF entre outros.

T. A.: Qual é a estratégia de mercado da Deerns para os próximos meses? A empresa vem planejando algum reposicionamento de mercado?

R. F.: A Deerns está estabelecendo seu Headquarter da América Latina em São Paulo, e planeja expandir em breve para países onde o setor de data center está aquecido, tais como Argentina, Chile, Colômbia, Peru e México. No Brasil, devemos dobrar o número de funcionários nos próximos 12 meses, e almejamos alcançar 5% do faturamento total do Grupo até 2025.

Este crescimento não virá apenas do setor de data centers, mas também das demais verticais onde a Deerns provê serviços de engenharia, tais como Aeroportos, Saúde, Salas Limpas e Real State. Esta diversificação é extremamente relevante e estratégica, pois permite navegar em tempos difíceis para um mercado específico, quando simultaneamente outro mercado está em expansão.

Para atingir estas desafiadoras ambições, a Deerns está executando um programa de Transformação Digital em toda a companhia, implementando novas tecnologias, revendo processos e adotando práticas que facilitem a colaboração, gestão, transparência e performance.

Importante também mencionar a relevância da sustentabilidade para o setor de data centers e a enorme experiência da Deerns neste quesito. A Microsoft anunciou o compromisso de reduzir suas emissões pela metade até 2030. O Facebook foi o maior comprador de energia renovável em 2019. A AWS se comprometeu a alcançar os termos do Acordo de Paris com 10 anos de antecedência. Todos os grandes clientes do setor seguem no mesmo caminho. Com estes fortes compromissos com o desenvolvimento sustentável assumidos por estes players, toda a cadeia de fornecimento do setor deve se adaptar rapidamente. A Deerns, por sua missão e valores extremamente comprometidos a sociedade e com o impacto positivo no ambiente construtivo, está alguns passos à frente em relação ao mercado. Somos uma das (apenas) 66 empresas no mundo a assumir o "Net Zero Carbon Buildings Commitment" do World Green Building Council, nos comprometendo a atingir o marco Zero Emissões de Carbono até 2025. Em nossos projetos, levamos o estado da arte em inovação para assegurar eficiência energética comprometida com a sustentabilidade.

T. A.: Você está há pouco tempo na Deerns, há quanto tempo atua no mercado?

R. F.: Atuo no mercado de tecnologia há 20 anos, sendo 15 deles na Hexagon, suportando o mercado latino-americano de engenharia e construção. Trago para a Deerns minha experiência no estabelecimento e crescimento de empresas internacionais no Brasil e LATAM.

T. A.: Qual é a sua missão como Managing Director da Deerns?

R. F.: Temos como desafio nos tornar líder nos setores em que atuamos em toda a região LATAM. Este desafio apenas pode ser alcançado se formos reconhecidos como parceiros e “trusted advisors” de nossos clientes. Para tanto, fomentaremos a cultura já estabelecida na Deerns Global, a qual se pauta em cinco Valores Essenciais: CEDRIC (Competência, Empreendedorismo, Design Reputation, Integridade e Cooperação). Nossos Valores Essenciais moldam a nossa cultura, definem o caráter da nossa empresa e se manifestam em nosso comportamento diário. Com estes valores, colocamos a satisfação do cliente e o valor de longo prazo à frente dos ganhos de curto prazo, observando as necessidades e os códigos sociais e contribuindo para soluções sustentáveis.