Segundo as previsões da Empresa de Pesquisa Energética – EPE, a demanda de energia elétrica no Brasil deverá crescer a uma taxa média de 4,8% ao ano, saindo de um patamar de consumo total de 456,5 mil gigawatts-hora (GWh), em 2010, para 730,1 mil GWh em 2020.
Considerando o período em questão, o acréscimo do consumo total de eletricidade será de 274 mil GWh, volume superior ao atual consumo de eletricidade do México e próximo ao atual consumo da Espanha. O estudo trabalha com a hipótese da economia brasileira expandir 5% ao ano, nos próximos 10 anos.
O custo da energia é um dos principais ofensores das despesas (Opex) dos data centers. A preocupação com eficiência em data center vem se refletindo nos processos de compra de produtos e serviços. Atualmente muitas empresas só compram equipamentos com selo de eficiência enérgica.
Segundo a Frost & Sullivan, em curto prazo, o crescimento dos fornecedores de energia para data centers no Brasil, será impulsionado pela demanda por data centers verticais. A intenção é manter o nível com requisitos de eficiência energética e inovação tecnológica. Nos próximos anos, a necessidade de densificação dos sistemas de refrigeração, altamente eficientes e servidores podem vir a estimular o desenvolvimento do mercado.
Devido às altas tarifas de energia elétrica no Brasil e da ênfase na eficiência energética, a empresa acredita que a popularidade do Data Center Infrastructure Management (DCIM) alimente as receitas do mercado.
Custos, Burocracia, Planejamento e Investimentos
José Luiz di Martini, Consultor em Planejamento e Desenvolvimento de Infraestrutura de Alta Eficiência, Disponibilidade e Confiabilidade para Aplicações de Missão Crítica, diz que o problema do Brasil não são fontes baratas, mas sim um modelo confuso, que não esclarece a estratégia de custo, investimento e a capacidade do sistema. O Consultor acredita que usinas hidroelétricas serão cada vez mais caras, incluindo a questão ambiental. "Particularmente acredito que apenas uma grande cesta de medidas, nas duas pontas, consumo x produção pode resolver a situação atual."
Dentro desse contexto, Marcos Cataldo, sócio-diretor da Leistung, coloca o preço da energia apenas como um fator a ser agregado no momento da construção de um data center. Para ele, outros fatores são tão ou mais importantes e também devem ser postos na balança. Segundo ele, é importante considerar fatores críticos para a implantação, como: localização física (custo, proximidade de grandes centros). Custo total de implantação (construção, empréstimos e tempo). Custos mensais de operação e manutenção (mão de obra local treinada e capacitada, existência de parceiros tecnicamente equipados e competentes).
Facilidades e acessos às tecnologias (facilidade de importar novas tecnologias e equipamentos), níveis de segurança operacionais e físicos (existência de alimentações de energia por diversas fontes independente e segurança pública eficiente). Estabilidade econômica e política do país escolhido.
Questionada pela DatacenterDynamics, sobre o alto preço da energia no país, já que o Brasil tem a maior reserva mundial de energia elétrica em forma de água, urânio, biomassa, vento e combustíveis fósseis, a Eletrobras Centrais Elétricas Brasileira, afirma que a energia no Brasil não é cara.
De acordo com o Superintendente de Comunicação da Eletrobras, Luiz Augusto Figueira, essa ideia era muito comum antes da redução de 20%, determinada pelo governo federal, em 2012, mas, já naquele momento, errada. Havia uma comparação que não levava em conta a peculiaridade do Brasil, cuja fatia considerável da população precisa ter sua conta de energia subsidiada, o que não ocorre em outros países. Figueira diz que a comparação por setor, já mostrava que o custo da energia no Brasil era inferior, por exemplo, ao da Itália, Portugal e Alemanha.
"Atualmente, com a redução de 20%, o Brasil é o quarto mais barato do mundo, segundo pesquisa da Associação Brasileira de Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee), que comparou tarifas de 18 países, o país ficou atrás apenas dos EUA, França e Finlândia", comenta.
Com investimentos estimados em R$ 52,4 bilhões até 2017, a Eletrobras planeja um futuro com resultados financeiros melhores e redução de custos. Em 2013, houve contingenciamento de 20% do orçamento de materiais, serviços e outras despesas, mas a meta para o futuro é mais ousada. A previsão é que o custeio seja reduzido em 30% nos próximos três anos. O Programa de Incentivo ao Desligamento (PID) dos empregados da companhia obteve sucesso ao atingir a marca de 4,4 mil pessoas inscritas. A previsão é que sejam investidos R$ 2,4 bilhões no Programa, gerando uma economia de R$ 1,3 bilhão ao ano, com retorno do investimento em dois anos. Para 2014, ainda serão abertas as inscrições na Eletrobras Eletronuclear, o que deve gerar 500 novos postos de trabalho.
Cogeração
Segundo José Luiz de Martini, a construção por parte dos consumidores de instalações autoprodutoras de energia, só se justifica se houver rentabilidade mínima. Tecnicamente significa instalação de maior investimento, bem mais complexa e só se justifica se houver vantagem. A Cogeração, assim como todas as outras formas de autoprodução, representam um universo conhecido como Geração Distribuída, que não demanda custos com transmissão e distribuição e como o investimento é privado, o governo não tem que bancar o custo sobre o imobilizado, como ocorre com as térmicas.
O Consultor comenta que os pontos de rentabilidade, dos sistemas de geração distribuída, em instalações consumidoras como centros comerciais e data centers, representam uma vantagem sobre a não incidência de tributos (ICMS, PIS, COFINS), por serem autoprodutores.
Na cidade de São Paulo, cujo estado cobra um valor mais baixo de ICMS (18%), a tarifa de ponta da Eletropaulo praticamente foi extinta, em relação à tarifa fora de ponta. Sem incentivos, a instalação de sistema de geração distribuída não será ampliada, fazendo com que o Brasil abdique desta importante fatia produtora.
"É só lembrar que uma planta de cogeração é muito mais eficiente do que virar centrais térmicas emergenciais."
Energia Sustentável
Sobre as opções existentes para uma empresa brasileira que queira utilizar energias limpas e/ou renováveis em seu data center, José Luiz de Martini, diz que o clima predominante no país, dificulta a aplicação de grandes soluções. Porém a adoção de outras praticas, pode conduzir a um melhor rendimento, observando que um bom projeto, encomendado e elaborado, por quem tenha sensibilidade e vontade quanto a obter resultados, pode ser de grande valia.
Ele lembra que o setor de edifícios comerciais já fez e vem fazendo isso e alcançou uma redução de menos 1/3, nos consumos de energia, nos últimos 10 anos.
Marcos Cataldo comenta que, atualmente existem alguns tipos de tecnologias em desenvolvimento para produção de energia através de fontes limpas, como: fotovoltaica, solar térmica, geotérmica, eólica, hidráulica, oceânica e biomassa. Todas essas precisam de um grande investimento inicial e um bom estudo para verificar a viabilidade técnica, no local a ser implantada. Cataldo ressalta que para pequenos e médios data centers, essas tecnologias ainda são um investimento fora da realidade e que uma saída viável é elevar ao máximo a utilização de equipamentos, que tenham os mais elevados níveis de tecnologia e eficiência energética, como é o caso de UPSs modulares, que conseguem trazer economias enormes por poderem ser acrescentados aos sistemas conforme a necessidade de crescimento das cargas, trabalhando com grau de eficiência energética de até mais de 96%, on line, mantendo um alto grau de confiabilidade operacional, diminuindo necessidades de espaço, ar-condicionado, geração a combustível e gastos com instalações.
Para os próximos anos, Cataldo diz que o país continuará suplantando possíveis problemas de infraestrutura e seguirá com novos projetos. "O Brasil é um país com capacidade de crescimento enorme e a demanda por serviços de processamento e armazenamento de dados só tende a aumentar. Apesar dos problemas de infraestrutura, somos uma das maiores economias do mundo hoje e temos uma posição estratégica na América Latina. Assim, a empresa de data center que não estiver posicionada estrategicamente para atender a esse cenário, estará perdendo uma grande oportunidade de negócio."