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É sabido que a operação de um data center pode ser uma atividade muito exaustiva. Além de gerenciar operações diárias, uma tarefa por si só assustadora, gerenciar projetos de automação, migração e implantação de novas tecnologias e sempre buscar otimizar toda a infraestrutura garantindo melhor desempenho, redução de custos de energia, refrigeração e maior segurança pode resultar em uma tarefa muito complicada.
Atualmente as principais preocupações da indústria giram em torno da otimização da infraestrutura existente e na melhoria da eficiência energética das instalações, tanto para limitar o impacto ambiental dos data centers, como para reduzir o consumo de energia.
 
Para falar sobre as preocupações que rondam a indústria de TI, a Datacenter Dynamics conversou com o Engenheiro Fabiano Azevedo. Profissional com mais de 17 anos de experiência em operação e manutenção de Data Centers, graduado em Engenheira Elétrica com MBA em Gestão Empresarial pela FGV. Já atuou como Gerente de operações e manutenção do Data Center do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE e hoje, ocupa o cargo de Gerente de Operações em um dos maiores Data Centers da América Latina, o Complexo Central de Tecnologia do Banco do Brasil em Brasília pela Conbras Engenharia.
 
Logo no início da conversa o engenheiro faz um alerta, dizendo que gestores de ambientes críticos têm que ter uma visão holística das instalações, seja esta temporal ou abrangente e que por isso, é grande a probabilidade de garantir a alta disponibilidade das instalações se o foco estiver em 5 pilares, a saber: projetos, equipamentos, instalações, equipe e processos.
Segundo ele, não adianta ter um bom projeto ou bons equipamentos se os mesmos não forem bem instalados. Além dos problemas usuais em uma obra, normalmente é também nesta fase que se tenta tirar todo o atraso do cronograma. Quando se trata de um novo site, se passa a operar a instalação com alguns profissionais que trabalharam na obra mais por falta de planejamento operacional prévio. É somente através dos processos que se pode controlar ou gerenciar todo o sistema. Acerca da questão de como tratar a utilização eficaz de energia mediante métricas e monitorização, Azevedo diz que independente da categoria que se possa aplicar ao Data Center, é importante definir metas internas de eficiência, mais próximas possível de 1,5, já que a finalidade é conseguir o melhor resultado da instalação. O engenheiro acredita que as empresas brasileiras têm investido em missão crítica.
 
“As empresas brasileiras ou aquelas instaladas no Brasil de médio e grande porte, quando projetam o seu TCO têm feito projeções bastante relevantes no que diz respeito à CAPEX.” 
Sobre o OPEX, Azevedo acredita que ainda há muito que se caminhar, já que segundo ele, as empresas não têm contemplado recursos suficientes para manter e operar as instalações dentro de um patamar de excelência operacional. 
 
A respeito do desafio de manter um data center em operação 24 horas por dia e sete dias por semana, garantindo a proteção dos equipamentos e o controle do consumo de energia, o engenheiro assegura que um Data Center eficiente, normalmente antes de ser concebido passa por uma avaliação das necessidades do negócio, que contempla uma série de questões importantes para nortear o projeto e a operação.
É nesta avaliação que são identificadas algumas premissas importantes para a confiabilidade da operação do negócio. Feito isto, se pode projetar uma instalação com a devida topologia que garanta uma alta disponibilidade e com a máxima eficiência energética.
 
Debilidades do Brasil
 
Fabiano Azevedo assegura que os principais problemas do Brasil nesse segmento é a falta de mão-de-obra qualificada em todos os níveis, desde o técnico até o gestor, do projetista ao instalador. Segundo ele, os profissionais e empresas competentes, instalados em nosso país não conseguem atender toda a demanda, comprometendo seriamente os resultados do negócio daqueles que não contam com bons profissionais. A falta de empresas especializadas, nas últimas décadas, de formação acadêmica, no negócio de missão crítica, como a DatacenterDynamics Professional, causou a lenta formação, com muitas paradas não planejadas e prejuízos para os negócios. “Esperamos que essa nova geração de profissionais possa produzir bons frutos para nosso segmento em médio prazo.”
 
Sobre as principais carências dos profissionais de data center no país, no momento de manter a disponibilidade no Data Center, Azevedo comenta que uma delas é a falta de habilidade ou interesse em se fazer um planejamento estratégico abrangente e customizado para o Data Center.
“O brasileiro não tem a cultura do planejamento e nem a disciplina para mantê-lo, embora saibamos que existem felizes exceções."
 
O engenheiro acredita que para garantir alta disponibilidade, seja em um velho Data Center ou em um novo e moderno, é importante dar relevância a todos os fatos. O gerenciamento deve ser abrangente e profundo em todas as áreas e para isto é necessário, primeiramente um bom planejamento estratégico, bons processos, ferramentas e pessoas qualificadas e alocadas no lugar certo. 
“Há Data Centers que estão caminhando na beira do penhasco e estão a ponto de cair e nem sequer percebem isso.”
 
A respeito da área que pode ser o ponto mais frágil na instalação, o engenheiro assevera que o Cooling pode ser o ponto mais delicado.
Embora os sistemas UPSs não deixem margem para falhas, devido sua proximidade e impacto direto na carga de TI, o Cooling tem sido a área que mais tem desafiado os engenheiros, no que tange a operação de um Data Center.
Além dos tradicionais problemas de ser o maior consumidor de energia de um Data Center, e racks de alta densidade. Hoje em dia, aliado a estes, outras tecnologias como a virtualização de servidores, têm gerado novos problemas como Hot Spot Dinâmicos. Azevedo observa que as últimas recomendações da ASHRAE TC 9.9, terceira edição de 2011, aumentaram os ranges de operação de temperatura, trazendo diversos problemas colaterais que se não observados e tratados podem causar diversas fragilidades, dentre elas uma baixa inércia térmica.
 
Fabiano Azevedo vai mais além, expondo como se pode melhorar e mostra um passo a passo.
“Eu sou sempre muito otimista e acredito que não há nenhum desafio que não possa ser cumprido, se tiver as ferramentas e as pessoas certas.”
 
Partindo do ponto de vista que as organizações possuem os recursos adequados para investir em pessoas ou empresas especializadas, independente de seu porte, o engenheiro dá as seguintes dicas, a saber:
• Gap analysis da instalação, pessoas e processos;
• Construir um planejamento estratégico
para vencer em curto médio prazo todas as
deficiências e limitações;
• Investir em uma ferramenta DCIM para
garantir a eficiência e manutenabilidade da gestão.
Além de engenheiro de infraestrutura de Data Center, Fabiano Azevedo também ministra cursos de Critical Operation Professional da Datacenter Dynamics pelo Brasil.
Este ano ministrou cursos em Brasília e em São Paulo