Em 2013 o Governo Federal anunciou um investimento, da ordem de R$ 47 bilhões em data center, entre 2013 e 2017. O montante inclui investimentos em instituições públicas, empresas privadas e bancos.
No que tange ao setor público, o governo vem cumprindo a promessa e tem realizado investimentos por meio de linhas de financiamento de projetos que atendem ativos de data center.
Só a Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social - Dataprev, recebeu o aporte de aproximadamente R$ 200 milhões para a reestruturação e modernização de seus data centers, a fim de se preparar para uma demanda que tem se ampliado, à medida que a oferta de serviços da empresa se diversifica. "O governo pode apoiar a consolidação dessas iniciativas, direcionando cada vez mais sua demanda tecnológica paras as empresas públicas, gerando novas receitas e ampliando o poder de investimento", diz o diretor de infraestrutura de TIC da Dataprev, Daniel Darlen.
O Serviço Federal de Processamento de Dados - Serpro, garante que a construção de novos data centers, com certificação TIER 4 e demais certificações reguladoras, estão na pauta financeira e organizacional do governo, que segundo a instituição, tem investido em segurança, nuvem, normatização, inclusão digital, convênios para formação e especialização de profissionais, tanto em universidades, quanto em empresas governamentais, fomentando a evolução, principalmente em órgãos detentores de sistemas estruturantes.
Data Center
O presidente do Instituto de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Espírito Santo, Vitor Murad, afirma que hoje o data center do Prodest, assim como instalações de outras instituições públicas, estão bem preparados para alta densidade e Computação em Nuvem. Segundo ele, essas tecnologias vêm sendo pensadas e planejadas dentro do setor público. "Sendo o Prodest o ponto focal de TIC no Estado do Espírito Santo, temos buscado estar em contato com novas tecnologias, elaborando estudos e projetos para a viabilidade de adesão em nossa infraestrutura. Buscamos alternativas que tragam vantagem sob diversos aspectos, tais como: meio ambiente, economia de recursos, melhoria na qualidade técnica, melhoria na segurança, entre outros."
O diretor de infraestrutura de TIC da Dataprev, Daniel Darlen, diz que os data centers da instituição foram projetados para suportar sistemas de missão crítica, que necessitem de alta disponibilidade, estabilidade e escalabilidade. O diretor conta que a estrutura de armazenamento passou por uma atualização tecnológica e agora tem disponível mais de 6 petabytes de espaço para utilização. A rede interna dos centros de processamento também vem evoluindo e hoje oferece suporte de até 10 gbps por segundo de velocidade de comunicação. "O ambiente de nuvem da Dataprev está sedimentado nessa nova infraestrutura tecnológica, que vem sendo utilizada internamente, principalmente pelas áreas de desenvolvimento. E algumas propostas foram enviadas a clientes interessados no potencial do ambiente de nuvem", comenta ele.
Já o Serpro destaca que os data centers de instituições públicas, que não estão preparados para alta densidade, têm buscado essa preparação. O superintendente de Centro de Dados, José Gomes Júnior, afirma que unidades cujo o core business é a tecnologia ou esteja estritamente arraigado a ela, estão sim preparadas ou em fase evoluída de adequação; uma vez que a Computação em Nuvem não é mais o futuro, e sim o presente dos data centers. De acordo com ele, todo o processo de ajuste do uso de infraestrutura elétrica e lógica, além de espaço físico nos data centers, leva em consideração a elevação da densidade com o consequente aumento da capacidade computacional.
O superintendente declara que o Serpro é um dos precursores no uso dessa tecnologia, tendo diversos projetos já em execução através dessa metodologia. Segundo ele, cabe salientar que a instituição, além de produzir serviços em nuvem computacional, também vem melhorando seu desempenho ao associar todo processo de automação, de gerenciamento e de segurança a essa plataforma. "Iaas, Paas e Saas estão intrinsecamente associadas à Computação em Nuvem e tanto um quanto o outro são utilizados pela empresa para prover qualidade na entrega de serviço aos seus clientes", comenta.
Certificações
A Dataprev, o Serpro e o Prodest afirmam que as empresas públicas estão sim preocupadas com a obtenção de certificações como as do Uptime e Leed Gold. As instituições afirmam que a obtenção de certificações ambientais, tecnológicas, de engenharia e de segurança, além de muitas outras estão no planejamento público.
Daniel Darlen comenta que seja qual for a certificação, a obtenção indica um caminho de padronização e perenidade dos processos implantados. Segundo ele, conseguir e manter uma certificação, que possua auditoria periódica para sua continuidade, obriga o certificado a atentar para seus procedimentos internos e seus processos de operação, de maneira a não se desviar das recomendações previstas na certificação. O executivo detalha que o novo projeto de data center da Dataprev foi baseado na certificação internacional do Uptime Institute, Tier III e tão logo as obras do Centro de Processamento do Rio de janeiro terminem, será iniciado o processo de análise da viabilidade, a fim de obter a certificação.
Parcerias público-privadas
No Brasil, a legislação que regula as Parcerias Público-Privadas (PPPs) é a Lei n.º 11.079, que estabelece que um contrato de PPP deve ter duração de no mínimo 5 e no máximo 35 anos, não podendo ser inferior a R$ 20 milhões. O agente privado é remunerado exclusivamente pelo governo ou numa combinação de parte de tarifas, cobradas de usuários dos serviços além de recursos públicos.
Dentro desse contexto, a Dataprev e o Prodest, afirmam que as PPPs vêm crescendo em todos os segmentos públicos. O presidente do Prodest, Vitor Murad Filho, diz que o setor privado tem um retorno seguro do investimento, enquanto a administração pública consegue mais agilidade para cumprimento de metas. Segundo ele, em âmbito federal, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal são exemplos de sucesso de PPPs, com a conclusão do Complexo Data Center Cidade Digital Banco do Brasil - Caixa, no Parque Tecnológico Capital Digital, em Brasília.
Mão de obra qualificada
Quando o assunto é especialização, José Gomes Júnior, declara que o Serpro é uma das melhores escolas de formação de mão de obra especializada em TI, quer seja na plataforma alta, mainframe, quer seja na plataforma baixa, Risc e Cisc ou em desenvolvimento de sistemas. O superintendente diz que aliado a essa capacidade de formação e especialização, a instituição direciona vagas de concurso com foco específico para atendimento à necessidade de composição ou recomposição de quadro em segmentos específicos, fazendo com que alguns concursados já ingressem na empresa com um nível de conhecimento que, se não lhes dá autonomia para atuar imediatamente em alto nível de suporte, lhes garante grande atalho no tempo de formação para lidar com soluções e ambientes operacionais. Porém, a grande maioria dos concursados passa por um processo de formação dentro do Serpro, o que demanda tempo e investimento e, principalmente, envolvimento dos funcionários mais experientes na formação dos que acabam de chegar.
O Prodest também afirma que mão de obra qualificada não tem sido um problema para a instituição. Vitor Murad diz que no Espírito Santo, tem encontrado profissionais qualificados. "Obviamente, são necessários cursos e treinamentos para melhor adaptação de novos empregados e também para aprimorar o conhecimento dos funcionários que já estão há mais tempo na nossa equipe", ressalta.
A Dataprev também partilha da mesma opinião, dizendo que funcionários admitidos em concurso são, em geral, muito qualificados para diversas atividades nos data centers, mas como em qualquer lugar, algumas ações requerem treinamentos bem específicos.
Marco Civil da Internet
Sobre a medida aprovada em abril de 2014, depois de muita polêmia, a Dataprev diz que prefere se resguardar e que está esperando os próximos acontecimentos em torno do assunto para se pronunciar. Enquanto isso não acontece, a empresa está avaliando os impactos na segurança de suas operações, decorrentes do Marco Civil.
Já Vitor Murad afirma que o Prodest é favorável a qualquer implementação de regra que proteja a privacidade e a integridade das informações que circulam na internet. O presidente do Prodest declara que a instituição condena o mau uso da rede mundial de computadores por indivíduos ou nações e ressalta que seu único receio, é que caso a regulamentação seja excessiva, conforme previa-se em alguns projetos de lei, que ensejaram justamente a discussão sobre o Marco Civil da Internet, seja perdida a liberdade de expressão que a internet trouxe consigo.
O Serpro avalia a medida como positiva, dizendo que o Marco Civil vai de encontro às necessidades do país em regulamentar o uso da Internet, normatizando e dando direcionamentos, padrões e limites. "Como participante das câmaras de debate acerca do tema, vemos a ação de forma extremamente positiva", avalia o superintendente José Gomes Júnior.
Tendências
De acordo com Serpro, o setor de data center, dentro de instituições públicas é promissor. José Gomes Júnior acredita na dinamização de parcerias entre órgãos de governo. Para ele, é essencial a realização de investimento cada vez mais focado e assertivo em tecnologia e em inovação tecnológica, com aumento da concentração de capacidade produtiva, a partir da evolução dos hardwares e aprimoramento das soluções de software e, consequentemente, um crescimento vertiginoso da automação e do uso da nuvem.
A Dataprev diz que trabalha com visão, em longo prazo, no que diz respeito aos seus ambientes de data center, garantindo que a reestruturação atual seja passível de expansão quando necessária. Para a instituição, os investimentos continuarão à medida que os clientes forem se consolidando e ocupando as estruturas atuais.
Já o Prodest diz que apesar de acreditar em uma futura expansão, é consciente de que o setor público precisa melhorar muito nos quesitos de economicidade, agilidade e qualidade no atendimento ao cidadão e, fatalmente, a infraestrutura de TI faz parte deste processo de melhoria.