A instalação do data center da Empresa de Processamento de Dados do Espírito Santo (Prodest) trouxe inúmeros benefícios a gestão do governo estadual, à população e ao setor privado do estado. Isso é o que explica a diretora técnica, Sylvia Abaurre, que planeja para 2013, a expansão do processamento de sua nuvem, aumento da capacidade de armazenamento em 600TB e implementação de rede de 10Gbps.
“Observamos uma redução de custos em torno de cinco vezes, caso fosse implementada ou mantida uma estrutura semelhante para cada órgão do governo. Essa diminuição abrange custos com mão de obra, equipamento, software, ativo fiscal, local físico, segurança, entre outros”, explica Abaurre, que ainda revelou a intenção do órgão em adotar uma solução DCIM a partir desse ano. Ao todo, a nuvem da instituição conta com 400 servidores virtualizados.
Para Abaurre, a atuação do data center da Prodest deu agilidade aos serviços de governo eletrônico tocados pelo governo estadual, além de servir de apoio para o Ponto de Troca de Tráfego (PTT) da Internet.BR. O sucesso da iniciativa ainda inspirou o setor privado local, que chegou a procurar o órgão para hospedar informações na estrutura que conta com sala cofre, monitoramento da infraestrutura TIC, redundância elétrica, e 1PB de armazenamento...
“Empresas privadas cogitaram a possibilidade de hospedagem de seus ativos em nosso ambiente. Mas, como a autarquia não tem esse foco, acabou gerando uma demanda explícita por esse tipo de serviço, e que já deu origem ao surgimento de outros dois data centers privados”, conclui.
Confira a entrevista completa:
DCD – O que levou o governo do Espírito Santo a adotar um data center próprio?
Sylvia Abaurre – Custo X Beneficio: Observamos uma redução de custos em torno de cinco vezes, caso fosse implementada ou mantida uma estrutura semelhante para cada órgão do governo. Essa diminuição abrange custos com mão de obra, equipamento, software, ativo fiscal, local físico, segurança, entre outros.
Confiabilidade: Possibilidade de, por meio da centralização, conseguir um maior nível de SLA (Service Level Agreement) com um projeto eficiente para disponibilidade de todos os elementos críticos que compõem o ambiente de TI (energia elétrica, conectividade, topologias redundantes, equipamentos, sistemas, serviços e monitoramento ativo 24x7).
Crescimento: Devido à intensa modificação do mercado de TI pública e do crescimento das aplicações envolvendo governo eletrônico, tornou-se necessário o governo do ES estar pronto para enfrentar novas realidades rapidamente. Essa solução permite crescer sem que sejam feitos pesados investimentos que comprometam a agilidade de resposta.
Segurança: Com uma Política Estadual de Segurança bem definida, propiciamos tranquilidade para nossos clientes/ usuários e para o cidadão com dados bem protegidos num local central. Toda infraestrutura é composta por equipamentos de segurança, tais como firewalls, câmeras de monitoramento, gerenciamento físico de todos os servidores e sistemas operacionais, ambiente climatizado, energia balanceada e garantida por meio de baterias e geradores, complexo sistema de acesso físico, entre outros.
DCD – Na formatação do data center, qual a dificuldade de mantê-lo atualizado diante de entraves burocráticos, característicos do setor público?
Sylvia Abaurre – Existe a necessidade de mantermos um contrato de atendimento permanente na modalidade on-going com algum parceiro privado. Este contrato garante o atendimento às demandas mais urgentes. Fazemos também uma previsão orçamentária anual que nos possibilita implementar as novas funcionalidades e tecnologias. O planejamento é fundamental para que as compras ocorram no tempo necessário para a boa gestão do ambiente.
Qual o planejamento do investimento para 2013?
Sylvia Abaurre – São previstos até 2014 projetos como a implementação de rede FCOE 10Gbps de alta disponibilidade; aquisição de nova ferramenta de segurança de dados (backup, replicação); aquisição de novo sistema de armazenamento de 600TB; e duplicação da capacidade de processamento da nuvem de virtualização.
Também estão previstos o fechamento de corredores de contenção de ar frio; implantação de ferramenta DCIM; aquisição de soluções de réguas elétricas inteligentes para monitoramento e bilhetagem; e ampliação da infraestrutura de cabeamento estruturado gerenciado.
DCD – Quais os principais programas do governo afetados com a adoção do data center? Como a população acaba impactada?
Sylvia Abaurre – O Programa ES-Digital prevê a construção de anéis de fibra óptica em todo o Estado. O Data center é o nó principal desta rede distribuída de fibras de alta capacidade. Nele, estão hospedados diversos sistemas críticos para a população capixaba como o Sistema de Gestão Hospitalar, Farmácia Cidadã, georeferenciamento, sistemas de habilitação e licenciamento de veículos, dentre outros. O aumento de disponibilidade e velocidade para esses sistemas afeta diretamente a qualidade do serviço de Governo Eletrônico prestado ao cidadão.
Os serviços eletrônicos do governo estadual foram classificados em primeiro lugar no país, em março de 2012, em avaliação do Governo Britânico, por meio da empresa de consultoria e-Stratégia Pública. Foram analisados o Portal de Compras (www.compras.es.gov.br), que permite o acompanhamento de licitações, e o Portal da Transparência (www.transparencia.es.gov.br), que possibilita a sociedade acompanhar a aplicação dos recursos públicos. Também foram avaliados os serviços eletrônicos como a solicitação da CNH via Internet, o Boletim de Ocorrência Online, o Boletim Escolar e a ampliação do uso da internet nas escolas.
DCD – O que torna o data center da Prodest referência nacional em TI?
Sylvia Abaurre – Grande oferta de processamento e armazenamento de dados; alta disponibilidade das informações hospedadas: em 20/09/2012 o Datacenter completou dois anos sem nenhuma indisponibilidade em todas as suas “facilities” (Energia, UPS, rede, Ar de precisão, dentre outros); alta tecnologia envolvida.
DCD – Quais as características técnicas do data center que se destacam?
Sylvia Abaurre – Todos os ativos de TIC estão armazenados em sala cofre; a autonomia de aproximadamente 24hs para falta de energia; todos os ambientes são segregados por controle de acesso; o monitoramento ininterrupto de toda infraestrutura de TIC; a redundância de toda infraestrutura elétrica e de dados; a rede de núcleo de 10Gbps; a capacidade de armazenamento de mais de 1PB de dados (a partir de fevereiro); o Ponto de Troca de Tráfego (PTT) da Internet.BR; e a nuvem de virtualização com mais de 400 servidores virtuais.
DCD – E como a consolidação de um data center desse porte no ES impacta o mercado local e inspira o setor privado?
Sylvia Abaurre – Desde a sua inauguração, o data center do Prodest vem sendo continuamente procurado por técnicos das áreas públicas e privadas do estado e do Brasil. Empresas privadas cogitaram a possibilidade de hospedagem de seus ativos em nosso ambiente. Mas, como a autarquia não tem esse foco, acabou gerando uma demanda explícita por esse tipo de serviço, e que já deu origem ao surgimento de outros dois data centers privados. O Datacenter do Prodest funciona também como Ponto de Troca de Tráfego da Internet no ES e os outros data centers estão conectados ao nosso com vistas a melhor gestão e economia na utilização da internet.