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Nos últimos anos, muitas empresas vêm anunciando a construção de data centers no Brasil, em contrapartida se analisarmos o custo de energia em países vizinhos, constatamos que o Brasil não é competitivo em nível de CAPEX e OPEX. O país vem sofrendo com apagões e a previsão é de que o preço da energia continue aumentando, segundo anúncio recente do ministro da Fazenda Guido Mantega.
 
A Cushman & Wakefield acredita que é imprescindível que haja boa vontade do governo para resolver questões inerentes à indústria de data center nacional. Mas acredita que o Brasil não perderá espaço para outros países da América Latina.
“Do ponto de vista de infraestrutura, o Brasil certamente não é competitivo e pune o setor em termos de investimento e custos operacionais. Porém, como a demanda é crescente, acreditamos no potencial de incremento desse segmento no país.”
 
Mão de obra qualificada
 
É fato que o mercado brasileiro de data center segue em expansão. Mas o país sofre com a falta de mão de obra qualificada. Diante desse impasse, a saída mais viável para a Cushman & Wakefield é o investimento privado. Segundo a empresa, primeiramente é preciso atrair mão de obra especializada de outras localidades, onde há oferta para o Brasil, para depois desenvolver essa expertise localmente, com o apoio do governo e instituições de ensino/universidades públicas e privadas, através de incentivos, como bolsas de estudo. 
Em longo prazo é necessário mais investimento, priorizando a educação, para a pronta formação de profissionais de TI. 
 
Big Data e Cloud Computing 
 
O gerente de Representação de Inquilinos da Cushman & Wakefield, Renato Almeida, diz que existe uma grande tendência na adesão de Big Data e Nuvem por parte das empresas nacionais, tudo em consequência de uma população e de uma economia crescentes, que se digitaliza a cada dia, resultando em uma demanda maior por armazenamento e fácil acesso de dados. 
“Adicionalmente, conforme a tecnologia se desenvolve e oferece mais segurança aos seus usuários e havendo uma regulamentação para o setor, haverá uma atratividade para consumidores que não terceirizam o armazenamento de seus dados, por questões estratégicas de segurança da informação”, comenta.
 
Regulações para o setor de TI
 
Aprovado no último mês de abril, o Marco Civil, Constituição da Internet da brasileira, que pretende impulsionar legislações de diferentes países baseando-se em três aspectos: privacidade, neutralidade de rede e liberdade de expressão.
O processo de elaboração e aprovação do Marco Civil durou ao todo mais de sete anos. A medida entra para história do país, como uma proposta para a regulação da internet. 
 
No Brasil, a indústria de data center vem analisando as possíveis vantagens que a aprovação do projeto pode trazer. 
De acordo com a Diretora do Departamento de Serviços e Universalização de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Miriam Wimmer, a aprovação do Marco Civil da Internet traz ganho em termos de estabilidade regulatória e segurança jurídica para a indústria de data center, já que torna explícitas as regras do jogo e estabelece critérios claros sobre responsabilidades, direitos e deveres, eliminando incertezas que poderiam afugentar futuros investimentos.
 
A Diretora de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, diz que é preciso levar em consideração o artigo 24, inciso VII da lei, que estabelece uma diretriz clara para União, Estados e Municípios, no sentido de estabelecer um ambiente propício para a implantação de centros de armazenamento, gerenciamento e disseminação de dados no país. 
Para a Cushman & Wakefield a aprovação do Marco Civil da Internet é um passo importante para a regulamentação da internet, mas segundo a empresa, o conteúdo ainda precisa ser aperfeiçoado para suprir as necessidades de usuários, criadores e administradores de conteúdo e da legislação. 
 
Sobre a iniciativa do governo brasileiro de propor um marco regulatório para a internet em nível mundial, através do Marco Civil Mundial, Renato Almeida diz que a iniciativa é sim necessária para regulamentar o setor e torná-lo mais seguro para todos que utilizam a internet, seja usuário, fornecedor/empresário ou governo. O gerente da Cushman & Wakefield observa que em países como a Alemanha já existem diretrizes e regulamentações voltadas para o setor.
 
Sobre os desafios da nuvem, Renato Almeida diz que no que tange a Computação em Nuvem, o Brasil ainda não tem uma lei específica que assegure os direitos de empresas e provedores, no momento da assinatura de um contrato. 
Atualmente vem sendo tramitado no Congresso Nacional o “Marco Regulatório da Computação em Nuvem”, do Deputado Ruy Carneiro (PSDB-PB). O Projeto de Lei, ainda precisa ser aprovado em diversas comissões dentro da casa e por isso, ainda não se sabe quando este entrará em vigor. 
 
No que tange ao tema, a Cushman & Wakefield acredita que a falta de uma legislação específica coloca o segmento de nuvem em desvantagem no Brasil. O principal motivo é o risco para empreendedores e depositantes. Consequentemente, o risco se reflete em preços mais altos para os consumidores.
 
Carga Tributária
 
Quando o assunto é carga tributária, a Diretora de Telecomunicações do Ministério das Comunicações constata que comparada com outros países, a carga tributária nacional é realmente elevada. Segundo ela, o governo brasileiro tem ciência do alto valor cobrado e vem trabalhando para reduzir o peso dos tributos no setor de data centers. Miriam Wimmer cita como exemplo o Regime Especial do Programa Nacional de Banda Larga que oferece suspensão dos tributos federais PIS, COFINS e IPI para projetos de data center, que façam uso de equipamentos e componentes de rede, com pelo menos 5% de tecnologia nacional e tenham 30% de aderência às obrigações do Processo Produtivo Básico.
 
Atualmente existe um Projeto de Lei em discussão no Congresso Nacional que oferece outros incentivos tributários. “Entende-se, no entanto, que as propostas de incentivo tributário ao setor de data center devem necessariamente considerar o peso dos tributos estaduais e municipais, que oneram de forma significativa a prestação de serviços de telecomunicações e de energia elétrica.”
A Diretora esclarece que o governo é consciente do fato da alta carga tributária ser um dos fatores, principais, que limitam a expansão dos serviços no país, mas ressalta que por esse motivo, o Governo Federal vem adotando medidas para estabelecer benefícios fiscais para o contínuo investimento em data centers no Brasil.
 
Infraestrutura
 
Sabe-se que as dificuldades para instalação de infraestrutura, como restrições para antenas e direito de passagem de redes de fibra vêm impactando o setor. Nesse sentido, Wimmer afirma que o Ministério das Comunicações tem acompanhado com atenção e apoia o chamado Projeto de Lei das Antenas (PLS 293/2012), que, entre outros objetivos, busca estabelecer critérios uniformes e objetivos relativos à implantação e o compartilhamento da infraestrutura de telecomunicações no país.
 
Sobre o Plano Nacional de Banda Larga – PNBL, a Diretora diz que nos últimos anos verificou-se um expressivo crescimento do acesso à banda larga no país, com especial destaque para as regiões Norte e Nordeste. No que se refere à atuação da Telebras, todas as capitais das regiões Norte e Nordeste serão interligadas com fibra óptica. Hoje, falta somente a interligação de Macapá, que será atendida ainda este ano. Deve-se mencionar também a previsão de lançamento de um satélite geoestacionário de comunicações e defesa até 2016, que atenderá municípios mais afastados. Por fim, a licitação da faixa de 450 MHz assegura atendimento com serviços de voz e de dados fora das sedes municipais, assegura a Diretora.
 
Sustentabilidade 
 
Quando o assunto é sustentabilidade, a Cushman & Wakefield afirma que o Brasil ainda precisa caminhar, mas ressalta que existe sim potencial, em função dos recursos naturais disponíveis, como a possibilidade de geração de energia hidroelétrica, que é uma das formas mais limpas de geração de energia. Porém observa que a ineficiência na transmissão e no fornecimento são as principais razões que vêm tornando o preço mais caro para o consumidor final. 
 
“O potencial existe, mas ainda é necessário muito investimento no setor de forma eficiente, para termos um modelo que se aproxime de um conceito sustentável. São os consumidores que irão “fiscalizar” as empresas através de seu poder de escolha no momento da compra. Nossa opinião é que a sustentabilidade é um processo sem volta”, conclui.