Despontando na América Latina, o mercado brasileiro de data center tem se convertido em um celeiro de oportunidades, não apenas na adoção de novas tecnologias, mas de gestão de TI e infraestrutura de data center. Ainda assim, empresas nacionais, enfrentam grandes desafios em gerenciamento de data centers. Um dos principais, talvez o mais importante deles, é a refrigeração. Uma das maiores fontes de gastos recorrentes de um data center.
É sabido que data centers são grandes consumidores de energia elétrica. De acordo com o especialista Alexandre Kontoyanis, em um data center com PUE=2, o sistema de refrigeração pode representar até 40% da conta de energia. Segundo o especialista, quando se busca maximizar a economia, os primeiros passos devem ser dados nos sistemas que mais gastam. Sendo assim, a área de refrigeração é a principal quando se fala no aumento da eficiência energética de um data center.
Engenheiro mecânico, com vasta experiência profissional em refrigeração de ambientes de missão crítica, nos últimos anos Kontoyanis vem atuando especificamente em operação e manutenção de sistemas de refrigeração, prestando consultorias tanto para solucionar problemas quanto para projetos de eficiência energética em toda América Latina, além de palestrar em eventos do setor. O especialista integra o quadro de professores da DC Professional (DCPro), departamento de cursos da DatacenterDynamics, e já formou diversas turmas no Brasil e em outros países da América Latina.
Em conversa com a DCD, Kontoyanis fala sobre a importância da climatização adequada em ambientes de data center e dos desafios impostos por ela. Confira a entrevista, a seguir.
DatacenterDynamics: Em um país como o Brasil, qual é a real importância da refrigeração?
Alexandre Kontoyanis: O Brasil é um país de grande extensão territorial, com uma vasta diversidade climática. Apesar de ser reconhecido como um país de clima tropical, há várias oportunidades de se utilizar as condições ambientais externas para manter os equipamentos de TI em funcionamento. Como exemplo, temos São Paulo, que em mais de 80% do tempo tem suas temperaturas externas abaixo de 25°C. Cada cidade tem um perfil distinto de condições climáticas e têm que ser avaliadas caso a caso.
DCD: Qual é o desafio quando se fala em refrigeração?
A. K.: Há uma certa confusão quando falamos sobre refrigeração em data centers. Todos os equipamentos de TI transformam praticamente toda energia que consomem em calor e esse calor deve ser exaurido de alguma forma do data hall. Isso não é, de fato, refrigeração.
O desafio está em o que fazer com esse ar quente após a saída dos equipamentos de TI. A maioria dos data centers no país utiliza sistemas de chillers para, indiretamente, resfriar esse ar e retorná-lo ao data hall em uma temperatura mais baixa. O uso de sistemas mecânicos para esfriar esse ar que chamamos, de fato, refrigeração. Dito isso, podemos afirmar que em vários locais a refrigeração é dispensável.
DCD: Free Cooling é uma opção bem conhecida das empresas brasileiras?
A. K.: As técnicas para aplicação do Free Cooling são conhecidas, mas não profundamente. Há um grande desconhecimento e vários mitos sobre confiabilidade e disponibilidade desses sistemas. Em nosso mercado, há uma resistência grande para mudanças. Veja que ao redor do mundo o Free Cooling é utilizado em larga escala. Apesar das grandes marcas já oferecerem equipamentos modernos de Free Cooling, grande parte dos projetistas não possui segurança suficiente para projetar e demonstrar segurança para os clientes.
DCD: Para que tipo de local o Free Cooling é mais indicado?
A. K.: Qualquer empresa pode utilizar, mas o mais importante é o local onde está o data center. Deve-se fazer um estudo de custo-benefício em cada local. Por vezes, em um local muito quente e úmido, apesar de ser possível utilizar algum sistema de Free Cooling, o payback do projeto o torna inviável e outros investimentos podem ser feitos para reduzir o consumo de energia.
DCD: Somente a temperatura é importante no uso do Free Cooling?
A. K.: Não, vários outros parâmetros são importantes como umidade, qualidade do ar dentre outros. Mas todas essas variáveis podem ser controladas ou contornadas para se aproveitar ao máximo as condições climáticas externas.
DCD: Quais são as tendências em refrigeração?
A. K.: Definitivamente a refrigeração zero. Buscar utilizar compressores ao mínimo para reduzir o consumo de energia sem prejudicar a disponibilidade dos equipamentos de TI.
DCD: Você afirma que a área de refrigeração possui várias oportunidades de melhoria. O que mais você pode destacar?
A. K.: Gosto sempre de destacar a gestão do fluxo de ar. Em vários data centers que visitei e que prestei consultorias obtiveram resultados relevantes com quase nenhum investimento. Por vezes, as perguntas mais simples não são respondidas pela equipe operacional. Onde medir a temperatura? Será que há ar suficiente para os equipamentos de TI? Na maioria das vezes, pequenos ajustes operacionais são capazes de trazer um grande impacto no consumo de energia dos sistemas de refrigeração.
DCD: Gostaria que falasse sobre o novo curso de cooling da DCPro.
A. K.: O curso de cooling da DCPro sempre foi referência de mercado. Agora, fizemos uma revolução no material, trazendo conteúdos atualizados e uma nova metodologia de aprendizado, baseado no ciclo de aprendizagem de Kolb, que permite que o aluno absorva o conhecimento de forma concreta.
O Cooling PRO está voltado para gerentes, operadores e projetistas de data center e traz luz sobre novas tecnologias e aplicações. Além disso, apresenta técnicas que podem otimizar sistemas de refrigeração de data centers de qualquer tipo e porte.
Já estamos aplicando desde o ano passado esse novo treinamento e o resultado tem sido fascinante, com alunos bastante satisfeitos e diversos feedbacks positivos sobre a aplicação das ferramentas apresentadas no curso.
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