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O Brasil está enfrentando uma crise energética sem precedentes. A falta de investimento no setor, aliada ao aumento gradativo do consumo de energia elétrica culminaram, este ano, na crise que afeta todo país.
Para o diretor da Ação Engenharia, Jose Starosta, todos os problemas começaram com a edição da Medida Provisória - MP, 579, que consistiu numa tentativa feita pelo governo de diminuir a tarifa de todo o setor elétrico em 20%. Segundo o engenheiro não havia condições econômicas e nem disponibilidade de energia suficiente para que isso fosse feito. "Porque, como qualquer produto, no momento em que você diminui o preço, incentiva o consumo."
 
Diante da crise para suprir a necessidade energética, o Brasil investiu na ativação de usinas termoelétricas movidas a carvão, óleo e gás. Ainda não há produção suficiente, caso a falta de chuva persista e a água dos reservatórios continue diminuindo. Dentro desse contexto, um fator agravante é a necessidade de importar matéria-prima para gerar energia nessas usinas, o que cria um alto custo de manutenção, que vem sendo  repassado para o bolso dos brasileiros.
 
DATA CENTER
 
Recentemente a Agência Nacional de Energia Elétrica - Aneel publicou as normas para o funcionamento do sistema de bandeiras tarifárias que repassou para a conta dos consumidores gastos extras na geração de energia pelas termoelétricas. O sistema entrou em vigor no dia 1º de janeiro deste ano e a previsão é de que a medida traga um custo adicional para os data centers.
 
Diante de um panorama preocupante, a busca por fontes alternativas de energia é o futuro para a sobrevivência dos data centers. Seja gás natural, solar, células de combustível ou outra tecnologia emergente, como o aproveitamento das marés, é fato que as novas fontes terão papel fundamental no desenvolvimento dos data centers, nos próximos anos.
Mario Meireles, especialista em Energia do Grupo Contax, diz que atualmente existem diversas alternativas para redução de consumo de energia em sistemas de climatização para data center. Segundo ele, as  melhores são: ar condicionado de precisão, free cooling e também o desenvolvimento de equipamentos de produção de água gelada.
 
RETORNO
 
Quando a preocupação é o retorno sobre o investimento, o especialista pontua que  para o ar condicionado de precisão o tempo de retorno é menor pelo fato do  nível de investimento ser menor. Na média geral de dois a três anos. Já o sistema de free cooling, que envolve uma maior complexidade, com uma adaptação maior em toda instalação, a média de mercado é de quatro a cinco anos. A redução de economia de energia de ambos sistemas, gira entre 20 a 50% de redução no custo de energia.
 
Para o gerente de operações do Grupo Sotreq, Marcelo Tadeu, a Cogeração é uma alternativa altamente viável para a indústria, na garantia de autossuficiência energética, principalmente no momento atual, de crise de abastecimento.
O gerente do Grupo Sotreq afirma que além de reduzir o impacto ambiental, oferecendo  energia limpa, maior rendimento, maior eficiência, qualidade de energia, redução dos custos e despesas com energia, independência do sistema; hoje em dia é possível utilizar a cogeração para fins de autonomia de energia, como uma fonte agregada à outras, independente do sistema.
 
Marcelo Tadeu observa que a aplicação de uma planta de cogeração em um data center varia de acordo com os requisitos, critérios e necessidade específica de cada caso. Segundo ele, ainda há um resistência das empresas de data center do Brasil para aplicação da tecnologia em ambiente de missão crítica. "A plena adoção da cogeração em ambiente de missão crítica no Brasil é uma questão de tempo. Esse processo também ocorreu no mercado Europeu e norte-americano, que já adotaram a tecnologia."
 
CRISE ENERGÉTICA
 
Para Marcelo Tadeu, o Brasil vive uma crise energética por falta de iniciativa política para o desenvolvimento de fontes de energia solar e eólica, e outras tantas que o país tem potencial para desenvolver através de combustíveis de origem orgânica que podem gerar gás bioquímico, que tratado, pode gerar energia adicional e ser integrado à matriz energética nacional.
 
Segundo o engenheiro da Ação Engenharia, Jose Starosta, o Brasil já esgotou praticamente seu potencial para a construção de novas hidrelétricas. De acordo com Starosta, hoje o Brasil tem um buraco de 60 bilhões de reais para poder pagar a geração térmica, torcendo para chover. 
"A eficiência energética foi desdenhada nos últimos 15 anos. Houve um programa da Aneel, voltado para a baixa renda, que não é o maior consumidor de energia. O compromisso do governo com a eficiência energética não foi firmado", pontua.
Diante do atual panorama, empresas de data center vêm buscando otimização em energia para driblar a crise. A TIER 4, empresa de engenharia que atua no mercado há mais de 15 anos, adotou o que tem de mais moderno e eficiente em termos de energia e refrigeração. Corredores de Ar, Iluminação em Led, Proteções Térmicas, Equipamentos com Fontes de alta eficiência foram as opções da empresa.
 
Segundo a TIER 4, o condicionamento de ar, é o maior “vilão” no consumo de energia em um data center. "Utilizamos telhados verdes, pintura nano térmica, equipamentos de precisão de alta eficiência, isolamento de corredores de ar, a fim de reduzir o consumo nesta especialidade", detalha o CEO da TIER 4, Daniel Fazenda Freire, que destaca que o alto custo da energia tem sido um obstáculo para o crescimento da empresa. "Como dependemos do crescimento de nossos clientes para continuar o nosso, a redução da disponibilidade energética nas grandes regiões limita o crescimento de nossos cliente e por consequência nos limita.
 
FUTURO
 
Em novembro de 2014 foi lançado o Plano Nacional de Energia - PNE 2050, revisão do Plano 2030 elaborado em 2007, o PNE é o primeiro estudo de planejamento integrado dos recursos energéticos realizado pelo governo. 
Conduzido pela Empresa de Pesquisa Energética – EPE, sob os cuidados do Ministério de Minas e Energia – MME, o PNE 2050 foi originado por conta da elaboração de quase uma centena de notas técnicas. O trabalho fornece subsídios para formulação de uma estratégia de expansão da oferta de energia econômica e sustentável com vistas ao atendimento da evolução da demanda.
 
De acordo com o portal do Ministério das Minas e Energia, o PNE 2050 leva em consideração, além das variáveis de mercado, questões socioambientais e potenciais avanços tecnológicos. Todos os tipos de energia foram contemplados pelo PNE – do petróleo à energia nuclear, da eólica à termelétrica, do gás natural à biomassa, entre outras. O plano é considerado um marco na história do planejamento do setor energético no país. Mas segundo Jose Starosta, não tem poder para resolver a atual situação. "O PNE 2050 é um programa de planejamento e tende a olhar para o futuro. Não é um plano de salvação. É um plano que mostra o caminho a ser seguido, dadas as condições atuais e projetadas."
De acordo com o diretor da Ação Engenharia, a crise energética atual poderia ter sido evitada se lá atrás o Brasil tivesse optado pela eficiência energética. Starosta também chama a atenção para a falta de logística no país e acredita que nos próximos anos ocorrerá uma aceleração de fontes não poluentes, como eólica, fotovoltaica, fotovoltaica térmica e termosolar. 
 
"Espero que os governos e as prefeituras entendam que a logística atual é limitada. O transporte público tem que vir para ajudar. Temos que ter bolsões para poder parar os carros e pegar os clientes. É o planejamento urbano que ajuda a energia ser utilizada de uma maneira adequada. Falta planejamento urbano nas cidades do país."
Para o engenheiro, a estrutura é primordial para que empresas estrangeiras  escolham o Brasil na hora de investir. Para o diretor da Ação Engenharia, são necessárias políticas de governo voltadas para adequação da infraestrutura, matriz energética, água, luz, estradas e logística.