Mudança significativa

Quando se trata de infraestrutura para data centers, dificilmente existe uma solução “padrão” — a menos, talvez, no caso de hyperscalers monolíticos. Equipamentos, aplicações, exigências específicas e outros fatores mudam quase diariamente. Soma-se a isso a velocidade com que a IA avança, exigindo racks e unidades com potência muito maior do que antes.

Estamos falando de atualizações, conversões e instalações totalmente novas nos chamados “espaços brancos” (white space). A implementação de infraestruturas com suporte à IA impacta diretamente na arquitetura do data center — inclusive a infraestrutura não computacional, como a tecnologia operacional (OT) e o cabeamento.

Acreditamos que somente uma abordagem holística com soluções integradas pode oferecer suporte adequado neste cenário. O mercado, as exigências dos clientes, as aplicações planejadas e os aspectos técnicos precisam ser considerados em conjunto. É essencial ir além das listas de compras por disciplinas separadas.

Muitos elementos estão interligados e dependem uns dos outros: as aplicações previstas, a potência de processamento necessária, o layout da sala técnica, a topologia da rede, o cabeamento, a conectividade, a energia, a refrigeração e a segurança. Esses desafios podem ser superados com uma abordagem abrangente e soluções integradas para a infraestrutura dos data centers.

Racks quentes – refrigeração líquida

Um exemplo claro da necessidade de abordagens integradas é a termodinâmica. Nos racks de IA “quentes”, estamos lidando com potências de 60, 120 ou mais kW. Processadores de alto desempenho para aplicações de IA só podem ser refrigerados de forma segura e eficiente com fluidos.

Isso significa que os data centers precisam instalar sistemas especiais de refrigeração ou dutos para líquidos refrigerantes e trocadores de calor. Até agora, o foco era mais em sistemas de refrigeração por ar, gerenciamento de fluxo de ar e corredores frio/quente. Agora, será necessário considerar infraestruturas muito mais complexas, que incluem sensores, bombas, mangueiras e sistemas de vedação. A instalação de sistemas inovadores de refrigeração líquida definitivamente não é trivial.

Mais potência – mais fibras

Outro exemplo é a alta densidade. O uso de IA generativa exige cerca de dez vezes mais fibras ópticas do que os data centers convencionais.

Os projetistas de redes podem precisar reconfigurar a arquitetura spine-leaf para integrar racks ou clusters de IA. Essas novas unidades de processamento não podem ser simplesmente conectadas ao distribuidor mais próximo — é necessário planejar conectividade de alto desempenho. Conectores inovadores no formato VSFF terão um papel importante na implementação de cabeamento óptico paralelo de alta densidade.

Esse tema pode ser tratado com mais tranquilidade, pois está comprovado que o princípio do cabeamento estruturado continua sendo a solução mais eficiente para a estrutura básica da rede.

Mais ou menos energia

A IA é, sem dúvida, uma grande consumidora de energia. Ainda assim, o consumo energético precisa ser reduzido — ou, pelo menos, não continuar crescendo descontroladamente. Por isso, é essencial analisar profundamente temas como eficiência energética, distribuição de energia, baterias, geradores e fornecimento de tensão.

Os provedores de data centers estão sendo pressionados quanto à eficiência energética. Desde 1º de janeiro de 2025, os data centers na Europa são obrigados a reportar seu PUE (Power Usage Effectiveness), conforme exige a Diretiva de Eficiência Energética da União Europeia (EED). Os data centers devem reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em 55% até 2030, o que requer monitoramento e otimização constante do consumo de energia. Eles já têm as ferramentas certas para isso?

Outras questões importantes incluem:

As infraestruturas elétricas e ópticas atuais, os racks e as rotas de cabos podem ser adaptados?

As novas exigências de perímetro, monitoramento, controle de acesso e sensores estão sendo atendidas?

A empresa conta com pessoal qualificado para implementar essas novas tecnologias?

O operador precisa de um novo conceito de gestão e de um sistema DCIM?

Um sistema moderno de DCIM (Data Center Infrastructure Management) oferece visualização em tempo real de cada porta e sensor de temperatura, permitindo análises e gestão de ativos. Os sistemas DCIM mais avançados usam IA para analisar e administrar as instalações. Eles são capazes de distribuir energia e refrigeração de acordo com a carga dos sistemas de IA apoiar o planejamento, evitar pontos de calor e otimizar as operações.

Aproveitando a experiência

Contar com uma equipe experiente de gerenciamento de projetos será uma grande vantagem. A coordenação entre todas as áreas, fornecedores e sistemas exige conhecimento técnico aprofundado. Uma abordagem holística garante que nenhum componente seja esquecido, que as interdependências sejam identificadas desde o início e que os sistemas sejam integrados de forma precisa. Também é recomendável o uso de racks pré-configurados, que podem reduzir o tempo de implantação em até 75%.

Futuro incerto

Apesar da velocidade com que a IA evolui, é estrategicamente fundamental planejar e dimensionar as infraestruturas com visão de longo prazo. Os operadores precisam garantir que os ambientes possam ser utilizados e ampliados conforme necessário ao longo do tempo.

Por enquanto, nada é certo — exceto o fato de que a tecnologia não vai parar. Com HPC, Ethernet de 400 e 800 Gbps, latência ultrabaixa e inteligência artificial, o próximo salto evolutivo dos data centers já está no horizonte: a computação quântica.