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O Brasil é a “bola da vez”, quando falamos em grandes oportunidades, não apenas na adoção de novas tecnologias, mas de gestão de TI e infraestrutura de data center. Ainda assim, empresas nacionais, enfrentam grandes desafios em gerenciamento de data centers. Um dos principais, talvez o mais importante deles, é a refrigeração. Uma das maiores fontes de gastos recorrentes de um data center. 
 
Por isso, é grande a busca pela otimização nos processos de refrigeração de data centers por parte das empresas. 
Diante da grande importância da eficiência energética do data center, atualmente, a otimização do esquema de refrigeração é uma maneira inteligente de ganhar eficiência.
 
Segundo o professor doutor Manoel Veras, uma alternativa para melhorar a refrigeração do data center é utilizar fileiras de racks de frente para outras fileiras. Dessa maneira, o ar frio será fornecido pela frente do rack através de aberturas no piso elevado. O corredor ventilado é conhecido como corredor frio. O ar frio é atraído através dos racks pelas ventoinhas dos servidores e expulso de volta para o corredor quente. O ar quente ascendente e, a partir deste corredor encontra seu caminho de volta para a unidade de ar condicionado a ser refrigerada.
 
Para a Schneider Electric, a refrigeração em coluna ou linha no nível do rack é uma tendência consolidada no Brasil e que tem ocupado cada vez mais espaço no mercado. Segundo a empresa, é possível notar um crescente uso do enclausuramento, tanto do ar quente como do ar frio em projetos onde é necessário se trabalhar com densidades maiores. 
 
“Os sistemas de free cooling estão sendo projetados e estudados por alguns clientes e devem, em breve, tornarem-se mais comuns nas instalações de data center. O que realmente impulsiona essas novas tecnologias é a mobilidade e o aumento do tráfego de dados, que exige soluções cada vez mais eficientes e com capacidades para lidar com altos níveis de densidade”, assevera o Diretor de Data Centers e Serviços da Schneider Electric, Luciano Santos.
 
Na estratégia, planejamento, alta tecnologia e criatividade, a engenheira de Aplicação da Dala Stulz, Kelly Belmonte, diz que atualmente as empresas preferem soluções de refrigeração por ar, visando a eficiência dos condensadores e a praticidade da instalação inicial. Mas deixa claro, que para linhas frigoríficas, longas, aconselha um sistema de condensação por água, a fim de evitar grandes perdas de cargas nas linhas frigoríficas.
 
Acerca do grau de penetração das novas soluções de free cooling no Brasil, a engenheira da Dala Stulz comenta que a tecnologia tem sido uma tendência recorrente no país, com novos parâmetros de temperatura, fixados em data center e com a evolução de equipamentos com maior eficiência para o sistema free cooling indireto.
“Acreditamos que o free cooling indireto é uma tendência que irá se firmar como economia para o data center”,  assegura o diretor Comercial da Dala Stulz, Eduardo Rusafa.
 
Data Centers Verdes
 
A mudança verde significa uma transformação mais profunda da infraestrutura de TI do data center, já que este é o principal gestor de toda informação crítica e também o maior consumidor de energia.
 
O conceito de Data Center Verde abrange cinco pilares, são estes: virtualização, diagnóstico, gerenciamento e medição, construção e centralização; e a refrigeração híbrida, que se resume na combinação de sistemas de refrigeração tradicionais com sistemas de arrefecimento por fluido líquido, por meio de instalação de radiadores nos racks de servidores, reduzindo assim os custos operacionais e aumentando a eficiência do sistema de refrigeração em até 45%.
 
A Schneider e Dala Stulz, comentam que o mercado brasileiro vem demonstrando uma grande preocupação sustentável, no que tange a racionalização de energia dos projetos de data center, mecanismos eficientes de refrigeração, reuso de água, além do descarte ecológico, reaproveitamento de material ou transformação dos equipamentos em unidades de aprendizagem e inclusão digital.
 
Alta densidade
 
De acordo com a Schneider, para obter uma melhor eficiência no sistema de refrigeração, inclusive na questão da densidade, é necessário combinar diferentes tecnologias. 
 
O sistema de free cooling eco-breeze, trabalha com três modos de refrigeração: ar-ar utilizando o ar externo para refrigeração, um modo adiabático onde é acrescentado um spray de água e um terceiro modo com expansão direta. A combinação dessa tecnologia em um único equipamento permite uma maior efetividade em densidades maiores. 
 
Já a Dala Stulz, comenta que no exterior é crescente, no ambiente de TI, a combinação de soluções adiabáticas com outros modos de refrigeração, o que permite uma maior flexibilidade na refrigeração do ambiente. Mas que no Brasil, soluções de refrigeração adiabática ainda não possuem grandes demandas.
 
Conscientes de que a refrigeração é um dos pontos mais críticos na operação e também responsável por uma parcela considerável do custo de operação de um data center, ambas as empresas dizem que dentro desse panorama tem surgido boas práticas de refrigeração, sendo implementadas em uma frequência cada vez maior e com o correto dimensionamento. Zonas quentes e frias definidas, atendimento específico e setorizado para as zonas de altas densidades, com soluções tais como o free cooling. 
 
Projetos
 
As duas empresas estiveram e estão envolvidas em importantes projetos de data center pelo Brasil. A Dala Stulz, que trabalhou no novo Centro de Pesquisa da Petrobras – Cenpes, afirma que o free cooling não é aplicável em todo Brasil, mencionando que regiões com temperaturas elevadas são prejudicadas e o retorno do investimento (ROI) não justifica a implementação do sistema.
 
A Schneider acredita que atualmente existe uma série de soluções que combinam free cooling com métodos tradicionais de refrigeração e que podem ser instaladas em qualquer parte do Brasil. Segundo a empresa, a principal questão é a viabilidade financeira do pacote de soluções. 
 
“O free cooling não é simplesmente abrir uma porta ou uma janela no data center, mais sim um complexo conjunto de soluções que se utilizam da variação da temperatura ambiente, ao longo do ano, para economia de energia. Já fizemos estudo de caso em Brasília, por exemplo, e o uso do free cooling era totalmente viável”, disse o Diretor de Vendas da Unidade de TI da Schneider Electric, Luciano Santos.