"Com essa capacidade de 100 Gb/s, estaremos preparados para a demanda dos próximos três anos. Em 2017, outros seis links com a mesma capacidade devem entrar em operação", garante Eduardo Grizendi, da Rede Nacional de Pesquisa (RNP).
 
Duas novas conexões de 100 Gb/s entre São Paulo e Miami acabam de ser ativadas, ampliando a saída internacional da rede acadêmica brasileira, a Ipê. As novas conexões, em operação por meio de cabos submarinos nos oceanos Atlântico e Pacífico, fazem parte do projeto Amlight Express and Protect, financiado pela National Science Foundation (NSF), pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), organização social ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). O consórcio Amlight gerencia as conexões entre Estados Unidos e América Latina para ensino e pesquisa.
 
Em 2017, outros seis links com a mesma capacidade entre Miami e a América Latina devem entrar em operação, informou o engenheiro de redes da Universidade Internacional da Flórida (FIU, em inglês) Jeronimo Bezerra. As conexões internacionais de 100 Gb/s estabelecem novos parâmetros em conectividade de alto desempenho nas Américas e possibilita oportunidades de colaboração científica.
 
Para que a capacidade de 100 Gb/s seja utilizada plenamente pela comunidade acadêmica, a RNP vem trabalhan do para elevar a capacidade do seu backbone nacional, que atende universidades e institutos de pesquisa em todo o país. Apenas em São Paulo, o canal poderá beneficiar as instituições conectadas à Ansp (rede acadêmica de São Paulo), assim como as interligadas à RNP, responsáveis por mais de 40% da produção científica nacional.
 
Desafios 
 
Um dos principais desafios para a ativação dessa infraestrutura de alto desempenho foi a limpeza dos cabos de fibra ótica nas conexões terrestres, uma vez que qualquer resquício de sujeira ou oleosidade na interface entre as fibras pode derreter com o calor propagado pelo tráfego de dados, danificando a integridade física da rede. "A sujeira pode não só estragar o sinal, como pode fazer com que a fibra queime", explica Jeronimo.
 
Outro desafio, será o monitoramento do tráfego em altíssima velocidade, que dependerá de recursos computacionais complexos. Um desses recursos habilitados na conexão internacional entre Brasil e Estados Unidos é a tecnologia de Redes Definidas por Software (SDN, em inglês), que permite mais flexibilidade, robustez e possibilidade de programar a operação do tráfego.