Somos todos movidos por tecnologia. Em tempos de insegurança e preocupação causadas pela pandemia da Covid-19, é possível constatar a importância que a tecnologia tem em tantos setores da sociedade. Pessoas seguem trabalhando, se entretendo com plataformas de streaming, se comunicando por videoconferências. A revolução no uso de novas formas de comunicação está acontecendo de forma extremamente rápida, e se adequando às necessidades de todos. Até mesmo nas crianças, com aulas presenciais sendo substituídas por apresentações online e vídeos. Para a área de saúde, o desafio é ainda maior, e os exemplos recentes de busca por cura ou vacina mostram a necessidade da urgência, a alocação de tempo e de esforços de equipes no mundo todo.

Mas o que permitiu o mundo se adaptar de uma maneira tão rápida a essa nova realidade? Nada menos do que a Computação em Nuvem, ou Cloud Computing.

Nos últimos anos essa tecnologia nos permitiu dar um salto exponencial em todos os segmentos. Com a nuvem foi possível acelerar a criação de novas soluções e disponibilizá-las para qualquer pessoa, em qualquer lugar e em qualquer hora. Tornou realidade o armazenamento de dados de maneira infinita e o acesso de qualquer pessoa a soluções de ponta a um custo acessível. Surgiram novas maneiras de resolver problemas e consequentemente, tecnologias, como inteligências artificiais, cada vez mais assertivas e avançadas. E o custo de plataformas de desenvolvimento de Inteligência Artificial (IA) se tornou acessível para todos.

Com o constante desenvolvimento e disseminação das soluções para a área de saúde, essas IAs nos permitem enxergar oportunidades para continuar avançando e encontrarmos soluções para nossos problemas. E estamos em um momento em que essas tecnologias precisam ser cada dia mais ágeis para auxiliar no diagnóstico. Diante desse cenário, observamos as impressionantes possibilidades de evolução tecnológica com a aplicação do Deep Learning, uma subcategoria de Inteligência Artificial, aliada ao uso de Visão Computacional.

O Deep Learning é um conceito usado no aprendizado de funções muito específicas que imita o funcionamento do cérebro humano, com aprendizado supervisionado. O modo como a rede neural aprende é como o de um bebê: se dá basicamente por criações de sinapses entre os neurônios de todas as camadas da rede, aprendendo assim a interpretar imagens, sons e textos, de acordo com o que o humano ensina.

O uso da Inteligência Artificial na medicina não é uma novidade, mas o uso de Deep Learning com Visão Computacional para identificação de padrões em exames de imagem, é um dos exemplos da rapidez com que a tecnologia se ajusta às demandas - inclusive complementando o trabalho de profissionais de saúde pelo mundo. Imaginar, por exemplo, que a Visão Computacional seja capaz de detectar uma doença ainda em estágio inicial, muitas vezes imperceptíveis aos olhos de um médico, é algo de fato disruptivo em prol da vida humana. Essa abordagem inclusive já está em testes em Centros de Diagnóstico pelo mundo. O senso de urgência para soluções em saúde é algo que profissionais e empresas de tecnologia já identificaram.

Para exemplificar todo o poder da Inteligência Artificial em nuvem em prol da medicina, nós da Brasoftware, em parceria com a Microsoft e com base em estudos internacionais, desenvolvemos uma solução de triagem para a Covid-19 a partir da análise de imagens de Raio-X do tórax das pessoas. Esse MVP (Produto Mínimo Viável) se trata de um projeto de rede neural que analisou exames de pacientes saudáveis e de pacientes com diagnóstico positivo e assim, estabeleceu padrões de análise, tornando-se capaz de classificar, em segundos, um exame Raio-X como risco baixo ou alto para complicações pulmonares causadas pela Covid-19. A mesma abordagem pode ser feita para dar suporte a diagnósticos de outras doenças, com uso de outros tipos de exames - como imagens de Tomografia Computadorizada, por exemplo.

A utilização de aplicações com Redes Neurais para o diagnóstico de Covid-19 tem chamado a atenção de especialistas em todo o mundo. Pesquisadores da Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, criaram uma rede neural que consegue identificar pelo som da tosse se a pessoa está infectada pela Covid-19 ou não. Esta solução é voltada para ambientes com aglomerações de pessoas, e é capaz de estimar a quantidade de pessoas e risco de infecção da Covid-19 no ambiente em questão, apenas ouvindo o som ambiente.

Ainda com foco em diagnóstico, a Microsoft lançou recentemente um bot de saúde chamado Health Bot, que permite a um órgão de saúde criar rapidamente um robô para triagem de pacientes, aonde Redes Neurais de linguagem natural interagem via texto, realizando perguntas específicas em busca de sintomas de doenças, inclusive para Covid-19.

Há ainda o uso de Grid Computing, ou Computação Distribuída, como poderoso aliado frente ao novo coronavírus. Destinado para processamento de ensaios moleculares com o objetivo de realizar simulações para vacinas, essa tecnologia permite que qualquer pessoa no mundo que tenha um computador pessoal seja capaz de "doar" parte do processamento de sua máquina para realização destes cálculos. Para isso, um "Super Computador Virtual" foi criado com base em doações de processamento de computadores pessoais ao redor do mundo. Algo que seria impossível de se fazer sem a Computação em Nuvem.

Monitoramento do paciente a distância com alerta automático de sintomas, armazenamento de todos os dados médicos de uma pessoa de maneira infinita, associação de sintomas de maneira automática para acelerar o diagnóstico de doenças, uso da Telemedicina para agilizar o atendimento do paciente em isolamento - são apenas alguns exemplos do que a Computação em Nuvem e a Inteligência Artificial tornaram possível com as tecnologias que já existem hoje.

As doenças não vão cessar pelo mundo, mas com o avanço da ciência e da tecnologia será possível estar à frente das demandas e combater ocorrências futuras. E nesse minucioso processo de análise e estudo, inovamos para que, no futuro, estejamos melhor preparados e tenhamos as ferramentas essenciais para proteger o que há de mais valioso no mundo: a vida.