Em março deste ano, a Telefônica anunciou o desenvolvimento do Brusa, cabo submarino, que ligará Rio de Janeiro e Fortaleza a San Juan (Porto Rico) e Virginia Beach (EUA). Com cerca de 11 mil km de extensão, a previsão é de que o cabo entre em operação no início de 2018. 
 
A Telefônica conta com outro cabo, o SAM-1, maior dos cabos que passa pelo Brasil, tem 25.000 km, começou a ser construído em 2001. Sai da Argentina, passa pelo Rio de Janeiro, Salvador e Fortaleza. De lá, segue para Porto Rico, Colômbia, Flórida, Guatemala e retorna à América do Sul, cortando três países (Equador, Peru e Chile).
 
A rede global de fibra ótica da Telefônica tem mais de 65 mil km (dos quais 31 mil km são compostos por cabos submarinos) que conectam as Américas e a Europa.
Confira agora uma entrevista exclusiva com a Telefônica, que fala de sua expectativa com o novo cabo.
 
DatacenterDynamics: Como surgiu a proposta do Brusa?
 
Telefônica:  A proposta para a construção do Brusa surgiu para atender à crescente demanda do mercado brasileiro de banda larga que, com as atuais projeções, pode vir a saturar o atual cabo submarino SAM-1. Além disso, havia a necessidade de incrementar a capacidade disponível atual entre Brasil e Estados Unidos em três vezes, proteger o sistema atual, aumentando a confiabilidade e qualidade do tráfego cursado, além de usufruir da tecnologia mais avançada na indústria, estando preparado para serviços de telecomunicações que requerem alta velocidade e baixa latência.
 
DCD: Em que estágio está o desenvolvimento do Brusa?
Telefônica: O contrato para a construção do Brusa já foi assinado e a etapa de pesquisa iniciada, que servirá para definir o melhor traçado do cabo e o tipo de proteção que será utilizado em cada trecho do cabo. Após esta fase, iniciaremos a construção do cabo e o seu carregamento no navio para iniciar a instalação.  A entrada em operação está prevista para o início de 2018.
 
DCD: Hoje Fortaleza é a cidade brasileira que conecta o Brasil ao mundo. A cidade já conta com sete cabos de fibra ótica instalados. Qual é a expectativa da Telefônica?
Telefônica: Nossa expectativa é de que Fortaleza possa exercer a função de um hub de dados no Norte/Nordeste, concentrando todo o tráfego de dados. E dessa forma, permita conexão direta com os Estados Unidos, evitando que o tráfego de dados originado nessa região seja transportado até São Paulo, volte a Fortaleza para depois ir para os Estados Unidos, aumentando a latência e gastos de transmissão.
 
DCD: Como o Nordeste vem sendo visto pela Telefônica hoje?
Telefônica: A demanda de tráfego de banda larga vem crescendo consideravelmente no Nordeste e a Telefônica vem investindo intensamente na região com redes terrestres, torres para celulares e cabos submarinos. Com os cabos submarinos SAM-1 e Brusa, estamos presentes com estações em Salvador e Fortaleza.
 
DCD: Qual é a expectativa/projeção da Telefônica para o Brasil com o novo cabo?
Telefônica: O Brusa foi projetado com a tecnologia mais avançada disponível na indústria, garantindo confiabilidade, qualidade e assegurando o transporte de futuros serviços como vídeo com extrema qualidade e velocidade. Com o Brusa, consolidaremos uma rede internacional submarina de altíssima capacidade, velocidade e confiabilidade, possibilitando proteção 100% de todo o tráfego cursado entre Brasil e Estados Unidos. Integraremos o Brasil neste novo entorno digital de última geração, assegurando acesso a futuros e inovadores serviços de telecomunicações e vídeo, melhorando a qualidade de vida dos brasileiros.