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A CA Technologies, empresa de capital aberto, que oferece soluções de gerenciamento de TI que ajudam clientes a proteger e gerenciar ambientes complexos para suportar serviços de negócios, fala de suas soluções e da realidade vivida pelo mercado brasileiro de data center. O vice-presidente de Solução da CA Technologies para a América Latina, Rosano Moraes, diz que hoje, os custos de data centers  no Brasil, são convidativos, quando comparados com operação própria; e que com a tendência de instalações híbridas, não é preciso construir todo um data center, com alta disponibilidade, por conta de algumas aplicações que podem estar abrigadas em um espaço externo com o mesmo nível de serviço.
 
DatacenterDynamics: Como a CA Technologies avalia o mercado de tecnologia para data center do Brasil hoje?
 
Rosano Moraes: A CA Technologies acompanha o grande crescimento do segmento, por meio de seus clientes e parceiros. É estimado que algo em torno de 100 data centers, de grande porte, estejam em construção ou passando por reformas hoje. Alguns deles gigantescos, com mais de 10 mil m2. Esses são projetos equiparados a grandes obras realizadas nos Estados Unidos e na Europa, tanto em tamanho como em modernidade.
 
DCD: Quais são as prioridades da CA no segmento de data center?
 
R.M.: A CA trabalha sob o mote de que vivemos em mundo onde negócios estão sendo reescritos por software (“Business, rewritten by software”), ou seja, a tecnologia nos leva a consumir, nos relacionar e a fazer negócios de uma forma totalmente nova. Essa visão nos leva a visualizar o data center sob duas óticas, ambas orientadas ao papel do data center como o viabilizador do negócio, através das aplicações que executam ali dentro. Caminhando de fora para dentro, enxergamos o data center em sua infraestrutura física: instalações, engenharia e o grande abrigo dos dispositivos de TI. De dentro para fora, visualizamos a complexidade física e lógica dos componentes de TI: servidores, redes, storage e mainframes. Tudo isso precisa ser consolidado, quando falamos de gestão, através de software. Com a visão de fazer cada vez mais com menos e a necessidade de altíssimas disponibilidade e velocidade para responder ao negócio. 
A CA Technologies enxerga a gestão do data center convergindo os mundos de TI e de Infraestrutura, no que é hoje conhecido como Converged Capacity Management.
 
DCD: O Brasil já está na nuvem ou ainda há um caminho longo a ser percorrido?
 
R.M.: O caminho da nuvem é mais presente e identificamos vários clientes da CA que estruturam pelo menos um piloto nesse ambiente. Existe uma diferença importante entre serviços “na nuvem” e serviços “de nuvem”. Muitos serviços hoje são consumidos, ofertados “na nuvem”, especialmente ao grande público consumidor. Jogos, redes sociais, até amigo secreto hoje pode ser consumido na nuvem, conectando todos em segundos. O desafio no Brasil é fazer frente aos picos de utilização e provisionar a infraestrutura adequada, sem desperdícios. Alguns de nossos clientes, que vendem serviços de data center também oferecem serviços “de nuvem”, ou seja, estrutura de TI através de templates em sua nuvem, que os seus clientes podem adquirir, sem saber exatamente qual a estrutura física por trás daquele template. 
Nossa plataforma de IT Capacity Management permite simular o comportamento de um workload de TI de um servidor como o descrito acima em um template de nuvem. Templates da Amazon e Azure já vem nativamente nessa ferramenta. Estamos trabalhando com provedores nacionais de serviços para que possam oferecer esse dimensionamento como um serviço de pré-vendas a seus clientes. Afinal, se o fornecedor bancar um template pequeno demais terá que dar mais infraestrutura, tendo prejuízo. Se o cliente for quem especificou o tamanho e errar para menos, também terá que colocar a mão no bolso e aumentar a conta inicial. Se estimar para cima, alguém está jogando dinheiro fora. O medo de falhar ou jogar dinheiro fora é o que ainda assusta. 
 
DCD:  A adesão das empresas brasileiras ao DCIM ainda é pouca?
 
R.M.: O conceito de DCIM é algo novo no mundo todo. Porém, o gestor de data center brasileiro já entendeu que existem benefícios nesse novo conceito e tem buscado se informar sobre o tema. Algumas empresas já tem orçado projetos de DCIM. Mas a dificuldade está em dois pontos fundamentais: o time de engenharia e o time de TI precisam trabalhar juntos, pois é necessária a experiência desses dois grupos para compor um bom projeto. TI não conhece de engenharia elétrica e mecânica, e o time de data center não conhece os meandros da integração entre as múltiplas plataformas de software que circulam de forma satélite, como CMDB, Incidentes e Problemas, Gerência de Mudanças. Outro fator é a pouca experiência concreta existente dentro das empresas para pautar os requerimentos de aquisição; afinal quem já fez um projeto de DCIM? Acredito que as entregas dos grandes projetos em 2014 e 2015 trarão um cenário bem mais maduro para este ano. 
 
DCD: No continente e no Brasil, qual é a cota de mercado da CA? Que posição a empresa ocupa?
 
R.M.: Podemos afirmar que nos encontramos na liderança desse segmento em nossa região, à frente do maior projeto de DCIM do Hemisfério Sul. Globalmente apenas projetos do porte do Facebook superam a América Latina. 
 
DCD: O Governo Federal tem sido um ajudador das empresas de TI ou poderia fazer mais?
 
R.M.: No sentido de data centers, a medida de maior impacto por parte do Governo Federal foi o Ato Declaratório da Receita Federal, instituindo impostos sobre data centers alugados no exterior por empresas que operam no país. Acreditamos que em médio prazo,  isto deverá estimular o uso de mais data centers aqui. Outras medidas de incentivo, normatizações, TI Verde e outras não vêm sendo levadas em consideração. As políticas nacionais referentes a mudanças climáticas e outras, que poderiam convergir para a questão energética, não são efetivamente colocadas em prática através de normativas e incentivos concretos. O aumento nas tarifas de energia certamente estimulará melhorias na gestão. 
 
DCD: O Brasil está perto de se tornar um "Player Global"? 
 
R.M.: Os custos de nossos data centers são convidativos, quando comparados com operação própria. Existe hoje a tendência de data centers híbridos. Dessa forma, não é preciso construir todo um data center de altíssima disponibilidade, apenas por conta de algumas aplicações, que podem estar abrigadas em um espaço externo com esse nível de serviço. Posso mover alguns serviços para a nuvem, em conexão com meus sistemas corporativos abrigados em outros lugares. Considerando essa miríade de possibilidades, o Brasil poderá ser efetivamente um player global e uma alternativa interessante nessa teia. Precisamos antes disso resolver questões como o “Custo Brasil”, que se apresenta através das relações de trabalho engessadas e pouca segurança em relação à qualidade de nossa infraestrutura. A crise da água que enfrentamos e a incerteza das tarifas de energia são bons exemplos do tipo de riscos que podem afastar o cliente global. Se observamos pelo lado de gestão, uma plataforma como o DCIM é fundamental para garantir transparência, disponibilidade e o uso eficiente deste tipo de arquitetura, bem como avaliar o custo de cada uma. 
 
DCD: Qual é o panorama que a CA traça para o mercado de data center brasileiro para os próximos anos?
 
R.M.: Observando o mercado de software e nossa visão de data center, entendemos que a maturidade e a pressão por eficiência e custos, bem como respostas rápidas, deverá demandar um rápido crescimento na adoção de mais ferramentas de Gestão e Planejamento. Existem estudos que indicam que apenas 20% da capacidade de TI é utilizada, implicando em grandes desperdícios. As empresas compram mais equipamentos por não terem visibilidade do que não utilizam ou do que está superdimensionado. Por outro lado, servidores em stress falham e causam indisponibilidades, o que afeta o negócio. A gestão de capacidade em TI é uma disciplina antiga, existe desde os tempos do Mainframe, e entendemos que isto deve ganhar corpo nos próximos anos. Devices sem uso, chamados por alguns de “ghost servers”, consomem energia, ocupam espaço e licenças de software.  Alguns clientes da CA Technologies para Gestão de Capacidade em TI conseguiram postergar em até dois anos a expansão de seu data center, apenas realocando capacidade ociosa. Sem falar nos investimentos em expansão de hardware que foram otimizados, reduzindo custos e dando maior segurança. Entendemos que os data centers são demandados com mais velocidade e não é uma tarefa simples expandir ou criar um novo data center. Cada vez mais será exigido de cada uma das salas disponíveis.
 
DCD: Portfólio da CA Technologies para o mercado de data center. 
 
R.M.: A CA Technologies, através de sua visão de gestão convergente da capacidade do data center, apresenta dois produtos: o CA DCIM, que faz o monitoramento e a gestão da capacidade dos ativos e do data center em si, desde a entrada de energia até a porta do rack; e o CA Capacity Management, que faz uma raio-x do uso dos recursos de TI, ou seja, do rack para dentro, identifica desperdícios, auxilia na realocação de cargas de trabalho e no planeja o crescimento de TI a partir do progresso do negócio. 
As plataformas de monitoramento de infraestrutura, com o Nimsoft UIM, com performance de servidores, storage, bancos de dados e outras tantas perspectivas deste monitoramento são imprescindíveis para a visão de como o data center é utilizado e a qualidade do serviço oferecido. O data center é para a CA Technologies um grande e fértil campo de capacidades e melhorias, onde temos apoiado as empresas ao longo de quase 40 anos e seguimos inovando, cunhando conceitos e trazendo à luz novas perspectivas tecnológicas.