Considerado a “internet de valores” (em contraposição à internet que hoje conhecemos, como “internet da informação”), Blockchain ou – Cadeia de Blocos, é uma nova proposta de base para transferência de ativos, direitos e valores. É o registro em ordem cronológica de todas as transações que ocorreram na rede, que foram compiladas e validadas. É público, único e compartilhado pelos participantes de um sistema específico. Esta é a avaliação de Cezar Taurion, Partner & Head of Digital Transformation da Kick Ventures.
De acordo como especialista, o Blockchain pode ser usado para qualquer coisa que represente valor, além de moedas, como registros de propriedades, patentes, direitos autorais, certidões de nascimento, casamento e óbito.Também permite reduzir fraudes, já que toda transação registrada pode ser visualizada por qualquer pessoa. Além disso, assinaturas e verificações digitais dificultam as fraudes, a integridade criptográfica de toda a transação pendente, como também o exame de múltiplos nós da arquitetura do Blockchain protege contra ameaças e utilização mal-intencionada.
Brasil
De acordo com a Blockchain Academy, desde 2015, no mundo e também no Brasil, as grandes instituições bancárias, de tecnologia e seguradoras começaram a olhar com mais atenção para este tema.
Bancos como Itaú e Bradesco, a Bolsa; startups como Star Labs, Mudamos, Coinaction e OriginalMy vêm desenvolvendo soluções em Blockchain. “A Mudamos é uma plataforma que permite a criação de projetos de lei, baseado em assinaturas via Blockchain. Com ela, todas as assinaturas serão guardadas e preservadas, sendo possível realizar auditoria e provar a originalidade”, explica Cezar Taurion, afirmando que o Blockchain possui um grande potencial de ruptura, que ameaça antigos intermediários que mantêm modelos de negócios tradicionais baseados em garantia de confiança, como tabeliões e autoridades públicas de registro de automóveis, casamentos, propriedades, patentes, passaportes, registros médicos, entre outros. “Provavelmente, veremos as primeiras iniciativas nas adjacências dos negócios tradicionais e depois ocupando todo o espaço, deslocando e fechando negócios que não mais acompanham a velocidade de uma sociedade digital”, observa.
Infraestrutura de TI
A visão da Blockchain Academy é de que esta seja mais uma arquitetura a ser considerada na construção de soluções de interesse para fins tecnológicos; em particular para fins de assegurar a criação e transferência de ativos, direitos e valores em ambiente digital e autenticação de conteúdo digital.
Cezar Taurion explica que, existem blockchains públicos como bitcoin, onde a rede é totalmente distribuída e aberta, e os computadores estão espalhados pelo mundo; embora muito do processamento seja feito pelo que chamamos de mineradores, ou seja, gigantescos data centers. Existem também blockchains privados ou consorciados; este, formado por grupos de empresa onde apenas usuários registrados têm acesso. Nesse caso, depende dos data centers dessas empresas.
Desafios
Um grande desafio, segundo a Blockchain Academy, é entender que se trata de um novo paradigma. Outro, é encontrar casos de sucesso para uso, já que o Blockchain ainda está em estágios iniciais de descoberta e, portanto, uma grande parcela dos profissionais de TI ainda não se aprofundou nos desafios de gerenciá-lo. Cezar Taurion destaca que as possibilidades de negócios e novos mercados trazidos pela tecnologia descentralizada do Blockchain são indiscutíveis e já estão entrando no mundo bancário e das fintechs, ao menos conceitualmente.
Questões Regulatórias
O Blockchain nasce desafiando os agentes reguladores do país. O Banco Central é uma das instituições que ainda não se posicionou sobre o tema. “Os agentes reguladores podem simplesmente não fazer nada e deixar que o mercado evolua por si. Ou podem ser proativos e evoluir as regulações, incorporarem as inovações provocadas pelo Blockchain e as ondas de transformação que provocarão. De maneira geral, a tecnologia avança e a regulação corre atrás reconhecendo tais avanços. Um exemplo disso, é o Bitcoin.”
Ainda novidade, o Blockchain causa muitas incertezas e dúvidas. Mas fato é que as previsões apontam que o enorme potencial de disrupção afetará os modelos tradicionais de negócios. “É claro que será necessário muito trabalho para amadurecer este mercado, mas nada que não possa ser resolvido. O ideal é acompanhar e experimentar essa tendência. Os profissionais de segurança devem estar atentos aos novos desafios gerados pelo Blockchain”, conclui.
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