Ganhando cada vez mais espaço no mercado de TI, Blockchain pode ser entendido como um grande livro-razão – aquele onde se registra todas as movimentações contábeis de uma empresa. É o registro em ordem cronológica de todas as transações que ocorreram na rede, que foram compiladas e validadas. É público, único e compartilhado pelos participantes de um sistema específico. A tecnologia pode ser usada para qualquer coisa que represente valor, além de moedas, como registros de propriedades, patentes, direitos autorais, certidões de nascimento, casamento e óbitos. Também permite reduzir fraudes, já que toda transação registrada pode ser visualizada por qualquer um.
Na área de saúde, o Blockchain vem conquistando um papel de destaque já que apresenta uma serie de benefícios, dentre os quais a possibilidade de compartilhamento seguro de dados dos pacientes na internet, o uso de informações clínicas para análises preditivas, que permitam acelerar novas pesquisas em medicamentos e aperfeiçoamento no atendimento dos pacientes ao se compartilhar adequadamente as informações de seus dados nos vários prontuários eletrônicos dos prestadores de serviços.
Em entrevista, Guilherme Rabello, gerente de Inteligência de Mercado do Inovaincor - Instituto do Coração (InCor), fala sobre a utilização do Blockchain em procedimentos na área da Saúde.
DatacenterDynamics: Bem sucedido em transações financeiras, qual é a eficácia do Blockchain no setor da saúde?
Guilherme Rabello: O Blockchain na Saúde irá ajudar a dar maior segurança e rastreabilidade na troca de informações dos pacientes, para diversas aplicações que hoje estão sendo realizadas de modo muito pouco eficiente ou que não possuem a transparência necessária por ter os dados armazenados em silos de informação dos prestadores de serviço, como hospitais e laboratórios diagnósticos.
DCD: Blockchain resolve a questão fundamental de falhas do atual sistema de saúde?
G.R.: Não resolve, pois as falhas atuais são multi-dimensionais, porém o Blockchain terá maior segurança e controle da privacidade para o compartilhamento de dados dos pacientes, das transações entre instituições de saúde e governos, na maior transparência e rastreabilidade nos gastos da saúde, apenas para citar algumas melhorias.
DCD: Em termos de redução de gastos, já é possível mensurar?
G.R.: Não é possível mensurar com precisão, mas podemos estimar a ordem de grandeza do impacto do uso do Blockchain na Saúde. Se bem implementado, esta ferramenta tecnológica permitirá a redução na casa de bilhões de dólares, hoje gastos em sistemas de controles defasados e frágeis, bem como em processos longos e custosos de auditoria do setor da Saúde.
DCD: Como o Blockchain aplicado ao setor da Saúde pode aprimorar os serviços?
G.R.: Permitirá maior agilidade no registros das transações, rastreabilidade de insumos médicos (como remédios, órteses e próteses), compartilhamento de dados dos pacientes para reduzir exames repetidos, etc.
DCD: Quais aplicações através do Blockchain já estão em desenvolvimento?
G.R.: As aplicações no momento envolvem uso de smart contracts para rastreabilidade de insumos médicos (como remédios, órteses e próteses), na área de pesquisa clinica para compartilhar informações ainda sigilosas e na identificação universal de pacientes.
DCD: Que mudanças o Blockchain irá trazer para a Saúde?
G.R.: A principal é na parte de melhoria de processos, que tenderão a ser mais simples, ágeis e mais custo-efetivos do que os atuais.
DCD: E como isso vai mudar a vida dos pacientes?
G.R.: Os pacientes terão maior acesso aos seus próprios dados clínicos e laboratoriais, podendo compartilhá-los com os prestadores de serviços que os estão atendendo. Reduzirá os custos de exames repetidos, aprimoramento de analise preditiva de doenças, o que levará a uma maior abordagem preventiva do que corretiva da saúde.
DCD: Em que estágio a tecnologia está?
G.R.: Está em seu começo, mas avança rápido. Imagino que em menos de uma década a Saúde estará totalmente adaptada ao Blockchain.
DCD: Qual será a relevância da tecnologia Blockchain na saúde nos próximos anos?
G.R.: Ela terá um efeito transformador. As empresas que conseguirem se adaptar ao Blockchain terão vantagens competitivas e custos mais adequados para seus serviços aos pacientes. As que não se adaptarem muito em breve deixarão de existir, como aconteceu com várias que não acompanharam a introdução da internet.
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