De acordo com a Atos, a Rio 2016 conquistou seu lugar nos registros históricos, como a Olimpíada de maior cobertura digital, em comparação com qualquer edição anterior do evento. Durante os Jogos, a Atos divulgou para o mundo, em menos de meio segundo, os resultados de cada evento dos Jogos Olímpicos do Rio; uma façanha tecnológica preparada durante anos. Impulsionada pela maturidade da tecnologia móvel, a Atos fez com que o trabalho da TI permitisse que os resultados e outros dados dos Jogos fossem compartilhados com mais rapidez, tanto online quanto pelos meios tradicionais, independentemente de plataforma e de local. Segundo Marcelo Grimaldi, gerente de Operações dos Jogos Olímpicos Rio 2016 da Atos, o que deu suporte à explosão do consumo digital foi a infraestrutura de TI fornecida pela empresa para apoiar a realização dos Jogos Olímpicos, divulgando os resultados, em tempo real, para emissoras do mundo inteiro.
Em entrevista exclusiva, Marcelo Grimaldi conta como foi feito o trabalho para os Jogos Olímpicos Rio 2016.
DatacenterDynamics: O que a Atos destaca do trabalho realizado nos Jogos?
Marcelo Grimaldi: Na Rio 2016, o COI decidiu adotar a transformação digital. Dessa forma, foi possível oferecer aos Jogos sistemas de TI de modo mais econômico e mais eficiente. Isso permite que, de agora em diante, os Jogos sejam compatíveis com várias plataformas. Entre essas novas tecnologias estão:
• Nuvem: que foi usada pela primeira vez nos Jogos Olímpicos para hospedar aplicativos de suporte às operações dos Jogos, entre eles o portal de voluntários, o sistema de credenciamento, os sistemas de toda a força de trabalho etc.
• Lógica Analítica Avançada de Dados: para fornecer não só visibilidade, em tempo real, dos eventos e ameaças referentes à segurança, como também um meio de identificar e evitar proativamente incidentes de segurança.
• Novas tecnologias digitais: para dar suporte aos Jogos, nos quais se esperava, pela primeira vez, que a audiência em smartphones superasse a audiência na TV.
DCD: Como foi trabalhar em parceria com grandes empresas? Quais foram as maiores dificuldades encontradas no período dos Jogos? Por quê?
M.G.: A gestão da parceria é um dos principais fatores de sucesso na realização do projeto dos Jogos Olímpicos. Com um comitê de organização da Rio 2016 composto por 10 parceiros de tecnologia, a Atos considera o trabalho em equipe um fator de sucesso. O modelo de trabalho em que todos ganham é uma premissa da cultura da Atos. Como parceiros globais do COI, nos concentramos no trabalho com os parceiros de tecnologia para projetar, criar e operar a infraestrutura de soluções que deram suporte ao evento em todos os locais de competições. O principal desafio foi garantir que os serviços de TI passassem por um número suficiente de testes. A Atos está acostumada a trabalhar usando serviços e plataformas de parceiros e a assegurar que, mesmo com as limitações de tempo, seja possível realizar uma operação tranquila e sem preocupações. Em cada Olimpíada, precisamos implantar rapidamente nossos processos de gestão de serviços de TI, já testados e adotados, em uma nova organização que cresce mais depressa à medida que nos aproximamos dos Jogos. Trabalhamos estreitamente com o Comitê Organizador e com os outros parceiros de tecnologia assegurando que nossos processos flexíveis respondem bem em qualquer cenário.
DCD: Os Jogos Olímpicos Rio 2016 foram os primeiros a contar com a computação em nuvem como base da infraestrutura de TI. Qual o modelo adotado e como ele funciona na nuvem?
M.G.: A Rio 2016 foi um marco importante na estratégia do Comitê Olímpico Internacional ao adotar o empoderamento digital com a Atos. A Rio 2016 usou, pela primeira vez, uma nuvem privada para hospedar aplicativos essenciais, entre eles o portal de voluntários, o sistema de credenciamento e os sistemas de toda a força de trabalho. Esse foi um grande passo em nossa mudança de um modelo: “criar a cada vez” para o modelo “criar apenas uma vez”. O que significa que utilizamos menos servidores, ocupamos menos espaço físico e trabalhamos com uma pegada de carbono muito menor, reduzindo o custo e aumentando a eficiência.
A partir dos Jogos Olímpicos de 2018, a maioria dos serviços comerciais críticos receberá suporte por meio da Canopy, uma solução de nuvem segura da Atos, que é uma combinação perfeita e aumentará a flexibilidade e a capacidade de expansão em futuros Jogos Olímpicos.
DCD: A Atos precisou contratar mão de obra local?
M.G.: Sim, a Atos contratou vários profissionais locais para trabalhar no projeto Olimpíadas. Esses profissionais trabalharam em locais com e sem competição, como a Vila Olímpica, o Centro de Transmissão Internacional (International Center Broadcast) e o Centro de Operações de Tecnologia (TOC, na sigla em inglês). Nos locais em que se realizavam competições, os funcionários eram responsáveis pelo planejamento, implementação e pelo suporte operacional, agindo como gerentes de TI. No TOC, a equipe deu suporte a serviços técnicos (rede, sistema operacional, segurança etc.), bem como suporte a sistemas críticos que a Atos forneceu aos Jogos: Credenciamento e Sistemas de Difusão de Informações, por exemplo. O perfil desses recursos incluía: Gerentes de TI, analistas de sistemas e especialistas em TI.
DCD: Qual o legado do evento?
M.G.: A Atos contratou muitos profissionais para trabalhar no projeto. Esses profissionais adquiriram uma enorme experiência, até porque, em muitos casos, era o primeiro trabalho de sua carreira. Com base na experiência nas Olimpíadas, esses funcionários agora estão aptos para trabalhar em outros grandes projetos, pois a tecnologia utilizada pode ser aplicada em diversos mercados.
Nosso legado é o envolvimento e o amadurecimento no projeto olímpico, da equipe do Rio e, mais amplamente, do Brasil. A equipe inteira teve a oportunidade de trabalhar em um projeto grande, complexo e de muita visibilidade, integrada à organização dos principais eventos oferecidos com êxito em todas as Olimpíadas.
DCD: Qual o balanço que a Atos faz sobre o trabalho realizado nos Jogos Olímpicos Rio 2016?
M.G.: Estamos profundamente orgulhosos da dedicação e do trabalho intenso que as equipes da Atos puderam oferecer para realizar a tecnologia das Olimpíadas Rio 2016. Foi uma demonstração fantástica de excelência olímpica. Em cada Olimpíada, apresentamos inovações em tecnologia: da nuvem à cibersegurança, bem como soluções que abrangem o crescente volume de dados, a fim de aumentar a satisfação dos fãs do mundo todo. Como parceiros globais de TI em oito Olimpíadas consecutivas, sentimos que a Rio 2016 serve como referência e como incubadora de inovação para as principais soluções digitais de TI que oferecemos.
DCD: Em termos de TI e data center, o Brasil pôde mostrar ao mundo uma real maturidade?
M.G.: As operações de TI foram impecáveis nos Jogos Olímpicos Rio 2016. O evento contou com a capacidade dos profissionais locais e com uma infraestrutura local de TI. Devido à sua magnitude, a realização dos Jogos Olímpicos é um desafio em qualquer país ou cidade em que sejam sediados. A maioria da força de trabalho que operou nos Jogos não tinha experiência anterior em Olimpíadas, o que inclui a área de TI. Isso também se verifica em relação à infraestrutura de TI, que precisa ser definida respeitando alguns requisitos característicos da realização dos Jogos. A Atos investe pelo menos quatro anos no planejamento e na operação de cada Olimpíada. Também reservamos 12 meses para testes, antes da realização do evento. Essa prática nos permite prever cenários e minimizar possíveis riscos que podem, de algum modo, ter impacto em nossos resultados. É desta forma que prevemos e superamos os desafios.
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