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Com data center em Campinas e Jundiaí, a Ascenty está prestes a inaugurar seu  data center em Hortolândia - SP. A instalação de Jundiaí possui certificação Tier III, concedida pelo Uptime Institute, o que coloca a empresa em um seleto grupo de data centers no mund. A unidade possui também a certificação ISAE 3402 e SSAE 16 Tipo II, que comprovam que os controles internos de segurança física do data center são eficientes e estão de acordo com os padrões internacionais.
 
Chris Torto, CEO da Ascenty, diz que a escolha pela cidade se deu pelo fato de Jundiaí ficar dentro de um raio de 120 quilômetros da cidade de São Paulo, dispor de uma das melhores estradas do Brasil e ter abundância de fibra óptica.
 
“Nossa intenção sempre foi estar perto de São Paulo, mas não dentro de São Paulo, porque a cidade tem problema de fornecimento de energia e claro, queremos evitar esse problema, já que o insumo de qualquer data center é o fornecimento de energia elétrica. Nós temos nosso próprio anel de fibra óptica. A instalação conta com quatro salas técnicas, com três megawatts cada uma. É uma capacidade de 1200 gabinetes,” detalha.
 
O presidente da Ascenty destaca que a empresa dispõe de uma subestação elétrica própria, de 25 megawatts. “Foi um investimento alto, mas nos traz muito ganho de confiabilidade.” Dos 25 MVA da subestação, 12 são destinados para a área crítica. O ambiente conta também com uma linha dupla na entrada principal de 138 KV, sistema de redundância Tri-bus (três linhas de energia estável atendendo cada módulo), sistema de geração a diesel em uma configuração N+5, sendo um total de 15 geradores de 2.500 KVA cada, totalizando 37.500 KVA de potência e quatro tanques de diesel, que permitem aos geradores uma autonomia de 40 horas sem reabastecimento.
 
Mão de Obra
 
Chris Torto diz que a Ascenty não teve nenhum problema na importação dos componentes, o que é um grande problema para a maioria das empresas quando constroem seus data centers. O tempo de construção da unidade foi de nove meses, o que estava dentro do cronograma da Ascenty. Sobre a mão de obra, o executivo comenta que a empresa não teve dificuldade para encontrar mão de obra qualificada. O CEO da Ascenty acredita que o fato dos três data centers da empresa estarem na grande São Paulo, região que é um polo de tecnologia, conta com grandes universidades, em especial a UNICAMP, ajudou muito nesse sentido. Segundo ele, o desafio será encontrar mão de obra local em Fortaleza, para a construção da quarta instalação da empresa, a primeira fora da Região Sudeste.
 
“Optamos por construir nosso quarto data center no Nordeste, porque já temos um cliente internacional, que nos pediu para realizar a construção na região. Escolhemos  Fortaleza, porque a cidade conta com cinco cabos submarinos, o que oferece grande conectividade para o mundo inteiro. Acreditamos que essa pode ser a nossa base para expandir para todo Nordeste brasileiro. Logo após a construção do data center de Fortaleza, focaremos no Sul do Brasil. Pretendemos instalar data centers em Curitiba e em Porto Alegre”, adianta. 
 
Para Chris Torto a Ascenty tem sorte por dispor do grupo de colaboradores altamente qualificados que tem. O executivo diz que a empresa tem conseguido trazer jovens, treiná-los e de maneira nenhuma importa mão de obra. “Nossa filosofia interna é qualificar estudantes brasileiros. Temos muita gente jovem na empresa, recém-formada. Em Fortaleza sabemos que talvez teremos dificuldade, mas ainda assim, nosso objetivo é buscar profissionais locais e treiná-los sobre a cultura da Ascenty”, declara. 
 
 
Densidade
 
O data center foi projetado com uma densidade elétrica de 10 quilowatts por gabinete. Chris Torto ressalta que pouquíssimos data centers dispõem de tão alta capacidade elétrica e de refrigeração no mundo.
“Eu não conheço nenhum data center no Brasil que tenha essa densidade elétrica. Nossa instalação tem em torno de 3300 watts por metro quadrado de densidade elétrica.”
O uso de free cooling não foi planejado pelo clima predominante. De acordo com o executivo, com a baixa umidade e a poluição relativa do ar na grande São Paulo, o custo para aderir a tecnologia não compensa.
 
Tendências 
 
Para o presidente da Ascenty o mercado brasileiro seguirá a trilha do Outsourcing de TI. Para ele, as organizações estão se conscientizando que não faz sentido montar piso elevado, gerador, refrigerador, combate a incêndio, segurança e conectividade dentro da própria empresa, onde o custo por metro quadrado é muito mais alto do que fazer isso através de um serviço de data center. 
 
Quando o assunto é imposto, o executivo diz que facilitaria muito se houvesse mais isenção de imposto no Brasil, e também se o custo total para construção de data centers fosse mais baixo. Mas segundo ele, a diferença de preço do Brasil, em comparação outros países, não é tão grande. “Estamos 30% acima.” O executivo lembra que atualmente a Ascenty tem dois data centers em obra, no início de 2015 terá quatro data centers em operação no país e já está se preparando para iniciar a construção da quinta instalação e que a diferença de preço não tem sido um impedimento para o crescimento da empresa.
 
Regulações 
 
Chris Torto diz que vê com bons olhos o Marco Civil da Internet, já que a medida protege o interesse dos usuários e foi aprovada sem a obrigatoriedade de data center em território brasileiro. Para o CEO da Ascenty, o incentivo virá realmente quando os impostos forem reduzidos não somente para construção, mas também para a importação de servidores e  para a fabricação destes no Brasil; o que tornará o país mais atrativo para empresas internacionais instalarem seus data centers em território nacional, de uma forma mais barata ao invés de obrigar, como estava proposto. “Felizmente o governo retirou essa obrigatoriedade”, conclui.