A migração para a nuvem oferece grandes benefícios para cargas de trabalho que exigem elasticidade e adaptabilidade. No entanto, esse processo não está isento de desafios: muitas empresas enfrentam a complexidade de refatorar aplicações on-premises antes de migrá-las para a nuvem e, por não avaliarem completamente os custos e benefícios, algumas optam por uma estratégia “cloud-first” sem uma análise aprofundada, o que pode resultar em custos maiores a longo prazo.

A segurança dos dados é outra grande preocupação, já que a nuvem implica um menor controle direto sobre informações sensíveis, exigindo políticas de proteção, replicação e backup. Nesta entrevista, após sua participação no DCD>Debate: Separando o joio do trigo - toda carga de trabalho pode ir para a nuvem? no DCD>Connect São Paulo, Leonel Oliveira, Diretor Geral da Nutanix, compartilha suas principais recomendações.

Quais tipos de cargas de trabalho você considera que se beneficiam mais da migração para a nuvem e por quê?

As cargas de trabalho que se beneficiam mais da migração para a nuvem são aquelas que demandam mais elasticidade como alguma aplicação com necessidade pontual de armazenamento em um período específico sazonal, por exemplo. Empresas de varejo em época de Black Friday com maior demanda de armazenamento de forma rápida ou empresas que tenham aplicações de negócios das áreas de DevOps e desenvolvimento para entrega de aplicações rápidas com ambiente conteinerizado, com Kubernetes e aplicações modernas. Essas equipes de negócios que desenvolvem apps precisam dessa agilidade que a nuvem provê ainda mais em um conceito Kubernetes cloud native.

Quais são os principais desafios e obstáculos que as empresas costumam enfrentar ao migrar suas cargas de trabalho para a nuvem? Como esses desafios variam de acordo com o tipo de empresa ou setor?

Vemos que algumas empresas muitas vezes não consideram a questão da necessidade de uma refatoração das aplicações para levá-las para nuvem pública. A aplicação on-premises precisa ser refatorada, rearquitetada, o que demanda uma complexidade inesperada. Este é justamente um benefício oferecido pela Nutanix, o de conseguir levar cargas de trabalho que estão em Nutanix on-premises para nuvem sem a necessidade da refatoração, simplificando bastante o processo de migração. Outro ponto importante é migrar por uma diretriz da empresa com uma estratégia cloud-first sem necessariamente entender o motivo dessa migração ou avaliando o que de fato faz sentido em relação a custos, disponibilidade e segurança para a empresa. Ao desprezar essa avaliação há depois o desafio de voltar alguma aplicação da nuvem, porque para alguns serviços a nuvem pública faz uma forma de lock-in. A longo prazo, o custo da nuvem pública acaba sendo muito maior do que a infraestrutura on-premises, então não faz sentido levar 100% das aplicações para a nuvem. Por isso, vemos diversas empresas fazendo essa repatriação de dados para o seu data center.

Quais são as preocupações mais comuns em relação à segurança dos dados quando se trata de cargas de trabalho na nuvem? Quais estratégias as empresas podem adotar para mitigar riscos?

Os dados são o ativo mais valioso para uma empresa. Por mais que a nuvem pública tenha os mais rígidos níveis de políticas de segurança, ao optar por cargas de trabalho na nuvem, em vez do seu próprio data center, você também não usufrui do mesmo controle sobre seus dados, sejam de clientes ou informações críticas do negócio. Naturalmente existe um risco, pois os dados estão em um data center terceiro, mas o que se pode fazer é utilizar uma estratégia híbrida. Recomendamos que empresas escolham bem quais aplicações e dados podem de fato estar na nuvem pública e que haja uma política de proteção de dados, com replicação, backup e que tudo isso seja bem estudado e construído com base em uma estratégia para evitar que informações críticas fiquem expostas, tendo em conta ataques cada vez mais frequentes.

Além disso, ter segurança de ponta a ponta na infraestrutura, não somente em segurança da informação, mas com camada de segurança em rede, com microssegmentação de rede e análise de possíveis vulnerabilidades é de extrema importância. A Nutanix tem uma solução chamada “Data Lens” que avalia essas possíveis vulnerabilidades dentro da infraestrutura e auxilia empresas que possuem solução de unified storage da Nutanix dentro de um ambiente de nuvem híbrida.

Considerando as tendências atuais e futuras em tecnologia e nuvem, quais conselhos você daria às empresas que estão avaliando a possibilidade de migrar suas cargas de trabalho? Que aspectos devem ser priorizados para garantir uma transição bem-sucedida?

Há muitos aspectos a se considerar quando falamos de migração para nuvem. Penso que minha principal recomendação é a de uma plataforma de gestão de nuvem híbrida multicloud centralizada, uma gestão simplificada, que garanta maior visibilidade do que está acontecendo naquele ambiente híbrido e sobre todas as políticas, controle de quem tem acesso às informações e onde estão hospedados os dados e cargas de trabalho em relação a esse ambiente completo de nuvem híbrida multicloud. Com isso a empresa obtém mais segurança, controle de custos, de riscos e disponibilidade (resiliência) para ter de fato sua infraestrutura na palma da mão em vez de tê-la distribuída entre várias áreas de negócios dentro da companhia.