Amazônia Conectada é um projeto do Ministério da Defesa, coordenado pelo Comando Militar da Amazônia e tem o objetivo de levar conectividade, em múltiplos gigabits por segundo, para organizações militares, instituições de educação e pesquisa, órgãos públicos estaduais e para população do interior do estado.
Segundo a Telebras, está prevista a instalação de seis infovias subfluviais que irão percorrer aproximadamente 7 mil quilômetros, utilizando o leito dos rios Solimões, Negro, Madeira e Amazonas. Toda a estrutura beneficiará aproximadamente 7 milhões de pessoas.
Com a implantação definitiva dos cabos, a região passará a usufruir de uma série de serviços de rede de dados com a mesma qualidade disponível nas capitais, como internet banda larga, telemedicina, ensino a distância, diversas aplicações na área de saúde, segurança pública, trânsito e turismo. Além disso, estão previstas melhorias nas comunicações militares na fronteira, com ganhos para a defesa nacional. O Amazônia Conectada é uma cooperação entre o Exército Brasileiro, a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), a Telecomunicações Brasileiras (Telebras), a Companhia de Processamento de Dados do Amazonas (Prodam), a Secretaria de Estado de Planejamento, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação do Amazonas - SEPLANCTI, o Instituto de Proteção Ambiental da Amazônia (IPAAM), e a Eletronorte.
O projeto
Com aproximadamente 10 km de extensão, a primeira fase do subprojeto-piloto ocorreu no último mês de março. Desses, 7 km de cabo ótico foram lançados, com objetivo de fazer os primeiros testes, a fim de entender o comportamento dos movimentos do rio. Nessa primeira etapa, segundo o diretor-adjunto de Gestão de Soluções da Rede Nacional de Pesquisa, Gorgonio Araújo, era importante saber se o lançamento tinha sido realizado no local mais indicado, qual a movimentação do material, a influência do pH do rio sobre o cabo lançado e como isso deve influenciar a qualidade da internet. "O resultado foi satisfatório."
Com a inauguração do primeiro trecho das obras realizada no último mês de junho, o Programa já beneficiou 52 municípios localizados entre Tefé e Manaus.
Instalação da infraestrutura dos tubo de Polietileno de Alta Densidade e construção da caixa de ancoragem para o lançamento da fibra ótica subfluvial
Desafios
Segundo o Capitão Luciano Sales do Centro Integrado de Telemática do Exército - CITEx, as grandes distâncias entre as cidades e a baixa dos rios, que podem durar até seis meses, representam desafios importantes para o lançamento e manutenção das fibras. A RNP diz que "com extensões de infovias de mais de dois mil km, como é o caso do Solimões (entre Tefé e Tabatinga) e Purus (entre Beruri e Boca do Acre), com 2.091 km e 2.220 km, respectivamente, a tecnologia passa a ser nova, porque o ambiente é diferente. O incentivo à implantação de empresas que suportem esta iniciativa na Amazônia é outro grande desafio."
Segundo Gorgonio Araújo, ter esse resultado não apenas contribui para a promoção do desenvolvimento da região, como diminui custos de implantação e manutenção da infraestrutura.
Dentro do projeto, a Rede Nacional de Pesquisa - RNP, tem a função de prover a inovação, apoiando o Programa com sua expertise tecnológica e experiência na implantação, gestão, operação e manutenção de redes. Outra função da instituição é desenvolver, implantar e operar a infraestrutura avançada para educação e pesquisa. Assim, a RNP fará com que o Amazônia Conectada seja usado pelas instituições de pesquisa e ensino superior no Amazonas, conectando-as com alta velocidade ao seu backbone. A Telebras tem o papel de operar e manter a infraestrutura da rede, em conjunto com a Prodam. Caberá a Telebrás viabilizar o uso dessa infraestrutura para a sociedade e o governo, provendo conexão de qualidade, com preços competitivos para provedores locais e órgãos do governo atendidos pela empresa.
O CITEx é o grande mediador do projeto e disponibiliza recursos através do Exército Brasileiro para construção dos primeiros trechos do Programa.
Data Center
Na região já há um Centro de Dados Compartilhado (CDC) em Manaus (AM), que compõe a infraestrutura do futuro para serviços de nuvem acadêmica da RNP, em fase de implantação. Com a expansão da conectividade na Amazônia, as instituições de ensino e pesquisa da região poderão utilizar a solução de cloud computing, que deve ser híbrida, capaz de integrar recursos próprios, comunitário e federado. A expectativa é de que a infraestrutura do Amazônia Conectada viabilize iniciativas similares do Exército e da Prodam.
Além da própria Telebras e da Prodam, empresas privadas já demonstraram o interesse em usar a infraestrutura. O Programa prevê essa utilização, fundamental para beneficiar toda a sociedade amazonense.
Quanto a resistência dos cabos de fibra ótica, a RNP e o CITEx afirmam que tal resistência será estudada pelos próximos 25 anos. Pesquisadores e especialistas de universidades do Amazonas estão colaborando com o Programa. Características e propriedades como correnteza do rio, pH, profundidade, banzeiro, chuva e até efeito de temporais serão monitoradas.
Segundo o CITEx, o projeto iniciado em setembro de 2014, deve ser concluído em dezembro de 2017, condicionado a disponibilidade de recursos financeiros.
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